Seleção para segunda edição do Curso de Humanização da Atenção e Gestão do SUS

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PNH “rodando” RS afora em “seleção-intervenção”

 

O lançamento da 2ª edição do CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM HUMANIZAÇÃO DA ATENÇÃO E GESTÃO PARA O SUS está agitando os pampas gaúchos desde a semana passada quando se iniciou sua divulgação em processo seletivo inovador. A parceria MS/PNH, SES-RS/ESP e Universidades, que veio se consolidando com o trabalho desenvolvido na 1ª edição em 2007, tem trabalhado árdua e animadamente nos últimos meses para garantir que o edital de seleção chegue a todas unidades de saúde do Estado oportunizando a qualquer trabalhador do SUS a candidatura a uma das 90 vagas abertas. A metodologia da seleção também foi montada de forma a garantir não apenas a escolha dos contemplados, mas principalmente a potencialização da Rede regional de apoiadores dando visibilidade aos resultados obtidos com os processos de formação anteriores. Nossa intenção é fazermos com que o momento de seleção já desencadeie o processo de formação, co-responsabilizando os candidatos com a própria escolha (deles para o curso e do curso para eles).

Para isto, o colegiado coordenador do curso – composto pelos consultores da PNH Simone Paulon, Eduardo Mendes Ribeiro e Liane Righi – foi agregado de novos parceiros da ESP, das bolsistas da PNH/UFRGS e de um grupo da residência integrada em saúde que abriu a humanização como nova frente de formação. Além desses, se agregarão às equipes que viajarão todo Estado a partir desta semana para garantir a descentralização do processo seletivo, as coordenações estaduais de humanização nas 7 macro-regiões do Estado, os 8 formadores de 2007 e os apoiadores recém-formados pela PNH. Ao todo, serão realizados 8 eventos de dois dias cada, onde no 1º dia o formador apresenta a  PNH e o projeto de curso, seguido de uma Mostra das intervenções realizadas pelos apoiadores daquela região e de uma roda de conversa sobre o tema com os candidatos. Somente após este reconhecimento do cenário regional e das exigências e propostas do curso é que os presentes decidem sobre sua candidatura, depositam sua documentação conforme edital já divulgado no site da ESP e se inscrevem para os grupos de seleção no dia seguinte.

As rodas seguem no 2º dia, em grupos de até 20 candidatos que debatem esquetes do cotidiano do SUS (retiradas do discurso de posse do Ministro Temporão) e, ainda, redigem um pequeno memorial sobre sua trajetória de trabalhadores da saúde. A coordenadora estadual da humanização e vice-diretora da ESP, Miriam Dias entende que “esta metodologia construída coletivamente já está alavancando a capilarização da humanização no Estado e seus efeitos extrapolam em muito o objetivo imediato de um curso, contribuindo com a formação de uma Rede de protagonistas de um SUS que pode cada vez dar mais certo”.

O 1º dos 8 eventos programados já foi uma demonstração disso. Lotando o auditório da Escola Estadual de Educação Profissional em Saúde do RS (ETSUS),  em Porto Alegre, na manhã do dia 8/07 cerca de 80 profissionais da área da saúde ouviram atentos à exposição dos projetos realizados na primeira edição do curso. 

Aluno da turma de 2007, Cristiano Salazar, médico do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), ressaltou: "O curso pressupõe uma intervenção prática implantada no ambiente de trabalho e ao longo do tempo de duração da pós que é um ano. A resistência dos colegas e até de pacientes é certa, mas o apoio do gestor é fundamental para a legitimação de qualquer mudança na prática instituída". Ele lembrou que humanização não é fazer triagem de pacientes em salas de acolhimento, e que,  embora os resultados não sejam imediatos,  o impacto pode ser mensurado na satisfação e no bem-estar de trabalhadores e usuários. Também a enfermeira assistencial, Rita Nascimento, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), narrou sua intervenção na Emergência do Hospital Cristo Redentor onde contou com a incorporação do Serviço Social à unidade e implementou a Visita Aberta. "A Visita Aberta permitiu ao familiar ver o paciente a qualquer momento, participar dos exames e informar-se com a equipe sobre o paciente desde seu ingresso no hospital, até a definição da conduta médica". Mesmo em obras e, em razão disso,  com apenas 30% do seu espaço físico, ela percebeu redução da animosidade, melhora no ambiente de trabalho e satisfação dos usuários. A apoiadora ressaltou para os candidatos presentes a importância que sua participação no curso teve para isto: "Introduzir novas práticas, especialmente com profissionais graduados há tanto tempo que tendem a reproduzir as mesmas rotinas,  é uma tarefa difícil, mas possível".  Até o final deste mês, a expectativa da equipe coordenadora é de ampliar esta discussão e levar as possibilidades de recriação do SUS a todo Estado que já está se movimentando com a organização dos eventos e com a proximidade do novo processo de formação.