O Papa é Pop

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Há alguns anos os "Engenheiros do Havai" nos brindaram com o sucesso "O Papa é Pop" onde satirizam a sociedade de consumo que transforma em mercadoria toda forma de banalidades pela veiculação intensa das imagens: 

 

Todo mundo tá revendo
O que nunca foi visto
Todo mundo tá comprando
Os mais vendidos..

É qualquer nota,
Qualquer notícia
Páginas em branco,
Fotos coloridas
Qualquer nova ,
Qualquer notícia
Qualquer coisa
Que se mova
É um alvo

 

É nesse mundo de aparências que a maioria de nós vai tomando decisões mediadas pelas necessidades impostas pela lógica do capitalismo. Nesse oceano de mercadorias, é importante que empenhemos nossa credibilidade aos porta-vozes dessa sociedade. Parte deles ganham visibilidade nos anúncios publicitários. Não é atoa que atores famosos, atletas, personagens em evidência, alguém que acabou de ser eliminado do "Big Brother" aperece repentinamente em nossas TVs para nos dizer o que fazer quando formos ao supermercado. Mas lembremos o aviso dos "Engenheiros":

 

"O Papa é Pop,
O Papa é Pop!
O Pop não poupa ninguém
O Papa levou um tiro
À queima roupa
O Pop não poupa ninguém…"

 

A música fala do atentado sofrido por João Paulo II e a transformação disso em notícia imediata, que elevou os índices de audiência, se transformando em imagem divulgada exaustivamente até quen toda a emoção se esgotasse e o sofrimento do sacerdote se transformasse em mera descrição: "Vejam agora em Câmera Lenta"!

 

 

Mas não podemos nos esquecer: O Papa É Pop, e Bento XVI sabe muito bem disso ao afirmar as barbaridades sanitárias que tem dito ultimamente sobre o uso da camisinha. Se o Papa é Pop, ele usa hoje sua popularidade para torpedear programas de prevenção em regiões assoladas pela epidemia na África. Ruim com a camisinha, apocaliptico sem ela. Em nome dos tais valores sagrados da castidade e da estabilidade da família, jovens são estimulados a não usarem preservativos e se absterem de relações sexuais fora dos sagrados laços do matrimônio e mais, são expostos por alguém a quem tributam credibilidade à uma informação MENTIROSA sobre uso de preservativos como forma de prevenção contra a AIDS.

Reentemente foram publicados os dados de pesquisas americanas falando sobre a maior probabilidade de jovens estimulados a serem abstinentes sexualmente em contrair AIDS mais facilmente do que aqueles que tem vida sexual ativa e usam preservativos. A razão é miuito simples. Como a abstinência aumenta a necessidade de expressão da libido, o jovem que não tenha introjetado o uso do preservativo como uma prática de sua educação sexual não irá utiliza-lo quando as coisas saem do controle.

 Uma mensagem útil que o Papa Pop pudesse oferecer seria a seguinte: se ao exercitar o seu livre arbítrio você for expressar o pecado da fornicação, não deixe que sua liberdade transforme a vida de outro ser em dor e destruição. Use camisinha para fornicar e não leve a morte ao outro. Mas o Papa é Pop e, como nos ensina os "Engenheiros do Havai", o Pop não Poupa Ninguém!