Manual para Lesados Medulares

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Olá, RHS,

Envio para vocês o arquivo do Manual para Lesados Medulares que utilizamos há um ano no Hospital Geral do Estado (da Bahia). Ele tem sido um instrumento importante para suprir a falta de informação existente no retorno para o domicílio (após alta hospitalar), momento muito delicado para a continuidade do cuidado que foi iniciado durante a internação. O manual é composto por orientações atinentes aos aspectos biológicos, psicológicos e sociais direcionadas aos usuários e seus familiares.

 

Eu, Vanessa Pimenta, Yulle Dantas (todos nós vinculados à SESAB) e Mateus Franklin (ex-paciente do HGE) elaboramos o manual com muito carinho, e concluímos nosso trabalho graças à preciosa ajuda de colegas de diferentes especialidades. Tratou-se de um momento muito especial, pois marcou o início de uma parceria que já vem rendendo bons projetos dentro e fora do ambiente hospitalar.

 

Como disse, o manual encontra-se no arquivo em anexo, mas deixo o seu conteúdo completo nesse post, com o objetivo de disponibilizá-lo para profissionais e usuários que porventura utilizem as ferramentas de busca da internet.

 

É claro que o manual não é uma ferramenta definitiva, devendo ser adaptada para as particularidades da região e do tipo de serviço que for aplicado.

 

Um grande abraço,

 

Raoni Rodrigues

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Setor de Trauma Raquimedular – Manual de Orientações para Pacientes Internados

Esse manual é destinado a todo indivíduo lesado medular que apresenta nesse momento algum tipo de limitação física.

Após o período de internação hospitalar, a volta para casa gera muitos questionamentos e inseguranças tanto para pacientes quanto para familiares. Por isso, o manual tem como função esclarecer desde dúvidas técnicas (cuidados, aspectos clínicos) até questões psicológicas e sociais.

É claro que esta não pretende ser a única fonte de consulta, nem substitui as orientações dadas pelos profissionais antes da alta, mas serve como um guia de informação diante da nova situação.

 

 

Parte 1
Aspectos Físicos

A coluna vertebral

A coluna vertebral é uma estrutura óssea cujas principais funções são:
1. Promover sustentação do nosso corpo quando estamos de pé
2. Servir de base para os nossos movimentos de pescoço e de tronco.
3. Formar um canal de proteção (canal medular) que envolve a frágil medula espinhal, afim de protegê-la.

Ela é composta por 33 vértebras no total, das quais 24 são móveis. Estas estão subdivididas em: sete cervicais (C1-C7) de onde saem nervos que vão para os braços (membros superiores), doze torácicas (T1-T12) com nervos que vão para a região do tórax e cinco lombares (L1- L5)com nervos que vão para as pernas (membros inferiores).

A medula espinhal

A medula espinhal é uma estrutura nobre e muito frágil do corpo humano, que se localiza no canal medular, constituindo-se como parte do sistema nervoso. Ela funciona como um fio que leva informação do cérebro para o corpo e do corpo para o cérebro.

Vamos adotar um exemplo bem simples: voce toca sua mão numa superfície quente e na mesma hora a retira para não queimar. O que aconteceu nessa situação? Quando sua mão toca num local quente, células localizadas na pele mandam uma informação para o cérebro (através da medula) de que sua mão pode se machucar. Então, rapidamente o cérebro manda uma mensagem para sua mão (também através da medula) para retirar e evitar a lesão.

Portanto, quando há uma lesão medular, esse grande fio condutor de informação fica danificado, causando perda da função corporal. Assim, a passagem dos impulsos voluntários do cérebro para os músculos e da sensibilidade do corpo (frio, calor, toque, etc.) até o cérebro ficam prejudicadas.

Observe que na medula espinhal estão presentes tipos diferentes de células:

1. Células que mandam a informação do cérebro para o corpo visando realizar a ação (no exemplo seria o de retirar a mão), que são chamadas de neurônios motores.
2. Células que transmitem as sensações do corpo para o cérebro, chamadas de neurônio sensitivos.
3. Existem ainda células responsáveis por funções “automáticas” do nosso corpo (urinar, por exemplo), chamadas de neurônios eferentes.

E é por isso que na lesão medular algumas vezes você pode perder a capacidade de movimentar, mas ter sensibilidade, ou vice versa. Isso significa que somente parte da medula foi danificada. Para isso denominamos que a lesão foi incompleta. Quando a sensibilidade e a motricidade (movimentos) estão ausentes, dizemos que a lesão foi completa.

“Vou voltar a andar?”

Essa é uma pergunta bastante frequente e difícil de responder, não por querermos evitar falar sobre isso, mas porque não dá pra saber se foi realmente uma lesão completa. Às vezes, quando a lesão é muito grave, a possibilidade de retorno dos movimentos é mínimo, mas ainda assim não podemos afirmar.

Por isso é importante estar preparado para as duas situações, se informando bastante sobre a sua nova condição e dando continuidade ao tratamento com a equipe multidisciplinar (fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, enfermagem, psicologia…). E é para isso que serve essa cartilha, como fonte para compreender o que está acontecendo com você.

As diferentes consequências da lesão medular

Paraplegia
Perda de sensibilidade e dos movimentos da metade inferior do corpo.
Ocorre quando há dano medular na altura das vértebras torácicas, lombares ou sacrais. Neste caso, a função dos membros superiores é preservada, mas o tronco e os membros inferiores ficam comprometidos.

Tetraplegia
Perda da sensibilidade e dos movimentos dos quatro membros e do tronco.
Ocorre quando há dano medular na altura das vértebras cervicais.Neste caso, há comprometimento dos membros inferiores e superiores. A função respiratória pode ficar debilitada em uma fase inicial.

Paresia
Termo utilizado para lesões medulares incompletas, ou seja, que não provocaram a interrupção total dos neurônios da medula.
Os movimentos e a sensibilidade estão presentes, mas com função prejudicada.
Dependendo da altura da lesão, a paresia pode ocorrer nos quatro membros (braços e pernas), somente nas pernas ou somente nos braços.

OBS: Existem outras formas menos comuns de conseqüências para a lesão medular. Caso você não se enquadre em nenhuma destas possibilidades, informe-se conosco.

OBS’: Em alguns casos, a lesão óssea não é seguida pela lesão medular. Nessas situações os movimentos e a sensibilidade do corpo não sofrem prejuízos. Nem por isso o tratamento hospitalar deixa de ser necessário, pois os ossos vertebrais, ainda instáveis, têm que ser tratados para que a medula não fique comprometida. 

O tratamento

O foco do tratamento hospitalar é, em regra, abordar a coluna vertebral (estrutura óssea), e não a medula. O objetivo é tornar a estrutura óssea novamente apta para sustentar o corpo, além de re-alinhar o canal de proteção, para que a medula não mais encontre obstáculos.

Nenhum procedimento é feito diretamente na medula. Espera-se que com o canal vertebral restabelecido ela encontre um ambiente propício para a sua recuperação. Em alguns casos, é impossível chegar a uma conclusãosobre as chances de melhora parcial ou total da medula.

Existem duas modalidades básicas de tratamento: o cirúrgico e o conservador. O tratamento cirúrgico é utilizado quando as vértebras precisam ser re-alinhadas e estabilizadas para a sua adequada recuperação. Já o tratamento conservador é utilizado quando as vértebras podem se estabilizar sem a necessidade de cirurgia, apenas utilizando materiais que auxiliam a manter a postura ereta e fixa.

Alta Hospitalar

No dia da alta hospitalar, você já deverá estar informado sobre uma série de cuidados que serão importantes para um retorno tranqüilo ao lar. Mesmo assim, não custa nada reforçar alguns pontos importantes. Falaremos agora sobre uma série de cuidados básicos que devem ser seguidos no seu domicílio.

OBS: Este é um material desenvolvido para pacientes com diferentes características, então é possível que você veja orientações que não sejam direcionadas para o seu caso.

OBS’: Não deixe de tirar suas dúvidas com a nossa equipe de profissionais! Este manual não substitui o diálogo entre você e a equipe.

A consulta de revisão

Alguns pacientes recebem a orientação de retornar ao hospital, depois de um determinado período, para uma consulta de revisão. Essa consulta é realizada por um cirurgião e um fisioterapeuta, constituindo-se em algo importante para confirmar o sucesso da cirurgia. No dia da alta hospitalar, você será informado sobre como marcar essa consulta.

Acompanhamento médico regular

O fato de realizar as consultas de revisão no HGE não elimina a necessidade da participação de outros médicos no seu tratamento. Lembrando que o objetivo da consulta de revisão é acompanhar a evolução da cirurgia. Alguns problemas podem surgir sem ligação com o procedimento cirúrgico. Febres, ardências urinárias, edemas, tremores… Aparecendo alterações clínicas como estas, procure o posto médico mais próximo de sua casa.

 

Reabilitação fisioterapêutica

Elemento dos mais importantes após a alta hospitalar, o tratamento fisioterapêutico tem como objetivos fundamentais:
• Aliviar dor
• Desenvolver, melhorar ou manter: força muscular, resistência à fadiga, mobilidade e flexibilidade, estabilidade, coordenação, equilíbrio e função respiratória
• Melhorar desempenho funcional nas atividades da vida diária
• Promover independência e autonomia
• Prevenir deformidades e problemas circulatórios

Fisioterapia – Onde encontrar? Existem diversos locais onde é possível procurar um tratamento. Listando alguns deles: Clínicas Escolas (conveniadas ao SUS), Ambulatórios das prefeituras ou Rede Sarah (ver telefones de alguns deles nas últimas páginas deste manual).

Terapia Ocupacional

A Terapia Ocupacional tem como foco melhorar o desempenho do paciente nas suas atividades diárias (como escovar dente, se alimentar, escrever, etc.), possibilitando que o mesmo reconheça suas potencialidades e capacidades, fazendo com que este reconhecimento possa elevar sua auto-estima, motivando-o a desejar sua reabilitação e recuperação no que for possível, da maneira que for possível.
Existem centros de reabilitação e faculdades que fazem esse tipo de atendimento pelo SUS: CEPRED, IBR e Escola Bahiana de Medicina (cujos telefones se encontram no final deste manual.

Alimentação adequada

Hábitos alimentares saudáveis são importantes por uma série de motivos:

• Resistência contra infecções
• Ganho de massa muscular
• Hidratação e cicatrização da pele
• Controle de peso
• Melhora do funcionamento do intestino e bexiga.

Ao momento da alta, você receberá do nutricionista um guia de informação a cerca da alimentação adequada para o seu quadro. Ainda assim, existem universidades públicas que realizam consultas com nutricionista gratuitamente, dentre elas UFBA e UNEB.

Principais complicações

1. Alterações na pele e seus cuidados

A perda de movimentos voluntários e da sensibilidade facilita a formação de lesões na pele, denominadas úlceras de pressão ou escaras (lesões provocadas pela compressão de uma determinada região do corpo, normalmente em saliências ósseas, impedindo a irrigação sanguínea adequada da pele). Ela ocorre quando o indivíduo permanece na mesma posição por período prolongado de tempo, sentado ou deitado.

Os cuidados com a pele são muito importantes para evitar a formação dessas lesões.

Como prevenir? Fazer mudança de posição pelo menos a cada duas horas; observar diariamente o corpo, para detectar áreas de sofrimento; manter a pele limpa, seca e hidratada (fazer uso de creme hidratante e massagem leve nas áreas mais críticas); evitar roupas de tecido muito grosso (como o jeans, por exemplo); evitar sapatos apertados; evitar rugas no lençol, mantendo-o sempre esticado; tomar sol durante períodos curtos de tempo e em horários adequados; alimentação rica em proteínas; uso de almofada de assento na cadeira; não permanecer molhado (urina, suor ou fezes).

Se houver úlcera de pressão no momento da alta, a depender do seu grau e complexidade, o paciente poderá receber diferentes orientações:
a) A família será treinada quanto à troca periódica do curativo.
b) Acompanhamento em unidade de saúde próxima à residência do paciente.
c) Acompanhamento pela internação domiciliar.
d) Transferência para outro hospital.

2. Disfunção urinária

Na maioria dos casos, a lesão medular provoca alteração na eliminação da urina, gerando o seu acúmulo na bexiga ou perda urinária frequente.

Independente do tipo de alteração que se tenha, o objetivo do tratamento é manter baixa quantidade de urina na bexiga, evitando o aumento da pressão e conseqüentemente o refluxo da urina da bexiga para os rins; assim como promover a continência e evitar infecções.

Nestas situações, surge a necessidade de realizar o esvaziamento da bexiga através do cateterismo intermitente, que consiste na introdução de um catéter (tubo) na uretra. Este procedimento será ensinado pela nossa equipe de enfermagem.

É possível observar que, em algumas situações, a perda de urina é tão frequente, que acaba sendo necessário o uso de fraldas ou tratamento medicamentoso que controle a contração da bexiga.

3. Disfunção fecal

A depender do nível da lesão, pode haver constipação crônica (prisão de ventre) ou eliminação acidental de fezes, sendo que em alguns casos não é possível recuperação do controle intestinal. No entanto, existem alguns cuidados que você pode ter para que o intestino funcione adequadamente, o que facilita as atividades fora de casa: dieta rica em fibras, beber água (2 à 2,5L), realizar exercícios diariamente, realizar massagem abdominal no sentido horário e ter um horário para estimular o funcionamento do intestino.

Existem ainda outros recursos como a estimulação digital com luvas, supositórios, plug anal e lavagem. Consulte um profissional de saúde para avaliar qual o melhor tratamento para você.

4. Disreflexia autonômica

A disreflexia autonômica (DA) é uma síndrome associada a lesão medular que ocorre em 85% dos pacientes que tiveram uma lesão medular a nível de T6 para cima.  Normalmente, a síndrome é desencadeada por algum estímulo que deveria ser doloroso ou incômodo (bexiga muito cheia, distenção do intestino, lesões ou fraturas, escaras, entre outros).

Dentre os sintomas se encontram aumento ou diminuição dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, ansiedade, dor de cabeça, suor excessivo, nariz obstruído, manchas vermelhas na pele, visão embaçada.

Esta condição é frequentemente uma emergência e, em caso de suspeita, deve ser levado à unidade de saúde mais próxima.

5. Trombose Venosa Profunda (TVP) e Embolia Pulmonar

Quando uma parte do corpo não é movimentada adequadamente, pode ocorrer o surgimento de um coágulo na veia, chamado de trombo, que impede a passagem normal do sangue. Os principais sintomas são: inchaço e aumento da temperatura mais evidente numa perna que na outra (geralmente em panturrilha e coxa). Na presença dessas alterações, consulte um profissional médico.

Em algumas situações esse trombo pode se deslocar pela corrente sanguínea e atingir áreas como o pulmão, fenômeno conhecido como Embolia Pulmonar. Dentre os sintomas podemos observar: tosse súbita, dor no peito e dificuldade de respirar. Caso isso ocorra, deve-se procurar um pronto socorro com urgência.

 

Equipamentos especiais

O Ministério da Saúde estabelece um programa destinado à doação de materiais especiais (cadeira de rodas, cadeira de banho, coletes, etc.), sob responsabilidade da Secretaria de Saúde do Estado ou do Município de domicílio do paciente.

Local de Concessão em Salvador/Capital
Cepred – Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação de Deficiências
Av. ACM, s/nº, Iguatemi – Centro de Atenção à Saúde (CAS),
Salvador-Bahia; Tel.: (71) 3270-5645/32705608
cepred@saude.ba.gov.br

Locais de Concessão no Interior

 

  • Ilhéus NAE – (74) 3612-1866
  • Itabuna CREADH – (73) 3214-5722/32145789

  • Itaberaba CEMUR – (75) 32451-9004
  • Teixeira de Freitas Centro de Reabilitação Mãe Maria (73) 32926090
  • Jequié Núcleo Municipal de Prevenção, Reabilitação e Fisioterapia (73) 3526-2330
  • Vitória da Conquista IBR – (77) 2101-4100

Existem adaptações, algumas confeccionadas pelo próprio terapeuta ocupacional do hospital, que possibilitam maior desempenho funcional e independência do deficiente. Essas adaptações são voltadas para suprir limitações funcionais como a dificuldade de se alimentar ou de escovar os dentes, por exemplo.

 

Parte 2
Aspectos Psíquicos

O lesado medular vivencia um sofrimento por todas as transformações que ocorrem na sua vida, na maioria das vezes, de uma forma abrupta. Essas mudanças ocorrem em todas as esferas, sendo percebida claramente na sua rotina diária, nos seus relacionamentos afetivos e sociais, assim como no aspecto ocupacional.

 

O retorno para a casa é caracterizado por um processo de adaptação a sua nova condição. Nesse momento o apoio da família passa a ter fundamental importância na reabilitação do paciente, escutando-o e incentivando-o.

Os familiares devem se reorganizar para receber o lesado medular, muitas vezes, tendo que alterar os papéis que cada membro executava anteriormente, para se adaptar a uma nova forma de funcionamento familiar.
É comum aparecer no processo de reabilitação reações de raiva, tristeza, isolamento, insegurança, desânimo, sentimento de culpa e agressividade. Pode haver grande oscilação do humor e do comportamento do lesado medular, tendo a família que observar essas mudanças atentamente, encaminhando-o para acompanhamento psicológico ou psiquiátrico se necessário.

Deve ser incentivado e reforçado, a todo o momento, o retorno às atividades diárias, respeitando a autonomia e independência do lesado medular, considerando também o grau e o tipo da lesão.

A cadeira de rodas, muitas vezes vista de forma negativa, deve ser percebida como um acessório facilitador da independência e autonomia do indivíduo.

 

A sexualidade

A sexualidade é um dos aspectos vivenciados de forma muito dolorosa pelo lesado medular, principalmente por pessoas do sexo masculino, uma vez que traz um sentimento de impotência. As alterações na função sexual dependem do tipo e grau da lesão. No homem, pode-se observar desde alterações ou redução na sensibilidade, à dificuldade em ter ou manter ereção. Na mulher pode haver perda ou diminuição da sensibilidade. Nela, também, não há incapacidade de gerar filhos, enquanto no homem pode ocorrer diminuição na produção de espermatozóide, muitas vezes tendo que recorrer a inseminação artificial.  É importante saber que existem diversas estratégias que permitem solucionar ou minimizar as dificuldades de cada pessoa, proporcionando uma vida sexual ativa, apesar da lesão medular. É necessário consultar um médico que fará avaliação de cada situação e indicará o tratamento e estratégia mais adequados.

Parte 3
Aspectos Sociais

Após o acidente que deixou o indivíduo com algum grau de limitação, muitas vezes torna-se impossível retornar a atividade profissional anterior ou mesmo desenvolver outro tipo de atividade profissional, passando ser a questão financeira uma grande preocupação para o lesado medular.

Pessoas com lesão medular que contribuíram com a Previdência Social têm direito à aposentadoria por invalidez. “Este benefício é concedido aos trabalhadores que, por doença ou acidente, forem considerados pela perícia médica da Previdência Social incapacitados para exercer suas atividades ou outro tipo de serviço que lhes garanta o sustento”. No caso de acidentes não existe carência mínima de contribuição.

Os que não contribuíram com a Previdência podem recorrer ao Benefício de Prestação Continuada (BPC – LOAS). Para ter direito ao benefício “deverá comprovar que a renda mensal do grupo familiar per capita é inferior a ¼ do salário mínimo, deverá também ser avaliado se a sua deficiência o incapacita para a vida independente e para o trabalho, e esta avaliação é realizada pelo Serviço Social e pela Pericia Médica do INSS”.

Portando a deficiência física

O indivíduo que sofre perda de funções corporais após a lesão medular encontra-se, mesmo que temporariamente, portando a deficiência física. Mas o que seria isso?

Deficiência física se refere aos problemas que atingem a integridade da pessoa, ocasionando prejuízos na sua locomoção, na coordenação dos movimentos e na percepção corpórea. Surgem assim dificuldades ou impossibilidade de execução de atividades comuns às outras pessoas. Por isso, muitas vezes, é necessária a utilização de equipamentos diversos que permitam melhor acessibilidade, tendo em vista as barreiras impostas pelo ambiente social.

Estima-se que 23,9% da população brasileira (mais de 45,6 milhões de pessoas) são formados por pessoas que possuem algum tipo de deficiência. E por que não costumamos ver essas pessoas nas ruas, na TV? A maioria delas não conhece os direitos que ajudam na socialização e no bem-estar.

Mesmo que essas deficiências ocorram de forma provisória, é importante saber quais os direitos que as pessoas que se encontram nessas condições possuem. Quais os benefícios, recursos disponíveis, instituições de apoio? O que pode ser feito em situações de discriminação ou preconceito?
Direitos das Pessoas com Deficiência

A lei brasileira protege as pessoas com deficiência em muitos aspectos. São tantos direitos, que seria impossível colocar todos eles em um pequeno espaço como este. Por isso selecionamos os mais importantes para integrar este manual.
Para mais detalhes, informe-se no Ministério Público mais próximo de você ou na Secretaria de Ação Social do seu município.

Da Acessibilidade• Toda pessoa com mobilidade reduzida tem os seus direitos assegurados pelas leis brasileiras.
• As cidades devem promover o acesso dessas pessoas com deficiências a locais públicos e privados, garantindo-lhes sua inclusão social.

Da Saúde e da Assistência Social
“A pessoa com deficiência tem direito à saúde especializada e à benefícios sociais”.

Da Educação
As escolas e outras instituições de ensino deverão oferecer:
• Vagas reservadas às pessoas com deficiência
• Serviços de apoio especializado para atender às suas peculiaridades
• Adequação do ambiente (rampas, barras de apoio, etc)

Do Trabalho
A pessoa com deficiência tem direito a:
• Vagas reservadas em cargos públicos ou em empresas particulares (com 100 ou mais empregados).
• Não pode ter um salário menor do que os outros, apenas por ser deficiente
• O INSS deve promover a reabilitação ou a capacitação profissional (em casos de incapacidade parcial)

“A pessoa com deficiência tem o direito à igualdade de tratamento e oportunidade”

Do Transporte
A pessoa com deficiência tem direito a:
• Utilizar o transporte municipal gratuitamente
• Vantagens em viagens para outras cidades

“A pessoa com deficiência tem o direito de ir e vir, isto é, a acessibilidade a edifícios, logradouros, vias públicas, transportes, etc.”

Das Isenções
A pessoa com deficiência tem direito a isenção ou abatimento de alguns impostos. Isso permite que ela possa adquirir produtos com preços menores.

Desrespeitar o deficiente físico é crime!A discriminação contra o deficiente é crime punível, com reclusão (prisão) de 1 a 4 anos e multa.

Algumas hipóteses de discriminação previstas na lei:
a) Recusar ou suspender, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, porque é portador de deficiência.
b) Impedir o acesso a qualquer cargo público porque é portador de deficiência.
c) Negar trabalho ou emprego, porque é portador de deficiência.
d) Dificultar a internação hospitalar ou deixar de prestar assistência médico hospitalar ou ambulatorial, quando possível, a pessoa portadora de deficiência.

Como posso agir diante desses crimes?
Você pode se dirigir a uma delegacia de polícia ou ao Ministério Público.

Contatos que não podem faltar em sua agenda:

CAPAZ – Centro de Atendimento Profissional de A a Z para Pessoas Portadoras de Deficiência e Idosos
Rua Carlos Gomes, s/nº, Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3329-8789 / 3329-0948
capaz@setras.ba.org.br

Cocas – Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador
Rua da Mouraria, 74, Nazaré, Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3321-4808
cocas_civil@ig.com.br

Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Portadora com Deficiência (Coede)
Secretaria da Justiça e Direitos Humanos
Centro Administrativo da Bahia, 4ª Avenida, Plataforma VI, nº 400, Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3115-8398
coede@sjdh.ba.gov.br

Coordenadoria Municipal de Atenção à Pessoa com Deficiência (Coap)
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes)
Praça da Sé, Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3322-5529
codef@salvador.ba.gov.br

Defensoria Pública do Estado da Bahia
Rua Pedro Lessa, s/nº, Canela, Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3336-5507 / 2073

Ministério Público do Trabalho
5ª Região / Bahia
Av. 07 de Setembro, n° 308, Corredor  da Vitória – Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3324-3400/3444

Ministério Público Estadual
Avenida Joana Angélica, nº 1312, Nazaré, Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3103-6400 / 6500
– Cidadania (CAOCI): sala 26
Tel.: (71) 3103-6424 /6814/6405
cidadania@mp.ba.gov.br

Ministério Público Federal
Procuradoria da República no Estado da Bahia – Procuradoria Regional dos
Direitos do Cidadão
Av. Sete de Setembro, n° 2365 – Corredor da Vitória, Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3338-1800 / 1813 / 1818
prdc@prba.mpf.gov.br

OBS: Procure saber o contato da secretaria de Ação Social do seu município, assim como o Ministério Público mais próximo de você.

Centros de reabilitação

Cepred – Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação de Deficiências
Av. ACM, s/nº – Centro de Saúde Prof. José Maria Magalhães Neto (CAS),
Salvador-Bahia; Tel.: (71) 3270-5602 – Fax: 3451-1250
cepred@saude.ba.gov.br

IBR – Instituto Bahiano de Reabilitação
Av. Presidente Vargas, 2947, Ondina, Salvador-Bahia
Tel.: (71) 3336-3155 – Fax: 3336-3068

SARAH
Tel.: 71 – 3206-3333
Av. Tancredo Neves, 2782, Caminho das Árvores – Salvador – BA

 

Clínicas de Fisioterapia (atendimento SUS):

Centro Universitário Jorge Amado
Tel: (71) 3206-8015
Endereço: Avenida Luis Viana, 6775
Paralela – Salvador/BA.

Escola Bahiana de Medicina
Tel: (71) 3276-8227
Endereço:
Av. Dom João VI, 275, Brotas
Salvador – BA

FAFIS
Tel: 75 3425 8000
BR 101 KM 197
CACHOEIRA – BA

Faculdades Integradas da Bahia
Tel: (71) 2107-8319
Endereço:
Rua Xingu, nº 179,
Jardim Atalaia/STIEP
Salvador – BA

Universidade Católica
Tel: (71) 3206-7800
Avenida Prof. Pinto de Aguiar, 2589
Pituaçu,  Salvador / BA

UNIME
Tel: (71) 3378-8900
Av. Luis Tarquínio, 600 , Centro.
Lauro de Freitas – BA

 

 

Vale a pena visitar na internet:

Ministério da Saúde
(Aspectos gerais sobre o funcionamento do SUS, dicas de cuidados com a saúde e informações sobre a lesão medular)
http://portal.saude.gov.br

Ser Lesado
(Curiosidades e Informação sobre Lesão Medular)
http://serlesado.com.br/

Blog do Cadeirante
http://blogdocadeirante.blogspot.com/

Mão na Roda
(Guia de sobrevivência do cadeirante cidadão)
http://maonarodablog.com.br/

Sarah
Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação
http://www.sarah.br

Cadeira Voadora
http://cadeiravoadora.blogspot.com/

 

Esse material foi organizado pelos profissionais Raoni Rodrigues (fisioterapeuta), Vanessa Pimenta (fisioterapeuta), Yulle Dantas (psicóloga) e o ex paciente Mateus Franklin.

Contudo, contamos com a preciosa participação de toda a equipe do setor com agradecimentos especiais à Rita Sampaio (nutricionista), Maria José e Fabiane do Carmo (enfermeiras), Andréa e Soraya (terapeutas ocupacionais), Fabíola Godim (psicóloga), Anya e Lorena (diretoria). E não podemos deixar de agradecer a todos os pacientes que por aqui passaram.

Referências:

ANJOS, L. D. Dos. Atendimentos Psicológicos ao Paciente Lesado Medular no Hospital de Medicina do Aparelho Locomotor/HMAL. Brasília: HAL, 1991. in Romano, Belkiss, W. A Prática da Psicologia nos Hospitais. Editora: Cengage Learning, 2002, 188pp.

BRASIL, Previdência Social. Disponível em: http://www.previdencia.gov.br/
Acesso em 16/04/2011

http://www.coluna.com/osteologia-coluna.html (imagem da coluna)
Acesso em 16/04/2011

OAB – Guia das Pessoas com Deficiência, 2007. Disponível em: http://www.oabsp.org.br/. Acesso em 10/03/2011.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, http://portal.saude.gov.br, Acesso em 16/04/2011