O Hospital pelo Olhar da Criança

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Atualmente, existem muitas publicações abordando a repercussão nos fatores emocionais decorrente da internação e privação sofridas pela criança hospitalizada. São estudos e pesquisas realizadas por profissionais da área da saúde a partir de pressupostos teóricos e experiências profissionais.
A proposta neste livro é abordar a hospitalização de crianças e adolescentes a partir da visão e percepção dos próprios pacientes. É um olhar da criança e não sobre ela.
Organizado pelo Serviço de Terapia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, apresenta uma coletânea de frases, reunidas de forma natural e espontânea, e de imagens fotográficas produzidas pelas próprias crianças internadas.
Ter os ouvidos atentos para escutar o que a criança diz e perceber como ela compreende e sente os processos que envolvem a hospitalização é dar a ela o direito de ser a protagonista de sua doença, de sua dor, de sua história; é reconhecer que cada criança é capaz de saber e dizer qual o significado da sua enfermidade e do momento que está vivenciando no hospital, suas restrições e possibilidades.
Sabe-se que é difícil traduzir em palavras os gestos, as indagações e as demonstrações de tristeza e alegria demonstradas pelas crianças. Mesmo assim, foi possível perceber em suas palavras várias expressões verbais sutis, ao mesmo tempo questionadoras, engraçadas e marotas, retratando a realidade por elas vivenciada, tudo isso de forma simples, poética e irreverente. Expressões que sensibilizam e fazem pensar o quanto a criança deve ser ouvida, respeitada e acolhida.
O Hospital pelo Olhar da Criança é uma obra que oferece aos profissionais de saúde subsídios importantes para que ele possa compreender melhor o universo da criança hospitalizada, em busca de uma assistência cada vez mais sensível, consciente e principalmente, humanizada.
 
A seguir algumas frases contidas no livro:
– A primeira coisa que vou fazer quando chegar lá em casa é ver meu cachorro ‘Chocolate’, eu não esqueci dele, será que ele vai lembrar de mim? Valéria (11 anos)
 
“O hospital é importante. Ele ajuda as crianças. A Dra. Nádia, da Reumato, me ajudou muito. Ela falava coisas bonitas, pra eu não me preocupar porque tudo iria correr bem. Quando eu fui pra UTI eu pensava que ia morrer, meu rim parou. Eu pedi pra Deus me ajudar e eu acho que Ele me ouviu.” Ana Paula (13 anos)
 
“O hospital é bonito, mas tinham que pintar ele de amarelo. Aí iria mudar as aparências. A cama do hospital é boa, mas eu gosto mais a da minha casa.” Ronaldo (14 anos)
 
“Há duas coisas que eu preciso pra viver: lápis para olhos e insulina; primeiro o lápis… depois a insulina.” Aline (15 anos)