Atividades de extensão acadêmica na formação de profissionais de saúde – PROEXT/2011

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Durante a formação dos profissionais de saúde na maioria das atividades não há atividades interdisciplinares, e essas atividades são restritas à formação técnica/acadêmica na faculdade com atividades práticas em hospitais e eventualmente em unidades de saúde na região (município/bairro) da faculdade em centros que organizados para receber os alunos. Essa organização tende a mascarar a realidade, uma vez que esses serviços têm a supervisão de professores e discutidores, os quais otimizam o serviço.

Com isso, o aluno tende a desenvolver uma visão restrita da situação da saúde do Brasil com pequena capacidade de relativizar os problemas dos usuários conforme a sua região além de não desenvolver as competências para trabalhar em equipe.

Uma solução para esse tipo de deficiência na formação desses alunos são programas de extensão acadêmica que ofereçam atividades multidisciplinares em serviços de saúde diferentes daqueles usualmente frequentados pelos alunos.  Esses projetos contribuem para formação em diversos aspectos (acadêmico, interpessoal, social e pessoal).
Entre os benefícios que os alunos podem ter, destacam-se:

• Multidisciplinaridade
Ao entrar em contato com o cotidiano da equipe de saúde de um serviço, o aluno é exposto às atividades regulares deste, as quais são realizadas por diversos profissionais interagindo para responder às demandas dos usuários. Essa exposição à organicidade multidisciplinar estimula o estudante a valorizar e a desenvolver as competências para o trabalho em equipe.
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• Diversidade regional
Realizar atividades em centros distintos dos usualmente atendidos apresenta ao estudante a diversidade social e cultural da população brasileira, o que pode desenvolver ao mesmo tempo (1) uma maior sensibilidade para identificar fatores sócio/culturais que  interferem na identificação da demanda bem como na escolha do método para sua resolução e (2) identificar e relativizar as problemáticas regionais que cada centro de saúde tem.
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• Avaliação da necessidade e disponibilidade de recursos
Os recursos (físicos e humanos) disponíveis para o atendimento em serviços de saúde vinculados a instituições de ensino tendem a ser maiores do que a média disponível na rede pública, com isso os alunos podem tornar-se dependentes e pouco flexíveis.
Ao participarem de atividades em serviços de saúde com poucos recursos os alunos desenvolvem um senso crítico em relação a quanto realmente é necessário para oferecer um serviço de saúde de qualidade, seja para se desvincular do supérfluo ou para motivar o engajamento político buscando que esses recursos sejam disponibilizados.
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• Flexibilização da técnica
Durante a formação, os procedimentos e protocolos padrões são altamente reforçados, uma vez que esses já foram validados para a aplicação de forma populacional e estão estruturados de forma didática.
Entretanto, no cotidiano dos serviços de saúde há diversas situações em que essas metodologias não se encaixam na realidade do usuário, sendo necessário agregar procedimentos personalizados para cada usuário e técnicas de medicina integrativa.
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• Desenvolvimento pessoal
Todos, quando expostos a situações fora do usual, questionam suas escolhas e planos futuros. Esse questionamento é especialmente importante para aqueles que estão em processo de formação, pois é por meio dele que (1) o desenvolvimento pessoal é impulsionado, fator indispensável para a apreensão das competências inter-relacionais , as quais são essenciais para todas as profissões da saúde; e (2) definição do tipo de profissional que ele vai querer se tornar é feita.

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Sou aluno do 3 ano do curso de medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina – USP) e estou participando do projeto de extensão acadêmica “MANEJO, PREVENÇÃO E CONTROLE DAS DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS: UMA ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO À SAÚDE E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NO CONTEXTO AMAZÔNICO” – PROEXT/2011. Este projeto é do departamento de Moléstias Infecciosas da FMUSP com supervisão local do Dr Frederico Galante, médico da família de Alter do Chão, Santarém-PA.
Nesse projeto 20 alunos dos cursos de medicina e enfermagem das faculdades USP-São Paulo e UEPA-Santarém trabalharão em conjunto com o prevenção e promoção de saúde, especialmente em doenças infecciosas, durante 1 mês no município de Santarém com foco na UBS de Alter do Chão.