Eu Guerreira negra e ativista

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Cabelo, pele, bunda grande, esse é ponto  social de discussão, nem todos os negros e negras no brasil tem o mesmas caracteristicas e as mesmas preferencias somos diferentes uns dos outros e pensamos , militamos e amamos cada um do jeitinho todo seu…

Não é o que eu preciso falar para vocês , Por:

35 anos, mamífera, mãe de três filhos, ativista de parto humanizado, direitos civis, feminismo e direitos sexuais e reprodutivos.-https://blogueirasnegras.org/2013/10/04/parto-humanizado-sus/

Esse tema pode, a princípio, não despertar interesse de muitas pessoas, mas há muito no que pensar, especialmente quando se trata de direitos sexuais e reprodutivos no sistema de saúde, que atende basicamente pardas e negras de baixa renda e com pouca ou nenhuma  escolaridade. Mulheres com melhor grau sócio-econômico  estão na sua maioria sendo atendidas no setor privado ou saúde suplementar.

É preciso ter em mente que só se nasce uma vez, e o mais lógico e justo é que o momento do parto e/ou nascimento seja cercado de cuidados e respeito.  Para a mulher que gesta, informação sobre as opções fará diferença na escolha e tomada de decisão. Nem todas as mulheres, ainda que tenham informação, poderão contar com assistência da equipe que escolheu, muitas não terão acesso ao local de parto de sua escolha, e  não  tendo  acesso a informação, não saberão que é um direito escolher o local e o tipo de parto. A série de reportagens “Dores do Parto”, e o projeto  “1:4 Retratos da Violência Obstétrica”,  mostram claramente de que forma as mulheres têm sido violentadas em seus partos.

Com esses dados, quero mostrar que a violência é real, ela existe, principalmente quando se trata de sistema de saúde pública. Sistema esse que atende, na grande maioria, mulheres negras e pobres, adolescentes que  não tiveram acesso a educação sexual e planejamento familiar, com pouca ou nenhuma informação. Estas, sim, têm seus direitos desrespeitados, são facilmente coagidas e reféns da instituição, não reconhecem a violência, aceitando-a  por acreditar que é assim que deve ser, e não sabem que podem e devem reclamar seus direitos.

Temos ouvido falar de Parto Humanizado no SUS já há algum tempo, na Lei do Acompanhante, na Rede Cegonha, mas na prática nenhuma dessas ações funciona efetivamente, e quando funcionam, a pessoa atendida acredita que lhe foi feito um favor, pois não conhece seus direitos legais como cidadão e contribuinte.

Parto Humanizado, ao contrário do que muita gente pensa, não é ter música ambiente e/ou pouca luz no momento do parto, mas um conjunto de ações que visa um parto satisfatório, no qual a mulher e o bebê são os protagonistas, onde a atenção e os cuidados estão totalmente voltados para o binômio (mãe e filho), e não centrados no médico e instituição. Então, para humanizar parto e nascimento, não carece somente instituição e obstetra/obstetriz, ou enfermeira obstétrica ( conhecidas como Parteiras Urbanas) mas passa também pelo direito de escolha do local de parto segundo a OMS.