Funcionários de saúde se descontraem e contam suas histórias na tenda do conto

13 votos

Esta é a  reportagem publicada no Dia 30/10/2009 no Jornal Correio da Tarde

    Entre tantos desafios, a humanização do Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos principais. O projeto Tenda do Conto colabora há três anos para a realização desse objetivo, de modo que disponibiliza um espaço para os usuários da rede municipal de saúde contarem suas experiências pessoais.

    Essa foi a primeira vez que a iniciativa se direcionou para profissionais e gestores da rede municipal. Tradicionalmente, a Tenda é armada na área de lazer do Panatis e reúne cerca de 70 usuários do SUS a cada duas semanas. “Para participar, as pessoas recebem um convite em casa. Elas devem trazer um objeto que marcou a história da sua vida. No dia elas sentam numa cadeira de balanço no centro da Tenda e contam a história”, explicou a enfermeira Jaqueline Abrantes Gadelha, uma das idealizadoras do projeto.

    A regra seguida à risca na Tenda do Conto é ouvir. Segundo a responsável, o tempo de fala das participantes não é limitado. “Isso é bom porque o contato com o grupo reforça a identidade do indivíduo”, justificou.

    Geralmente o público é composto por idosos com hipertensão, diabetes e doenças relacionadas à idade. “Mas alguns jovens acabam indo também para acompanhar o seu parente”, acrescentou. Em todas as edições há quem doe objetos para a Tenda.

    O Fórum Municipal Humaniza SUS é o evento que proporcionou a Tenda do Conto para os servidores da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) na manhã de hoje. De acordo com a integrante do grupo articulador da política nacional de humanização do SUS no município, Rosana Moura, o projeto segue perfeitamente os princípios para conferir mais humanidade ao serviço de saúde.

    Nessa oportunidade os funcionários deveriam relatar a história de um momento marcante de sua vida, que não necessariamente tenha relação com o exercício profissional. “Eles vão olhar para tudo que a gente trouxe e com certeza vão se identificar com alguma coisa”, disse Jaqueline Abrantes.

    Dentre os objetos que compunham o cenário havia bonecas de pano, um aparelho de rádio antigo e um ferro de passar a carvão. Todos eles foram doados por outros participantes do projeto. “Cada objeto revela uma história especial. Algumas pessoas mostram as dificuldades da vida, outros relembram momentos felizes”, comentou.

    Além de atuar na zona Norte da cidade, a Tenda do Conto também levou esse momento de terapia de grupos para o Hospital Walfredo Gurgel e até o Hospital Psiquiátrico João Machado. Conforme a idealizadora, a atividade foi muito bem recebida nesses lugares.

    Profissionais de todas as categorias estavam presentes hoje pela manhã no prédio Ducal, sede da SMS. A agente de saúde Amanda do Nascimento Correia se surpreendeu com a montagem do lugar, embora a tenda, propriamente dita, não tenha sido montada. Antes mesmo de começar as participações, ela se identificou com utensílios expostos no auditório. “Eu já tive em casa as toalhas de mesa feitas de fuxico e as porcelanas. Minha cunhada era quem costurava as toalhas”, relembrou.

http://www.correiodatarde.com.br/editorias/correio_natal-49146v