Renata Marassi nos Percursos Formativos da RAPS – Intercâmbio Joinville/Santo André

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Há pouco mais de um ano estou interagindo na RedeHumanizaSUS, e se no mundo lá fora encontramos por vezes, pessoas que não acreditam no SUS, enxergando a vida em cinquenta tons de cinza, completo a minha 50ª postagem neste blog trazendo várias experiências exitosas da saúde mental em Joinvile-SC.

Essa é uma postagem mais do que especial, afinal participo do processo seletivo que escolherá o novo comunicador da PNH. Poderia escrever sobre muitas coisas, mas escolhi novamente a saúde mental… que diversas vitórias e alegrias  já me trouxe, tanto no CiberespaSUS, quanto no mundo real.

Nosso ponto de partida reside no conceito de que “Humanizar a assistência (e gestão) da saúde é dar lugar não só à palavra do usuário como também à palavra do profissional  de forma que tanto um quanto outro possam fazer parte de uma rede de diálogo.”  fonte: http://www.humanizasaude.rs.gov.br/site/artigos/manual

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(arte criada pelo Terapeuta Ocupacional André Nunes)

Entre os meses de Julho e Agosto deste ano, a Terapeuta Ocupacional Renata Marassi, foi escolhida para trilhar os  “Percursos Formativos da RAPS – uma experiência de intercâmbio entre Joinville-SC e Santo André-SP.

Confiram a seguir uma entrevista onde Renata apresenta maiores detalhes dessa  vivência.

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Renata Marassi- Arquivo Pessoal

Raphael= Como você se sentiu integrando a primeira dupla de profissionais de Joinville a empreender essa viagem?

Renata= Me senti privilegiada em fazer parte do time de profissionais que está participando do intercâmbio, e ter iniciado este desafio com a Anarilda foi muito gratificante. Os dias que passamos juntas nos aproximou muito no apoio mútuo, especialmente nos momentos de dificuldade por estarmos tanto tempo longe dos familiares.

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 (no centro da foto: Anarilda Mendes e Renata Marassi)

Raphael=Havia um roteiro de atividades diárias ou semanais pré-estabelecido?

Renata= Sim, todos os integrantes do intercâmbio participaram da construção deste roteiro nos dias iniciais. Nosso grupo foi composto por 21 pessoas de 11 municípios do país com experiências e atuações diversas na área da saúde. Organizamos o cronograma de modo a intercalar as atividades diariamente em todos os serviços da RAPS Santo André – SP. O intercâmbio contemplou 160 horas de atividades de formação, atividades de campo e preceptoria, além das atividades extras nos finais de semana como a Feira da Economia Solidária – Ecosol , a Copa da Inclusão, o encontro de familiares, entre outros…

Raphael= Você foi bem acolhida pelos profissionais em saúde mental de Santo André-SP?

Renata=Fomos muito bem recebidos pelos trabalhadores de Santo André, principalmente pelos coordenadores dos serviços de referência que atuaram também como preceptores no intercâmbio. Justamente nos momentos de preceptoria tivemos uma aproximação grande nas trocas de experiências das diferentes realidades do grupo.

(Beatriz Barreiros de Santo André, define o que são os percursos formativos ao Viramundo)

 

Raphael=Qual foi a experiência que mais te marcou nesse período de vivências no intercâmbio?

Renata=A experiência que mais me marcou foi a participação junto à equipe do CAPS III no programa “Ação Saúde” em Paranapiacaba, região muito afastada do município. Por existir grande dificuldade da população deslocar-se para a área do CAPS III, pensou-se na estratégia da atividade no território para assegurar os cuidados em saúde mental da população, o que culminou na criação do CAPS itinerante. Com a experiência, entendemos o quanto ações como esta são importantes para a garantia de promoção de saúde à população mais vulnerável.

Raphael=Quais são os principais desafios que você percebeu nos serviços que visitou?

Renata=Os desafios observados não são muito diferentes dos encontrados em Joinville e nos demais municípios do país. Contudo, acredito que os desafios atuais da RAPS Santo André referem-se ao fortalecimento do apoio matricial como estratégia para a parceria com a Atenção Básica.

Raphael=Como surgiu a ideia de criar um grupo no facebook relatando essa experiência? Você acredita que mídias sociais, blogs e sites são importantes ferramentas para a disseminação da informação em defesa da reforma psiquiátrica?

Renata=A ideia de criar o grupo surgiu do grande desejo de compartilhar as novidades com os colegas profissionais de Joinville, e especialmente criar um canal de contato agregando aqueles que ainda participarão do intercâmbio. Acredito sim que as mídias sociais são um potencial instrumento para a troca de informação e aproximação das pessoas. Com o grupo pude dialogar com profissionais que tenho pouco contato no dia a dia e também estreitar os laços com as pessoas maravilhosas que conheci no intercâmbio.

Acompanhe o Grupo Percursos Formativos na RAPS – intercâmbio Joinville / Santo André no facebook lá você vai encontrar fotos e vídeos dessa rica experiência que só está começando.

Raphael=Tem alguma coisa que você gostaria de destacar e eu não perguntei?

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Renata= Gostaria de registrar a importância do intercâmbio como estratégia para a qualificação das Redes de Atenção Psicossocial de todo o país.  Acredito que as transformações necessárias serão mais potentes pela oportunidade de se vivenciar as rotinas de uma RAPS que é referência nacional. Aproveito o espaço para agradecer o apoio da grande parceira Anarilda Mendes, e as coordenadoras Ana Lúcia Alves Urbanski, Anelise Dallagnolo, Sandra Lúcia Vitorino, equipe CAPS III Dê-Lírios e todos os novos parceiros da RAPS Santo André e de todo intercâmbio.Pioneiros dos Percursos Formativos em Santo André, para sempre em meu heart.E como parafraseou nossa querida preceptora Daisy:

“Arriscar-se é perder o pé por algum tempo. Não arriscar é perder a vida…”

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Obrigado por dialogar comigo Renata!

Raphael