Conhecendo um pouco do Livro: Sobre a Morte e o Morrer, de Elizabeth Kübler Ross

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Christian Souza de Araújo

 

Inaugurando minhas publicações aqui no Redehumanizasus, gostaria de dizer que é muito gratificante a mim estar contribuindo para um SUS de qualidade a todos. Acadêmico de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, sinto me provocado explanar mais que a gestão, mais que o planejamento. Venho ressaltar o jeito humano de ser, é com esse texto que começo minhas publicações, obrigado.

Vamos falar sobre a morte e o morrer. Sobre a Morte e o Morrer é um livro da Psiquiatra suíça Elisabeth Kübler Ross, que atuou na área da Tanatologia por muitos anos. Pesquisadora, fez inúmeras entrevistas com pacientes em fases terminais para melhor compreender essa realidade presente na vida de todo ser humano. Publicado em 1969, o primeiro livro que viria a completar o rico trabalho desenvolvido por Ross, analisando a fase terminal da vida de muitos pacientes.

Ross em seu livro sobre a morte e o morrer, explora como os pacientes em fase terminal reagem à aproximação da morte. Com mais de duzentos pacientes entrevistados no seu trabalho. Ross consegue classificar essa aproximação em diferentes estágios de acordo com uma ordem: negação; isolamento; raiva; barganha; depressão; aceitação e esperança, que cada um passa a sua maneira antes da hora final.

Com transcrições de entrevistas disponíveis, no próprio livro a autora vai analisando uma a uma de acordo com o estágio que o paciente se encontra e vai construindo como é a visão do paciente, dos profissionais de saúde e principalmente da família, a respeito do momento final. Assunto que como ela mesma cita como sendo “tabu” entre as pessoas que lidam diariamente com esses pacientes.  Tabu esse que é esconder, evitar se falar de assuntos fúnebres com a pessoa que se encontra em estagio final por medo de agravar ainda mais seu estado de saúde.

Ross mostra o quão o conhecimento a priori está enraizado em nossas mentes, de “achar que isso é melhor ou não para aquela pessoa” sem antes conversar com a mesma. Será que é tão difícil assim informar uma pessoa do seu real estado de saúde? Ponhamos na balança se é melhor ela não saber e ficar cogitando ideias do que têm, e morrer na dúvida, ou então saber no seu direito, de que a morte se aproxima e trabalhar uma esperança, lutar para reverter esse jogo incerto caso não,  talvez morrer certa e conformada de que fez o possível e aceitar seu fim dignamente? Convenhamos pessoal, não sabemos, mas Ross através da tanatologia nos dá o melhor meio de informar o indivíduo de sua situação e propor meios de auxilia-lo nas suas escolhas.

O empoderamento do paciente em relatar sua situação à Ross e sua equipe, mostra o quão estão a par da sua realidade e de falar sobre a morte e o morrer. Mas muitas vezes o conhecimento a priori da família e dos profissionais de saúde de acharem o que é certo e errado lhes limitam sua autonomia, e causam seu definhamento aos poucos, vendo que muito poderia ser feito ainda se todos que ali participaram tivessem lhe ouvido e conversado. Conversa essa que pode minimizar muitos sofrimentos contidos por esses pacientes, as vezes muitos querem dizer o que sentem o que pensam, mas a família e/ou profissionais acham que estão delirando por conta do estágio final. Ross relata sobre alguns pacientes que após terem a conversa com a equipe e falarem o que sentiam a respeito da morte e do morrer, se sentiam melhor e mais leve consigo e com os outros.

Portanto Ross soube dar a voz a quem precisava falar, soube dar os olhos a quem precisava ver, soube dar ouvidos a quem precisava ouvir, metaforicamente falando. Mostrou o papel crucial dos capelães que estão em contato quase que direto com pacientes assim, clérigos de grande valia nas suas entrevistas. Analisou um assunto tão polêmico à época e mostrou que nada tinha de “cabuloso”, mas de falta de interpretações.

Recomendo essa leitura a todas as pessoas que desejam conhecer mais sobre a morte e o morrer. Principalmente aos profissionais de saúde que buscam meios de promover o bem-estar de seus usuários. A tanatologia sem tabus e pública, seu legado.

 

REFERÊNCIAS:

 

ROSS. Elizabeth. Kübler. Sobre a Morte e o Morrer. 3° Tiragem. São Paulo: Wmf Martins Fontes, 296p.