Visita ampliada na Unidade de Terapia Intensiva Adulto do HU-UFGD

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Há cerca de um ano iniciamos experiências de visita ampliada e de aproximações dos familiares de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto do Hospital Universitário da Grande Dourados (HU-UFGD). A potência e a importância dessa aproximação para a recuperação do paciente vem sendo reconhecida progressivamente por toda a equipe e cada dia mais, este espaço está sendo garantido e ampliado. 

A UTI do HU-UFGD, atende a macrorregião de Dourados-MS.  Possui 14 leitos ocupados, majoritariamente, por pacientes com doenças crônico-degenerativas e portanto, que têm internações prolongadas. Enfermagem, Medicina, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Odontologia e Farmácia são profissões que integram o cuidado e que são parceiros nesta iniciativa contribuindo para que, cada vez mais, os familiares estejam presentes na rotina de cuidados da UTI.

Atualmente, a visita ampliada é ofertada para pacientes conscientes, incapacitados de forma permanente ou temporária. Os acompanhantes dos pacientes chegam às 09:00 da manhã, permanecem até meio dia; retornam 14:30 e permanecem até 20:00 horas, conforme disponibilidade dos familiares. Sem a visita ampliada, o contato da família fica restrito ao horário de visitas, que são dois horários com meia hora cada, totalizando uma hora por dia. 

A psicóloga do setor contribui preparando os familiares para a permanência na unidade, já que o ambiente de uma UTI é complexo e permeado por intensidades. A orientação psicológico oportuniza o trabalho psíquico da relação da pessoa com o adoecimento do familiar e com as incapacidades geradas pela hospitalização.

Os benefícios desta ação são notados pela família e equipe. Os familiares têm maior potencial para controle emocional e do Delirium, doença muito comum em paciente com longa permanência em UTI, o que sempre foi um grande desafio para a equipe multiprofissional. Anteriormente, o tratamento do Delirium era centrado no medicamento, não considerando o contexto psicossocial do paciente. Além disso, a orientação espaço-temporal do paciente acompanhado pela família fica menos comprometida.

Sabemos que há outros ajustes que precisam ser desenvolvidos, para que tornemos a UTI mais humanizada e para que sejamos mais efetivos no cuidado integral do paciente em estado crítico. O nosso desafio é grande, queremos o intensivismo no tratamento e no cuidado, nas relações interpessoais, emocionais e sociais. Estamos caminhando progressivamente para uma assistência integral e resolutiva ao usuário do SUS, na garantia um espaço terapêutico multiprofissional e interpessoal, com oportunidade da participação social. 

 

Autores: Francyelle Marques de Lima – Psicóloga

                Tiago Amador Correia – Enfermeiro