A vida de Ivan Ilitch

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A respeito da vida de Ivan Ilitch – dos eventos que preenchem a vida, como está escrito em certa parte desse pequeno grande livro – pode-se dizer que há sim um engano, como ele suspeita cada vez mais enquanto sua doença se agrava.

O fato é que enquanto vivia sua vida comum (não no sentido econômico ou social, mas no sentido de ser o curso biológico da existência de um ser humano) Ivan não se deu conta, mais precisamente, fez de tudo para não enxergar, que estar vivendo sempre foi estar morrendo.

Ao viver em fuga, escondendo-se em ilusões e preconceitos sociais, perdeu a intensidade de viver. Fez isso para existir com o máximo de conforto e tranquilidade segundo os valores de seu tempo.

No entanto a ideia de conforto, paz e felicidade de Ivan Ilitch não é Alegre. Ele evita todos os dias, de todas as formas perceber a condição trágica da existência. E nisso perde a alegria intensa de existir, em troca de ilusões sobre segurança e estabilidade ascendente.

Quando a morte acaba, no mesmo instante em que a vida acaba, fica claro que uma vida gasta em se iludir, supondo uma distância entre a vida e a morte é, paradoxalmente, morrer constantemente, o tempo todo.

Tudo termina bem para Ivan Ilitch, embora por toda sua vida tudo tivesse estado, do pior modo, a apodrecer suavemente.