Acadêmicos Médicos discutem violência sexual no ambiente escolar, no território de uma ESF de SP.

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Estudantes do Curso Médico da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) são inseridos, desde o primeiro termo da Graduação, em sete Estratégias Saúde da Família (ESFs) localizadas nos Municípios de Presidente Prudente e Álvares Machado, no interior de SP. Os Facilitadores estimulam a criação de Planos de Ação, a serem desenvolvidos no território ligado às ESFs, de acordo com a Epidemiologia local. Um dos planos criados pelos acadêmicos do Curso Médico esteve relacionado à prevenção contra a violência sexual no ambiente escolar. Os Acadêmicos mostraram para os adolescentes, escolares da Rede Municipal de Educação, que no Brasil, as mortes femininas por agressão no período de 1980 até 2013, passaram de 2,3/100.000 para 4,8/100.000, representando um aumento de mais de 100% no período. Consideraram que as frequências de mortes são maiores em regiões onde há elevada mortalidade masculina por agressão, mostrando que locais violentos para os homens também o são para as mulheres. Após a Roda de Conversa, os acadêmicos se reuniram para avaliar a ação desenvolvida com os adolescentes. Os Facilitadores consideraram que, nos anos 2000, vários países latino-americanos elaboraram leis específicas em relação aos homicídios de mulheres e no Brasil, em 2015, o feminicídio foi tema de lei sancionada, que passou a considerar a questão de gênero como circunstância qualificadora. Os docentes consideraram também que, embora a vigência da lei seja muito recente para ser avaliada, a banalização dos crimes de gênero aponta para a necessidade de monitorar a sua aplicação, para que haja ações mais eficientes para a prevenção e a punição destes crimes. Estudantes entenderam que os
Sistemas judiciários podem ser considerados classistas e refratários à questão de gênero, entendendo que o fato de haver leis não implica necessariamente no seu cumprimento. Facilitadores ainda consideraram que no Brasil, o sistema judiciário mostra-se, de certa maneira refratário, atribuindo dificuldade para classificação dos feminicídios, embora saibamos que a “igualdade de todos perante a lei” é um mito e as mulheres, principalmente pobres e negras, não são tratadas com equidade, de modo que muitos feminicídios não são sequer investigados e ainda há julgamento moral e revitimização das vítimas nos discursos jurídicos, ao se justificar o crime passional, disfarçado em “estado de violenta emoção”.
Os Acadêmicos também trataram, com os adolescentes, de assuntos relacionados à prevenção de Doenças Sexualmente Transmissiveis (DSTs) e prevenção de gravidez na adolescência, a partir de perguntas feitas pelos escolares.
Os participantes consideraram como positiva a ação de Promoção à Saúde, desenvolvida no território adscrito à ESF.

Referências:
Gênero, direitos sexuais e suas implicações na saúde.
Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/controle_doencas_sexualmente_transmissiveis.pdf
Acesso em 24 02 2019, às 17h 47min.