Autonomia do paciente no tratamento de tuberculose

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A tuberculose é um grave problema de saúde pública, em 2017 foram registrados no Brasil 69.569 novos casos e em 2016, 4.426 óbitos causados pela doença. Por vezes os óbitos acontecem pela inefetividade do tratamento devido ao abandono do mesmo, no qual, dados demonstraram um percentual de 5% de abandono da terapêutica, desta forma, com o objetivo de melhorar a qualidade na intervenção e obter uma maior cobertura na busca pela cura a tuberculose, é oferecido o Tratamento Diretamente Observado (TDO) em unidades de saúde.

Considerando que você assumiu a responsabilidade de uma Unidade Básica de Saúde, e se depara com o caso de um paciente de 24 anos, portador de tuberculose que anteriormente iniciou o tratamento para a patologia e antes do término, abandonou o mesmo. Tempos depois, o mesmo jovem retornou à unidade para reiniciar o tratamento e novamente interrompeu antes da conclusão. Então você decide fazer uma busca no histórico de casos da doença na comunidade a qual a UBS está inserida, e assim nota que alguns pacientes com tuberculose têm grau de parentesco com o referido usuário. Ao localiza-lo, buscou entender os motivos para a interrupção da terapia, o mesmo relata dores abdominais (reações adversas ao medicamento) ao fazer o uso do medicamento e isto interferia na sua rotina laboral, além do preconceito sofrido por outras pessoas ao descobrirem que o paciente é portador da doença. Como se sentia bem, decidiu que não faria mais nenhum tipo de tratamento.

Então, você se depara com as seguintes questões: Se o paciente tem autonomia para decidir sobre sua saúde, você apenas aceita sua vontade de não realizar o tratamento?

Porém, se fizer isso você colocará em risco a saúde de outras pessoas. O que fazer?

Apesar do princípio da autonomia dar liberdade a pessoa para decidir sobre sua condição de vida, ela deve ser considerada desde que não gere dor ou sofrimento para outros indivíduos. O paciente teve um convívio social afetado e qualidade de vida comprometida devido aos efeitos colaterais causados pela medicação, logo, seria necessária uma intervenção, de toda a equipe multiprofissional. Ele não poderia ser obrigado a fazer o tratamento, porém, o acolhimento, a criação de um vínculo com o paciente e o processo de educação em saúde, talvez o sensibilizasse sobre a importância do tratamento e facilitasse sua adesão.

É possível notar também a importância de uma gestão mais participativa e efetiva para um melhor desempenho da terapêutica. Orientações sobre os medicamentos, informações sobre a doença, ênfase no autocuidado, discussão multiprofissional de casos da comunidade, fazem a diferença em todo e qualquer tratamento.

Referências complementares: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_recomendacoes_controle_tuberculose_brasil.pdf

http://www.scielo.br/pdf/tce/v16n4/a16v16n4