Experiências de escuta a populações idosas. Como potencializar e ampliar o cuidado.

5votos

Somos alunos do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Como exigência parcial para a disciplina “A Psicologia e a Saúde: pressupostos para a prática profissional”, realizamos uma reflexão e a produção de um material (mostrado nas mídias anexas acima) que pudesse ser compartilhado com a comunidade de saúde.

A proposta da nossa reflexão surgiu a partir do compartilhamento, entre nós, sobre nossas experiências em estágios dentro de instituições de saúde voltadas ao público idoso. O nosso trabalho propõe ser válido a qualquer profissional de saúde que também atue na área.

Tivemos a oportunidade de trabalhar com diferentes tipos de populações idosas, dentro de diferentes contextos institucionais, socioeconômicos, políticos e culturais. A riqueza dessa experiência deve e precisa ser compartilhada para podermos construir, juntos, uma reflexão sobre a nossa atuação profissional.

Atentado às Diretrizes Para o Cuidado da Pessoa Idosa, que propõem um modelo de atenção integral deve ser feito um serviço com capacidade de rever e reorientar as práticas para atender as necessidades específicas dessa população. Isso nos motivou a analisar nossas vivências em instituições dedicadas ao público idoso em busca de informações sobre quais necessidades são estas, para melhor atender a essa população. Foram quatro as instituições de estágio em que ofertamos serviços na cidade de São Paulo, sendo elas um Centro de Acolhida Especial para Idosos, um abrigo, um Centro de Referência e, por fim, um Centro de Convivência.

As diretrizes supracitadas fomentam discussões sobre orientações para o cuidado da pessoa idosa, contribuindo na organização dos atendimentos ofertados. Destacam-se os cuidados no âmbito da saúde física, mental, preventiva, orientação e acompanhamento de doentes crônicos e prevenção e acompanhamento de vítimas de violência, além de prevenção de doenças e autocuidado. Essas necessidades de cuidado têm grande relevância, entretanto percebemos a existência de lacunas que possuem tanta importância quanto os cuidados citados.

Considerando as lacunas entre as necessidades atendidas pelos serviços e programas e as necessidades específicas da população atendida –  já previstas pelas Diretrizes acima citadas -, como pensar em formas de transformar nossa atuação em prol de uma maior aproximação com a particularidade de cada vivência e história de vida?

Entre as principais necessidades dentro das instituições observou-se a de escuta. Quando nos referimos à escuta, falamos tanto da escuta leiga, quanto em seu sentido clínico: a escuta que implica em responsabilidade e transformação da realidade. Um fenômeno importante a ser ressaltado nas instituições de saúde é o movimento de adaptação que o usuário faz para adequar-se às propostas oferecidas, ao invés de os serviços adaptarem-se às diferentes realidades que atravessam seus espaços.

A escuta ocupa esse espaço como possibilidade de voltar-se ao usuário do serviço e, a partir daquilo que já está ofertado, transformar a prática profissional e buscar amenizar as inevitáveis distâncias entre as necessidades gerais formuladas por diretrizes e o contato com o outro e sua realidade única. Além de garantir um dos princípios da rede SUS: o de integralidade, ou seja, considerar o indivíduo como um todo, atendendo assim a todas as suas necessidades, pela integração de ações da área da saúde.

Por fim, buscamos ampliar o cuidado oferecido pelos profissionais de saúde para atender às especificidades da população idosa. Reiteramos que a escuta é um ponto central para acessarmos as maiores necessidades do público. Assim, esse recurso é o que favorece a boa qualidade de nossas intervenções e dos serviços já ofertados, implicando responsabilidade e resolutividade. Enfatizamos também a importância de evitar que o usuário tenha que adaptar-se aos serviços e programas, e pensar em formas criativas de ampliar o nosso contato com o outro para atender também às demandas particulares.

 

Nomes dos alunos:  Bianca Bernardo, Bianca Zaparolli, Cesar Paulicchi, Daniel Kummerow, Gabriela Rodrigues, Julia Ribeiro, Luisa Fontan, Natalia Cardoso

Professores responsáveis: Vera Lúcia Ferreira Mendes, Maria Cecília Roth, Ruth Gelehrter da Costa Lopes