Genocídio, Passaremos?

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Este post seria um comentário ao de Marco Pires, http://redehumanizasus.net/genocidio/, porém, como não conseguia comentar lá, não sei o porquê, resolvi publicá-lo como post mesmo.

Há valores ainda? Quais? Há um cansaço de nossas forças por investidas de uma brutalidade, sempre a mesma, sempre dos mesmos, que tentamos ludibriar, mas há algo em nós que chora, que grita, que nos rasga como panos velhos e que nos faz sentir trapos. De um país que se perdeu de si mesmo, de um povo que tarda em vir, de um esforço supremo que já nem sabemos mais de onde tirar forças.

Os algozes são procurados para falar e, compungidos e formais, falam de algo que não é algo e que enervam nossos corpos e almas e, nos perguntamos, até quando?

Noite escura da alma, escuridão das forças que nos querem vivos e, no entanto, num lampejo, mostram como, sem mais nem porque, somos tirados de uma luta que não é nossa, embora também o seja, porque somos todos peças de uma engrenagem que nos faz mais peças que gente.

Alguém fala de força e de instituições fortes? Quais? Aquelas que eles, com seus atos, nos mostram inequivocamente que não existem sem os seus dedos manipuladores.

Como viver num país que exila seus filhos e se diz pai daquilo que não é nem de perto realizado: há democracia? Há instituições? Há alguma possibilidade de crença, por menor que seja, quando estamos entregues em  mão de facínoras, narcísicos e corruptos?

Basta! Isto é genocídio mesmo Marcos Pires. Tentei comentar no seu post, mas por alguma razão, ele não se encontra aberto para comentários. Tão perfeito ele, que só conseguiria te dizer, estou aqui, embora isto também pareça pouco.

Há uma forma de silenciamento que passa pela manipulação do que a gente grita e que diz que nosso grito é de todos, sem ser de ninguém.

Acho que um pouco deste sentimento de pesar pesado que seu post delata é uma espécie de mortificação, de execução de nossas forças.

Sei que, no fim, viveremos, porque odiamos sobreviver e não desperdiçamos vida.

Mas irmão, me sinto, neste genocídio, também morto, ao menos hoje, na minha capacidade de acreditar que esta escuridão será outra coisa que não uma escuridão maior.

Triste país em que nos transformamos, triste forças que resistem, porque, no final, tudo parece apontar para uma catástrofe em andamento da qual só nos resta passar por.

Passaremos…