Marcos da Saúde Mental no Século XVIII

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Século XVIII ainda temos a monarquia como sistema de governo na Europa e com isso países como o Brasil seguiam sendo colônias. Nesse período tivemos algumas Revoluções importantes como a Industrial Inglesa e Francesa. A Revolução Francesa que surgiu como um descontentamento da burguesia e cidadãos mais pobres sobre os privilégios da aristocracia, com diretrizes do Iluminismo. Isso ocasionou um maior poder da burguesia em relação ao proletariado. Havia grandes comércios que exploravam os mais pobres, dando um pequeno salário apenas para sobrevivência, temendo o crescimento material dessa parcela da sociedade. A revolução industrial veio para aumentar ainda mais as desigualdades da época, proletariado não tinha moradia de qualidade ou acesso a saúde ou educação.

Havia um grande movimento para que pudesse haver um determinado comportamento, regras para convívio em sociedade. Por essa predominância burguesa qualquer pessoa fora dos padrões, ou seja, desempregados, moradores de rua e loucos eram internados em instituições objetivando realizar “limpezas nas ruas”. A loucura era qualquer costume considerado errado pelos mais ricos, como por exemplo a homossexualidade e prostituição. Não havia uma maneira correta e científica para as internações ocorrerem até o surgimento da psiquiatria como uma ciência médica.

A psiquiatria tem como base disciplinas teóricas e terapêuticas sobre como o médico na época chamado de alienista, trata a comorbidade considerada como a doença mental e como uma prática que deriva da medicina, tem como finalidade de curá-la por um tratamento físico e moral, nessa época surgiu na França Philippe Pinel com ideias revolucionárias que foram um marco da psiquiatria. Desde sempre a sociedade molda e impõe uma construção social o controle social dos indivíduos, criou-se um estigma em cima dessas pessoas que eram consideradas como perigosas. No século XVIII a uma ascensão a categoria de doença mental, essas pessoas em sofrimento psíquico eram hospitalizadas em diferentes tipos de unidade de tratamento como hospitais gerais, casas de detenção, Santa Casas ou até mesmo prisões domiciliares.

Philippe Pinel nasceu em 20 de abril de 1745, em Saint-André, Tam, França, e faleceu em 25 de outubro de 1826, em Paris. Formou-se em medicina em Toulouse no ano de 1773. Tornou-se um dos mais conhecidos neuropsiquiátricos do mundo. Costuma-se falar de Philippe Pinel como um homem dotado de generosidade incomum à sua época, sem dúvida, foi um revolucionário no método de tratamento dos doentes mentais. Pinel elevou a categoria dos doentes mentais, antes tratados como criminosos ou endemoniados, à condição de homo paciens e essa doença, como resultado de uma exposição excessiva a estresses sociais e psicológicos e, em certa medida, a danos hereditários, sendo que tais enfermidades decorriam de alterações patológicas no cérebro. Com isso, baniu tratamentos antigos tais como sangrias, vômitos, purgações e ventosas, preferindo terapias que incluíssem a aproximação e o contato amigável com o paciente, proporcionando-lhe, um programa de atividades ocupacionais, no qual o tratamento digno e respeitoso foi a tônica.

 

Resenha realizada pelos alunos da Pós Graduação em Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Felipe Gustavo da Fonseca, Gabriela Jerônimo, Thais Cristhine P. P. Ottávio.

 

 

Referências:

1- Müller, AW. Da velha à nova família. Florianópolis:[s.n.], 2009. Disponível em: http://awmueller.com/psicologia/velha-nova-familia.htm.

2- Foucault, M. História da loucura na idade clássica. São Paulo 6° Ed. Perspectiva. 1999.

3- Vieira, ARB. Organização e saber psiquiátrico. Revista de administração de empresas. Rio de Janeiro. 1981; 21(4): 1-10.

4- Outram, D. Panorama of the Enlightenment, ISBN 9780892368617, Getty Publications, 2006 p. 29.