Metodologia de Pesquisa Qualitativa em Ambientes Virtuais

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA CULTURAL

DISCIPLINA: Metodologia de Pesquisa Qualitativa em Ambientes Virtuais

CRÉDITO: 4

CARGA HORÁRIA: 60 HORAS

PROFESSORES: JULIA O’DONNELL E TIAGO COUTINHO

PERÍODO LETIVO: 2018/2 DIA E HORÁRIO: 4ª feira 13:40h – 17h

EMENTA:

Na última década os estudos sobre a internet e seus múltiplos desdobramentos técnicos e sociais saíram da marginalidade dos temas estudados pelas Ciências Sociais e, gradativamente, vem se tornando um campo de estudo especifico com vocabulários e paradigmas próprios. Neste campo de estudos são frequentemente acionadas ideias como “pós-humano”, “cybercultura”, “ciborgue”, “fractalidade”, ou seja, categorias que remetem a uma ruptura, anunciando uma nova era nas ciências humanas. Fala-se em mais uma virada, a metodológica: o mundo dos algoritmos e do big data inaugura uma nova forma de se fazer pesquisa (Rodgers, 2006) e a etnografia passa a receber diversas denominações que remetem a esta ruptura: netnografia, webnografia, dentre outros.

Na tentativa de enriquecer a discussão e propor alternativas para este campo de estudo, o curso tem como objetivo dar ênfase nas continuidades entre as metodologias qualitativas chamadas pelos que advogam por esta ruptura como “tradicionais” e as ferramentas disponíveis para analisar os diferentes ambientes digitais – que vão deste softwares de pesquisa como Nvivo e AtlasIT até ferramentas disponíveis para o manuseio do grande público, como o Google formulário ou Trends, passando pelos sofisticados programas estatísticos do bigdata, como o Gephi ou R.

Longe de ser um oficina sobre as diferentes ferramentas de pesquisa do mundo digital, o curso buscará entender como elas dialogam com as técnicas de pesquisa qualitativa tradicionalmente usadas nas Ciências Sociais. Alguns questionamentos surgem deste ponto de partida: É possível pensar a internet fora da Teoria ator-rede? É possível trabalhar com a ideia de small data? Qual seria sua importância no universo em que predomina o bigdata? Quais as especificidades de uma etnografia conduzida em ambientes virtuais? Tendo em vista que um dos objetivos da disciplina é estabelecer o diálogo com outros pesquisadores, a segunda parte do curso será dedicada à discussão de trabalhos que tem como campo e/ou objeto o mundo digital.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

AULA 1 (15/8) – Apresentação do curso

AULA 2 (22/8) – Os dilemas teóricos da Pesquisa Qualitativa em Ambientes Virtuais Netnografia X Etnografia virtual Bowler, Gary M. “Netnography: A Method Specifically Designed to Study Cultures and Communities Online”, 2010, 6. Machado, Mônica. “A TEORIA DA ANTROPOLOGIA DIGITAL PARA AS HUMANIDADES DIGITAIS”, [s.d.], 7. Mercado, Luis Paulo Leopoldo. “PESQUISA QUALITATIVA ON-LINE UTILIZANDO A ETNOGRAFIA VIRTUAL” 13, no 30 (2012): 15. Miller, Daniel, e Don Slater. “ETNOGRAFIA ON E OFF-LINE: CIBERCAFÉS EM TRINIDAD”. Horizontes Antropológicos, no 21 (2004): 25.

AULA 3 (29/8) – A pesquisa qualitativa: como abordar teoricamente este tipo de pesquisa?

Achutti, Luiz Eduardo Robinson. “CADERNO DE CAMPO DIGITAL – ANTROPOLOGIA EM NOVAS MÍDIAS”. Horizontes Antropológicos, no 21 (2004): 17.

Dornelles, Jonatas. “ANTROPOLOGIA E INTERNET: QUANDO O ‘CAMPO’ É A CIDADE E O COMPUTADOR É A ‘REDE’”. Horizontes Antropológicos, no 21 (2004): 31.

Rifiotis, Theophilos. “Desafios contemporâneos para a antropologia no ciberespaço: O lugar da técnica”. Civitas – Revista de Ciências Sociais 12, no 3 (17 de janeiro de 2013). https://doi.org/10.15448/1984-7289.2012.3.13016.

Segata, Jean. “A ETNOGRAFIA, O CIBERESPAÇO E ALGUMAS CAIXAS PRETAS”, [s.d.], 8.

AULA 4 (5/9) –Cienciometria: Como realizar a busca bibliográfica na era digital

Professor convidado: Antônio Brasil

AULA 5 (12/9) – Técnicas de produção de dados: A relação entre as técnicas da pesquisa qualitativa e as ferramentas do mundo digital

Professora convidada: Suely Deslande

AULA 6 (19/9) – Técnicas de produção de dados: A relação entre as técnicas da pesquisa qualitativva e as ferramentas do mundo digital

AULA 7 (26/9) – Apresentação de trabalhos: O consumo de medicamentos na Era digital

Coutinho, Tiago, Angela Fernandes Esher, e Claudia Garcia Serpa Osorio-de-Castro.

“Mapeando espaços virtuais de informação sobre TDA/H e usos do metilfenidato”. Physis: Revista de Saúde Coletiva 27, no 3 (julho de 2017): 749–69. https://doi.org/10.1590/s0103- 73312017000300019. Esher, Angela, e Tiago Coutinho.

“Uso Racional de Medicamentos, Farmaceuticalização e Usos Do Metilfenidato”. Ciência & Saúde Coletiva 22, no 8 (agosto de 2017): 2571–80. https://doi.org/10.1590/1413-81232017228.08622017.

AULA 8 (3/10) – Técnicas de produção de dados:dos: Programas de extração de dados e visualização (netvizz e Gephi)- Oficina com alunos do LED >> Entrega Pré-projeto

AULA 9 (10/10) – Produção de conteúdo digital  Professora convidada: Karina Kushinir

AULA 10 (17/10) – Ética na pesquisa Virtual. O Conselho de ética e o mundo digital

Professora convidada: Angela Esher

AULA 11(24/10) – Apresentação de trabalhos: Analise dos blogs sobre relatos de câncer.  Professora convidada: Katia Lerner

AULA 12 (31/10) – Apresentação de trabalhos. Os estudos de sexualidade.  Professores convidados: Antônio Pilão e Bruno Zille

AULA 13 (7/11) – Apresentação de trabalhos. Vigilância  Professor convidado: Bruno Cardoso

AULA 14 (14/11) – Apresentação de trabalhos.  Redes sociais

AULA 15 (21/11) – Encerramento Avaliação: Os alunos deverão entregar, ao final do semestre, um projeto de pesquisa baseado nas discussões feitas no decorrer do curso.