Ato Médico??? Por que médico???

Ricardo Pena | qui, 12/11/2009 - 18:05.
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Olá, pessoal!
Vejo um burburinho rolando aqui na rede em relação ao Ato Médico. Mas que ato é esse? E por que tem esse nome? Ato Médico??????????? Quem falou isso?
Sou psicólogo, trabalhei em CAPS por 7 anos, em Unidade Básica de Saúde com Estratégia de Saúde da Família, em Penitenciária... Andei muito nas famosas ambulâncias do SAMU percorrendo a cidade e fazendo atendimentos de urgência à pacientes portadores de transtorno mental grave junto de médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, motoristas, vizinhos, familiares, ou seja, todos os que se envolvessem com a situação em questão. Bati boca na porta de pronto-socorros com aqueles que se recusavam a receber os pacientes por um curto período,  para que esses pudessem ser avaliados pelas equipes dos CAPS das regiões onde moravam no dia seguinte, em virtude de “n” complicações que encontrávamos no funcionamento da rede. Fiz vários Acompanhamentos Terapêuticos com esses pacientes pela cidade, trabalhei com diversos profissionais em várias oficinas terapêuticas dentro ou fora do CAPS, dei banho e comida na boca para muitos pacientes quando foi necessário e nunca precisei afirmar a minha “identidade” de psicólogo ou precisei esfregar o meu CRP na cara de alguém nas muitas vezes em que saí sujo e cansado do serviço por conta do excesso de demanda. Também não me considero herói por causa disso, apesar do baixo salário e da função mais do que generalista que eu cumpria.
É por isso que venho aqui para dizer que a questão do Ato Médico, se fosse simplesmente uma boa discussão sobre o ATO ou o AGIR em SAÚDE, seria muito mais produtiva. Já trabalhei com médicos muito bons e que de fato estavam interessados na potência que reside na relação entre o trabalhador da saúde e o paciente, nesta relação que se transforma no palco das mais variadas possibilidades de intervenções terapêuticas e de invenção da vida, assim como com enfermeiros, técnicos em enfermagem e assistentes sociais que ofereciam uma boa escuta no contato com os usuários. Já me sentei com médicos para fazer oficinas terapêuticas no CAPS, grupos terapêuticos na Penitenciária (e isso era possível sim!), já andei de ônibus com médicos para levar os usuários do CAPS ao cinema, já vi médicos acompanhando usuários à escola no momento da matrícula, já fiz “n” Acompanhamentos Terapêuticos em parceria com os médicos, já os vi organizando a bagunça das casas juntos dos usuários mais comprometidos do serviço, já trabalhei com médicos que despessoalizavam os seus saberes e se faziam repórteres para que a oficina de jornal do CAPS funcionasse, absolutamente adorando o que faziam porque a possibilidade de criação de outros modos de trabalhar na saúde se fazia presente. Já discuti casos de pacientes psicóticos com vários especialistas, pois nas múltiplas conformações delirantes da vida, muitos pacientes se sentiam vigiados e controlados por algo externo aos mesmos, mas de algum modo, localizado em seus corpos. Após exames atenciosos feitos por estes profissionais, pudemos juntos trabalhar com os usuários a aceitação do uso da medicação antipsicótica quando nenhuma outra alteração era constatada. Já vi muitos profissionais se desgarrarem de suas identidades profissionais e quebrarem o corporativismo em si próprios em prol da ampliação da clínica.
Assim, penso que isso é produzir rede, trabalhar em equipe, qualificar o discurso e atuação profissional em sua diversidade, é des-especializar e des-absolutizar os corporativismos que fragmentam o nosso campo de trabalho. É desconstruir verdades em relação aos nossos saberes e produzir novos mundos juntos dos usuários. É deixar a vida e o trabalho mais leves, é levar as sutilezas a sério, é considerar de fato o que é um problema relevante a ser enfrentado, é sair do plano da segurança que uma identidade profissional ilusoriamente nos dá e nos lançar aos desafios e riscos inerentes à produção da vida, pois produzir saúde pode ser sinônimo de produzir vida.
Nunca, em meu percurso profissional, apliquei uma injeção ou fiz um curativo que necessitasse de uma indicação técnica precisa. Nunca prescrevi medicação, mas já me vi , assim como aos meus colegas e como a maioria dos profissionais já se viu um dia, prescrevendo condutas que hoje as classifico mais como morais do que como terapêuticas. Sempre cumpri horário e não culpava a gestão pelos faltosos, mas buscava entender porque o peso do trabalho gerava isso.. Não sou nenhum missionário da saúde e já me vi indignado milhões de vezes com algumas coisas que meus colegas faziam.  Porém, aprendi muito com tudo isso. Mas o maior aprendizado é o da não necessidade de uma “identidade profissional” totalizante, fragmentária e que alavanca lutas por regulamentações desnecessárias, como a que requer o ato médico.
Ato Médico é uma invenção que supostamente daria conta de assegurar a uma parcela da classe médica a sua própria existência, a qual só acontecerá de fato se estiver protocolada e rubricada pelo Senado Federal. Mas existir dependendo da aprovação de uma lei é reduzir a vida aos ditames da burocracia, é buscar legitimidade no escuro e não na experiência da vida, é fugir dos riscos e não experimentá-los com prudência, é conseguir se esconder no claro, é afirmar que a vida só acontece se preenchermos as nossas faltas, como se o papelzinho da aprovação da lei fosse a condição de subsistência do profissional médico, é afirmar o poder pela força, é negar o coletivo como fonte de produção da vida, do trabalho, da saúde, é girar em torno de um falso problema.
Podemos então dedicar atenção a produção do ATO, do ACT, do ACTIO, do agir em saúde, daquele com a qual a maioria dos trabalhadores da saúde está envolvida e trazer à discussão as questões que enfrentamos na produção de redes de cuidado.
Um dos grandes temas que nos rodeia frente às redes de cuidado é o trabalho em equipe. É difícil trabalhar em equipe porque temos que nos deparar não apenas com o sofrimento dos usuários, mas com as dores dos trabalhadores que estão imersos na produção serializada da saúde. Mas tal produção é dolorida também por causa da “exclusão” de alguns grupos profissionais. A enfermagem, p.ex., mesmo sendo dominante nos serviços de saúde é constantemente acusada de ser um entrave para a facilitação da clínica por conta de seus rígidos protocolos e de uma formação voltada para a gestão taylorista dos processos de trabalho. Mas, será que é essa categoria que trava o trabalho? Psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras, quando constituem a equipe de saúde mental de um determinado serviço, são constantemente acusados de serem taxativos e donos da verdade frente ao sofrimento alheio. Quando não são demonizados, são endeuzados porque lidam com problemas que a maioria das equipes não quer chegar perto. Médicos especialistas devem ter agendas abertas para os usuários marcados no dia e dar conta das vagas de urgência. Em que momento eles discutem casos? Além disso, são apontados como MÉDICOS, e não como integrantes das equipes. Médicos especialistas??? Só conseguirão atender daqui há 3 meses! Dá pra ver, apenas por estes pequenos exemplos que a dificuldade não se resume apenas à gestão. A PNH tem como um de seus princípios a inseparabilidade entre gestão e clínica. Sendo assim, como articular a construção da clínica sem excluir dela o componente da gestão? Como fazer para deixar de olhar para as categorias profissionais que “incomodam” como excluídas e vê-las como incluídas no processo de trabalho e nos dizendo alguma coisa sobre este? Isso já não dá uma boa e relevante discussão?
Na clínica, na parceria entre trabalhadores e usuários, todos somos gestores de uma vida em processo, de um sintoma que se concretiza e exige ações. Sendo assim, construir um diagnóstico frente aos sintomas é uma tarefa coletiva. O diagnóstico nos revela o processo de construção de algo que varia em um corpo, que foge da estabilidade e se afirma de modo diferente. Cuidar não significa apenas classificar, aplicar técnicas terapêuticas ou fazer procedimentos. Podemos, ao invés disso, fazer do procedimento um ato coletivo; transformá-lo em ATO; um ato que na transversalidade de saberes na área da saúde pode nos fazer escutar o paciente para além de seus sintomas e nos auxiliar a diagnosticar, orientando trabalhadores e usuários em formas de como lidar com as doenças, sejam elas graves ou crônicas. Mas, fundamentalmente, o diagnóstico não é a certeza da sabedoria do médico ou de qualquer outro profissional e por isso ele deve ser compartilhado, e não privatizado como almeja o ato médico.
E finalizando, para não deixar esse post mais cansativo do que a luta pela aprovação do ato médico, retomo a questão do ato médico como um falso problema. Penso que o pouco que coloquei acima pode nos servir como um respiro no meio deste esmagamento da diversidade de práticas e saberes. Ato médico é sim um falso problema. Se ele, como colocado aqui nesta rede também já foi chamado de “tanto faz”, é fato que ele não precisa existir. E, por ser um falso problema, fazer campanha para que ele se efetue é um desgaste. É um desgaste tão grande que vai gerar rugas. Mas a todos os profissionais médicos e não médicos (mas todos inclusos aqui) e que se desgastam com essa batalha, eu só peço uma coisa: entendam, por favor, que essa ruga é uma marca que a vida deixou em vocês; é a expressão inscrita em vossos corpos da luta pela qual estão implicados. E as marcas que a vida nos imprime quando nos atravessas são sim extremamente valiosas, não devendo ser apagadas. Então, que as marcas sejam valorizadas, e não transformadas em motivos para pequenas intervenções cirúrgicas.
CONTRA O ATO MÉDICO E A FAVOR DO OLHAR PARA A MULTIPLICIDADE DE PRÁTICAS E SABERES NA SAÚDE!
Um grande abraço a tod@s!
Ricardo Sparapan Pena

Comentários

grande !

 

Grande, Ricardo !

Bejos!

Clara

Clara...

Então continuando... E continuando... E continuando... E seguindo em frente! Valeu!

Beijos!

 Ricardo Sparapan Pena

 

Ato Médico

Ricardo, você nem pode imaginar com que alegria li seu texto!

A sua questão é minha também:

Como fazer para deixar de olhar para as categorias profissionais que “incomodam” como excluídas e vê-las como incluídas no processo de trabalho e nos dizendo alguma coisa sobre este? Isso já não dá uma boa e relevante discussão?
Tomara que tenhamos sabedoria e compaixão suficientes para encarar com honestidade esta questão. Os milhares de excelentes acupunturistas que já há tempos atuam em prol da saúde da população brasileira esperam esta abertura.
Um grande abraço,
Magda

 

 

Magda...

Magda, tudo bem?

Essa nossa questão vem produzindo um barulhão em mim faz tempo! E sempre que me pego pensando nisso, me vem o seguinte questionamento:Nós não precisamos realmente de uma militância no SUS a qualquer custo, não é? Uma militância que nos faça profissionais produtores de uma saúde em série e sem capacidade de análise.

Penso que precisamos mesmo é de botar as cartas na mesa e avaliar os nosssos processos por dentro deles, dando visibilidade ao que fazemos e criando um outro discurso que passe a falar daquilo que está incluído, mas que ainda insistimos em dizer que está fora.

Sendo assim, é maravilhoso encontrar pessoas como você e tantas outras, que partilham deste pensamento e valorizam a produção da saúde no coletivo.

Grande abraço!

Ricardo Sparapan Pena

 

Eita Ricardo, vc 'chegou'

Eita Ricardo,

vc 'chegou' lindo e loiro!

fazia tempo q eu não entrava na rede e hj deparo-me
com seu post. nele vc traz a afirmação 'cotidiana' para sairmos de nossas identidadezinhas esteriotipadas, fragmentadas e empobrecidas sejam elas quais forem. sim, a vida não pode ser limitada aos procedimentos circurgicos, psis, clínicos, etc, etc, etc, etc.

gr abraço, Flávia

 

Isso mesmo, Cátia!

É isso mesmo, minha Cátia Flávia!

Chega de dizer amém para aqueles que fazem o querem do trabalho alheio! Se existe um coletivo que induz à formação exaustiva das identidades trancafiadas, esse mesmo coletivo pode derrubá-las e olhá-las de outro modo!

Precisamos de "mais um quê" de transversalidade no corpinho, não acha?

"vamo combiná" que a gente não precisa das mesmas regras do mercado na saúde? Reconhecemos que elas existem, mas os sujeitos que procuram os serviços de saúde jamais encontrarão o bem-estar embalado a vácuo! O que ocorre nos encontros entre trabalhdores da saúde e usuários são ATOS que se processam na singularidade. E, por serem assim, não necesitam de regulamentações que coloquem mais obstáculos à construção de uma vida livre, onde o desejo se expressa nas múltiplas possibilidades de existir, pois nenhum procedimento ou palavra de ordem dá conta de dizer  a alguém o que é certo ou errado para si próprio. Não queremos totalidade, mas sim, possibilidade.

Grande beijo, minha amiga!

Saudades...

Rick

 

Possibilidades de manifestação

        http://www.atomediconao.com.br/

Pessoal, este é mais um link ativo para manifestações contra o ato médico. 

Abraços    

 

Ricardo Sparapan Pena

 

Pela atuação em Equipe e Transdisciplinar

Isa Paula Hamouche Abreu

 Ricardo e demais companheiros (as),

  É importante que aqueles que comungam da idéia de superarmos a fragmentação, o reducionismo e o espírito corporativo na atuação profissional e que estão ajudando a construir uma nova prática de saúde, baseada no trabalho em equipe e na transdisciplinaridade, onde diferentes campos de saber se somam, se potencializam na busca de uma compreensão e solução mais abrangente dos problemas que se apresentam no cotidiano do nosso trabalho, façam chegar até o Congresso Nacional, onde está sendo avaliado o projeto de lei referente  ao "ato médico" este outro olhar sobre como deveria ser a atuação dos profissionais de saúde.  

 

 

 

 

Isa, aí vai um link

Isa, concordo e muito com suas palavras.    

Aqui vai um link por onde várias pessoas estão se manifestando: 

 http://www.crpsp.org.br/crp/midia/atomedico/manifesto.aspx

Em breve, poderemos mandar mensagem pelo site

www.naoaoatomedico.org.br

Abraço

Ricardo Sparapan Pena

 

A favor de uma clínica interdisciplinar com protagonismo

Oi Ricardo,

Muito legal a sua reflexão! Também sou a favor do trabalho em equipe com interdisplinaridade, com autonomia e protagonismo dos profissionais envolvidos, por uma saúde integral e resolutiva, como prevê o SUS. Portanto, digo não a esse ato de privatização da atenção em saúde, em que o médico se apropria do paciente como um todo, indicando a intervenção dos demais profissionais, invadindo assim, a área de competência de cada um, de forma prepotente, transformando-os em sulbalternos dele. Espero que este post produza muitos ecos junto ao nosso Presidente Lula para que ele tome uma decisão sábia em relação a promulgação desse ato.

Um abração!!!

Emília

Pois é...

 Emília,

Penso que já estamos provocando um super barulho com essa nossa maifestação na rede, mas como disse nossa amiga Isa, temos que fazer com que a nossa posição se reverbere ainda mais. Para tanto, coloco aqui o link da página do CRP onde podemos nos mainifestar e, em brve, poderemeos até mandar mensagens.

O link é: http://www.crpsp.org.br/crp/midia/atomedico/manifesto.aspx

Grato pelo carinho e pela parceria

    

  Ricardo Sparapan Pena

 

A favor dos médicos


 Ricardo,

adorei seu post!

Ele é a favor dos médicos que querem exercer uma profissão que é necessariamente "trans e multi" !!!

Um abraço grande,

Esther (te conheci no seminário de Vitória e no seminário nacional da PNH)

 

 

 

Exatamente e muito mais!

Oi, Maria Esther!

Tudo bem?

Este é um post a favor de todos nós, profissionais da saúde, implicados com uma nova leitura so SUS; uma leitura das práticas que nos dizem através do processo de sua construção quais são os caminhos que desenhamos nesta jornada. É só por dentro do processo que combatemos práticas privatizantes e que fazemos a resistência contra estas.

E "vamo que vamo"!

Grande abraço

Ricardo Sparapan Pena

 

ato médico

 Poxa Ricardo lavou nossas almas com seu post, da mesma forma que a colega espero que muitos leiam e reflitam, como trabalhar a PNH com o Ato Médico? vai contra a politica como falaste como fazer clinica ampliada, coletivo existirá?

Alma na lavanderia

Oi, Sônia!

Estamos lavando as nossas almas, né? rs!

O que me instiga neste post é provocar uma conversa que possa nos trazer um fio de luz que responda "quem se intitula dono do quê". Continuo aqui com a minha pergunta: quem é o dono do meu trabalho? Quem é o dono do seu trabalho? E a dimensão coletiva das práticas? Onde ela fica? Por que o Ato Médico se dá ao direito de querer "organizar a conversa"? Os favoráveis a este projeto procuram ser o quê? O centro do infinito?

Abraços!

Ricardo Sparapan Pena

 

ENCANTAMENTO PELO CONCRETO

  sENTE-SE isso no teu post. Ao voltar aqui, sinto-me de novo revigorada, ao perceber esta Rede quente que trouxe muitas manifestações !!! ... muito leram e muitos ainda deveriam ler paa contagiarem-se com o cotidiano que retratas aqui, em verdadeiro " reencantamento pelo concreto", como nos fala EDU PASSOS.

 O ATO MÉDICO TANTO FAZ ...( !!????) post que respondi esta semana, com grande emoção  e espírito susista indignado, suscitou a manifestação dos "atos ativistas" em prol dos que trabalham em equipe, e superam as fronteiras rígidas porque somos movimento de trabalho vivo em ato, feito com amor, paixão e responsabilidade, ... e luta quando necessário " estando atentos à potência para a construção de redes que libertam os nossos atos e não o privatizam" ... Adorei esta frase.

   Um grande Abraço !

   Shirley Monteiro.

... Adorei esta frase.

Shirley, que bom que você está revigorada!    

Também me sinto com muito gás a cada vez que passo aqui e vejo um novo comentário, uma afirmação de parceria. Penso que a frase que você salientou diz o que buscamos, né?! Apesar de ser uma busca sem caminhos pré-existentes e sem garantia de segurança alguma, ainda assim é um insistente prazer.

E "vambora nessa!"

Abração!!!

 Ricardo Sparapan Pena

 

Um trinômio aglutinante!!!

  1.         Transversalidade de saberes;
  2.          Escuta do paciente para além  dos seus sintomas e,
  3.           Diagnóstico compartilhado.

                  Parabéns Ricardo. É por aí o caminho!! Abraços.

Valeu, querido!

 Valeu, Felisberto!

Continuemos!

Abraço      

Ricardo Sparapan Pena

 

Ótimo

Ricardo, colocaste com tuas palavras o que muitos de nós pensamos e acreditamos... e precisamos continuar apostando nisso... na necessidade de construir rede, trabalho em equipe e não, ser "um" melhor ou não entre tantos  outros profissionais do  grupo. Talvez, ao meu ver, aí está um ponto importante: os profissionais das diversas áreas se reencatarem pelo seu trabalho e fazê-lo em equipe e não, como na triste realidade de muitos de nós, como integrante de um grupo. Vamos mantendo a discussão Não ao Ato Médico, Sim a construção de rede, do trababalho em equipe. Parabéns, teu post foi ótimo. Eliana E. R. Gheno
Enfermeira, apoiadora institucional PNH
Ajuricaba / Nova Ramada/RS

Isso mesmo, Eliana!

 Eliana,

Tudo bem?

Devemos usar as nossas palavras como ferramentas de transformação de mundos, mantendo discussões férteis como essa, pois palavras carregam afetos e odem, junto de tantas outras ferramentas, frear o instituinte que insiste em nos aprisionar.

Obrigado pelo carinho e atenção!

Grande abraço!    

Ricardo Sparapan Pena

 

ATO MÉDICO

PESSOAS HUMANAS, AÍ ESTÁ

NO PAÍS DO PODER OLIGÁRQUICO A HISTÓRIA SE REPETE OU SE MOSTRA TRAVESTIDA, MAS COM SUA GENÉTICA INTACTA.

ÀS VEZES PENSO QUE VIVEMOS NO SÉCULO DEZENOVE, PREENCHIDO EMSUAS LACUNAS PELA TECNOLOGIA ARMADA.

NO NOVENCENTO OS MÉDICOS APROFUNDARAM UMA ALIANÇA COM O ESTADO QUE SE TRANSFORMOU NUMA EXPERIÊNCIA ATÉ ENTÃO INÉNCONTRÁVEL DE SIMBIOSE ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO. MÉDICOS E ESTADO SE ASSOCIARAM PARA CONFORMAR SUJEITOS COMO CORPOS DÓCEIS (COMO DIRIA FOUCAULT). CORPOS DÓCEIS PARA A REPRESSÃO DO DESEJO, PARA A PRODUÇÃO A QUALQUER CUSTO, PARA O RECOLHIMENTO DOS AFETOS E DAS TROCAS AFETIVAS.

O CERNE DA MEDICALIZAÇÃO DA SOCIEDADE.

ASSIM, PESSOAS, PENSO QUE A HISTPÓRIA SE REPETE. NA AMEAÇA CONTEMPORÂNEA, QUE SE TRANSFORMOU EM REALIDADE EM MUITOS CASOS, A RESPOSTA AO DESPRESTÍGIO, À PROLETARIZAÇÃO, À PUBLICIZAÇÃO E À NECESSIDADE DE ASSUMIR A RELATIVIZAÇÃO DE SUA IDEALIZADA AUTONOMIA, OS MÉDICOS REEDITAM A ANTIGA ALIANÇA COM O ESTADO, COBRANDO-LHE UMA NOVA SIMBIOSE PERVERSA DE DOMÍNIO DOS CORPOS E DAS MENTES.

PEGUNTA QUE JAMAIS SE CALA: PARA QUEM ATUA (AUTUA!) O ATO MÉDICO.

GRANDE ABRAÇO

CRSFR

Valeu, Carlos!

Carlos, suas palavras fazem uma boa análise do que estamos apostando. Mando o link a você e a quem mais se interessar (se já não conhecem}, de um texto que o grupo Conexões - Políticas da Subjetividade e Saúde Coletiva/FCM/DMPS/Unicamp publicou recentemente na Interface, em um número especial sobre a PNH.

http://www.scielo.br/pdf/icse/v13s1/a05v13s1.pdf

Obrigado por estar por perto!

      Ricardo Sparapan Pena

 

Carlão! Bem vindo à Rede!!!!

E aí Carlão! Que bom te ver na rede!

Contamos com a sua participação e seus comentários!!!!

Grande Abraço!!!

 

Gustavo Nunes de Oliveira

Vamos juntar um coro!

Vamos fazer essas palavras ecoarem! Huuuu!

Gustavo Nunes de Oliveira

É isso aí, Gustavo!

 É isso aí, "justiciero"!

Vamos nos colocar mais a favor das múltiplas vozes que ecoam pelo SUS e nos desviar dos sistemas que insistem em nos calar!       

Abraços

Ricardo Sparapan Pena

 

Maravilhoso Relato

  Tomara que muitos leiam, em continuidade aos anteriores !!

   Abraço,

   Shirley Monteiro.

sobre o ato Medico

parabens ! esse e´o caminho !descortinando a Historia real e´que realmente seremos ouvidos pois independemos de Cargos Comissionados e por isso nao tememos mordaça e podemos colocar a verdadeira façe Medico Paciente e trazer a verdade para que no futuro seja onde for essa realidade possa  trazer beneficios holisticos  a equipe e ao Paciente  !traga sempre essa Luz e veja que nao esta so , pois ja vi que ate hoje os cegos e surdos de Brasilia leem nossas narrativas na calada da noite e se fazem de inocentes  nos gabinetes ao ar condicionado  !nossos Clientes , sao Pacientes e isso e´a Base do Humanizasus !e nosso trabalho e ideal !  Medicina em que campo for ha de se ter independencia e estrutura para que as equipes possa trabalhar ! parabens !

Muito bem, Allan!

Essa é a nossa aposta, Allan! Dizer o que se passa por dentro dos processos, e não olhá-los apenas de cima . O que se passa por dentro do SUS ecoa em suas margens e dessas, fazemos as nossas fronteiras, nos misturamos com as "n" possibilidades de construção de uma política pública que seja equânime tanto no atendimento ao usuário como nas possibilidaes de atuação clínica e gestora.

Vamos nessa!

Abraços!

      Ricardo Sparapan Pena

 

Valeu!

  Valeu, Shirley!

O SUS é uma experiência muito rica e nós, que SOMOS ativos na construção dele, devemos cada vez mais nos desviar das tentativas de embargá-lo, estando atentos à potência para a construção de redesque libertam os nossos atos e não o privatizam.

Abraços