O desafio de inserir estudantes médicos em uma ESF Rural no interior de SP.

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A Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE, insere seus estudantes desde o primeiro termo, em oito Estratégias Saúde da Família (ESFs), nos municípios de Presidente Prudente e Álvares Machado. A partir do Internato, acadêmicos da, Graduação em Medicina são inseridos em duas ESFs Rurais, localizadas nos Distritos de Montalvão, em Presidente Prudente e Coronel Goulart, em Álvares Machado.
O Ministério da Saúde tem incentivado a criação e a ampliação das Unidades de Atenção
Básica, em busca da cobertura total para a população. Especialistas em Saúde Pública reconhecem que apenas uma ampla
cobertura, não é suficiente para que a ESF obtenha sucesso para vencer seus desafios

É necessário se valorizar a formação
dos trabalhadores com a finalidade de se efetivar a Política
Nacional de Atenção Básica (PNAB).
Desde o começo das atividades nas unidades rurais, evidenciaram-se algumas especificidades
da zona rural. Essas características trazem impactos diretos no processo saúde-doença das famílias e no trabalho
dos profissionais da ESF Rural. Um dos elementos que podemos destacar na ESF Rural, é a distância entre as residências e entre a
Unidade com as casas das pessoas. Essa distância traz a necessidade de um planejamento, que deve ser realizado antes da realização das Visitas Domiciliares – VDs. As ações a serem
desenvolvidas e o transporte dos membros da Equipe Interprofissional, precisam ser programados com antecedência, para garantir o acesso dos Profissionais da Equipe Interdisciplinar às moradias.
Um outro desafio enfrentado pelos Profissionais da ESF Rural está relacionado à forma como os habitantes do território rural compreendem o processo saúde-doença. Essa compreensão ainda traz uma concepção negativa de saúde, entendida como “ausência de doença”. Esse raciocínio dificulta a
adesão aos Planos de Ação, criados pelos estudantes médicos, a partir da Metodologia Ativa da Problematização, com foco na promoção à saúde e na prevenção de agravos.
Os Facilitadores estimulam que os estudantes conheçam o perfil demográfico e epidemiológico da população
atendida na ESF Rural. Acadêmicos verificaram nas áreas  rurais, nos dois distritos de Prudente e Machado, o que ocorre em muitas regiões do nosso país. Facilitadores utilizaram o Arco de Maguerez para estimularem Reflexões na Ação. Aprendizes consideraram, após a busca em referências confiáveis, que nas últimas décadas, ocorreu uma mudança no perfil de mortalidade da população do nosso país. Essa mudança se deve ao aumento expressivo das mortes causadas por doenças crônico-degenerativas (DCNT’s). Facilitadores consideraram que as doenças
cardiovasculares são as principais causas de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo. Existem alguns fatores de risco para doença cardiovascular. Dentre eles estão o diabetes mellitus e a
Hipertensão Arterial Sistêmica.
Estudantes citaram um estudo multicêntrico relacionado à prevalência de diabetes mellitus no Brasil que apontou índices de 7,6% na população brasileira entre 30-69
anos, chegando a porcentagens próximas a 20% na população acima dos 70 anos de idade. Aproximadamente metade desses indivíduos não conhecem o seu diagnóstico, e 1/4 da população diabética não faz nenhum
tratamento.
Outro problema de saúde, citado pelos acadêmicos foi a hipertensão arterial, que tem prevalência estimada
na população brasileira adulta de 15 a 20%. Na população idosa esta cifra chega a 65%. Dentre os hipertensos, aproximadamente 30% desconhecem o fato de serem portadores da
doença. Esta afecção apresenta alto custo social. É responsável por cerca de 40%
dos casos de aposentadoria precoce e de faltas no trabalho.
O controle rigoroso dos índices pressóricos associado a medidas preventivas e curativas simples, são capazes de prevenir ou retardar o aparecimento de complicações
crônicas do diabetes mellitus, com melhor qualidade de vida para a pessoa diabética.
Da mesma forma, o controle da pressão arterial resulta na redução de danos aos
órgãos-alvo. Para se controlar as duas patologias, são necessárias medidas que envolvem
mudanças no estilo de vida.
Planos de Ação Coletivos estão sendo desenvolvidos por acadêmicos da UNOESTE, na zona rural dos distritos de Montalvão e Goulart, no interior de SP.
Acadêmicos e a população da zona rural, consideraram como positivas as ações de Promoção à Saúde desenvolvidas nos dois locais.

SHIMIZU, Helena. Avaliação do Índice de Responsividade da Estratégia Saúde da Família da zona rural. Revista da Escola de Enfermagem da USP. Disponível em: <http://scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342018000100404>. Acesso em: 09, Dezembro  de 2019.