Plataforma brasileira acelera registro para estudos sobre Covid-19

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A Fundação Oswaldo Cruz lançou nesta terça, 24, um processo de aprovação expressa no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC) para pesquisa clínica sobre COVID-19.  O chamado fast track poderá reduzir o prazo de aprovação normal, de até algumas semanas, para menos de 48 horas. Cientistas em todo mundo poderão ter rápido acesso à modelagem de estudos já em andamento, evitando o retrabalho e favorecendo a cooperação. O objetivo é encurtar o tempo entre o início da pesquisa, a testagem e a chegada de medicamentos, vacinas e outras inovações até a sociedade.

Os usuários do fast track receberão suporte online por meio de quatro linhas telefônicas dedicadas, usando mensagens em aplicativos gratuitos como Telegram ou Whatsapp, ou ainda pelo chat disponibilizado pela plataforma. Também poderão ser atendidos via chamada de voz via wi-fi, com hora agendada por mensagem, usando os mesmos aplicativos.  Além do sistema operante 24 horas todos os dias com mensagens automatizadas por e-mail, o atendimento humano será ampliado, começando mais cedo, às 8h, e indo até 20h. “Nossa equipe de curadoria e tecnologia aceitou o desafio e vai trabalhar em turnos para atender à demanda, hoje espalhada pelo mundo”, garantiu Luiza Silva, coordenadora do ReBEC e especialista em comunicação de risco e de crise. Os fast tracks já existentes –  zika, dengue, febre amarela e malária – e o atendimento a outros estudos não serão interrompidos.

A plataforma tem mais de 3,8 mil registros já aprovados, todos com validação aceita pelos mais importantes periódicos científicos do mundo e abertos à consulta pública e é o único registro primário do mundo em português reconhecido pela Organização Mundial da Saúde.

Plataforma local, ciência global
“Consultamos responsáveis por estudos sobre COVID-19 na Fiocruz para aperfeiçoar o novo fast track e vimos que também é possível agilizar a aprovação ajudando os pesquisadores brasileiros com dificuldade com o preenchimento bilíngue”, revelou Silva.  “A visibilidade combinada dos dois idiomas impulsiona a pesquisa nacional e, como aconteceu em outras epidemias, pode ajudar países lusófonos que dispõem de ainda menos recursos”, lembrou, apontando o avanço da pandemia na África. O horário estendido facilitará o contato com pesquisadores colaboradores em outros países.

Administrado pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), o ReBEC é fruto de uma parceria da Fundação com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde. O Registro é uma das únicas 16 plataformas do mundo a fazer parte da rede global de registros de pesquisa clínica, ao lado de Alemanha, China, Austrália, Japão, Comunidade Europeia e outros centros globais de pesquisa em saúde e fármacos.

Como funciona
Os pesquisadores com estudos nas áreas prioritárias devem preencher e submeter o formulário normalmente no sistema, necessariamente após autorização de comitê de ética. Em seguida, basta ligar para um dos números disponíveis no site www.ensaiosclinicos.gov.br e receber as orientações diretamente da equipe de plantão, que entrará em contato imediatamente ou no horário combinado com o pesquisador.

 

ReBEC – http://www.ensaiosclinicos.gov.br/