Projeto Terapêutico Singular: Aproximações iniciais, estranhamentos e possibilidades de trabalho na USF da Comunidade do Pontal da Barra – Maceió/AL

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O Pontal da Barra está situado na cidade de Maceió, próximo a região da Praia da Avenida e da Lagoa Mundaú. Ali a vida acontece entre as redes de pesca e pontos de linhas coloridas das rendas de filé… Nossa conversa poderia ser sobre a comunidade do Pontal da Barra, mas vamos conversar sobre um instrumento de trabalho em saúde: o Projeto Terapêutico Singular (PTS).

A Unidade de Saúde da Família (USF) que atua no território do Pontal é a Tarcísio Palmeira. Nela, além dos profissionais da unidade, transitam por ali o estágio integrado da Terapia Ocupacional e Fisioterapia, o Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB), e a Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL). Como pontos coloridos de filé que se cruzam no tear, esses atores também se cruzam no cotidiano. Também são coloridos, heterogêneos e articulados (ora sim, ora não) no dia a dia do trabalho em saúde. E nada mais bacana que pensar o PTS com essa diversidade de atores coloridos, singulares.

A proposta de se conversar sobre o PTS na unidade surgiu da equipe de residentes da UNCISAL na qual fazemos parte, uma vez que sentimos a necessidade de discutir os casos mais difíceis e produzir o cuidado em saúde nos moldes sugeridos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Convidamos, então, o NASF-AB para conversar conosco, que prontamente se disponibilizou a apresentar o projeto para nós. Fizemos o convite para os profissionais da unidade participarem do momento, sendo que entraram na roda as Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) Dionísia e Jacqueline.

    

Na segunda, 23 de abril de 2018, aconteceu o encontro, que por sinal foi bastante produtivo e desafiador. Foi-nos apresentado por Elaine, terapeuta ocupacional do NASF, o PTS a partir do Caderno de Atenção Básica n° 39 (Núcleo de Apoio à Saúde da Família: Ferramentas para a gestão e para o trabalho cotidiano), articulando esse momento teórico com a discussão de casos do território da comunidade do Pontal.

O momento foi leve, potente, e a palavra circulou entre os atores ali presentes. Foi discutido o quanto a proposta do PTS é complexa e ao mesmo tempo pulsante, potente e produtora de autonomia para o usuário e/ou a coletividade.

Essa discussão foi um pontapé inicial. Foi uma aproximação tímida para dialogarmos sobre o PTS no cotidiano da unidade de saúde. A proposta é trazer mais profissionais da equipe para a roda e dialogar sobre o projeto. Exercer a corresponsabilidade e o compartilhamento das situações mais complexas e singulares que perpassam o território vivo da comunidade. Talvez não seja uma tarefa fácil, mas estamos tecendo, costurando, dando “liga” para que novas discussões sobre o projeto possam acontecer. Esse foi o primeiro ponto (do filé?) para que uma rede heterogênea de cuidado em saúde possa ser construída entre os atores da unidade.

 

Equipe de Saúde:

Amanda Julia – Enfermeira Residente 2; Dionísia Ferreira – Agente Comunitária de Saúde; Elaine – Terapeuta Ocupacional NASF; Filipe de Albuquerque – Dentista Residente 1; Franklin de Oliveira – Psicólogo Residente 1; Jacqueline Mércia Segalen – Agente Comunitária de Saúde; Jordana Costa – Nutricionista Residente 2; Julia Letícia da Silva – Terapeuta Ocupacional Residente 1; Mariana da Silva – Nutricionista Residente 1.