Resenha: “Humanização e Reforma Psiquiátrica: A radicalidade ética em defesa da vida.”

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Nome: Rafael Borba dos Santos

Título: “Humanização e Reforma Psiquiátrica: A radicalidade ética em defesa da vida.” Resenha Cadernos Humaniza SUS – Volume 5 Saúde Mental

Autores: Ana Rita Castro Trajano, Rosemeire Silva

 

A elaboração do artigo foi proposta em reconhecimento da Luta Antimanicomial e a Política de Saúde Mental de BH, iniciada na década de 90, propondo a desconstrução do manicômio no contexto da construção do SUS.

Busca-se a construção de uma nova lógica na abordagem da loucura e do louco, criando reflexões sobre os desafios contemporâneos do SUS, através da implementação das Redes de Atenção Psicossocial.

As autoras ressaltam a formulação da PNH como uma política de inclusão, através da estruturação da política a partir de três princípios: indissociabilidade entre atenção e gestão, transversalidade (comunicação), protagonismo (autonomia dos sujeitos e coletivos). Tal política prevê, entre outros, a valorização do trabalho, acolhimento, defesa dos direitos dos usuários, além do fomento das redes. Esta política ampliou e aprofundou os conceitos de humanização nas práticas de saúde., como um conceito-experiência.

Destaca-se neste sentido a Política de Saúde Mental de BH, onde esta procura a humanização da prática clínica, contra a violação de direitos e com respeito à cidadania, através do reconhecimento do outro e com a criação de uma rede substitutiva de atenção à saúde mental (Centros de Referência, Centros de Convivências, etc.).

O que se busca de fato é a desconstrução da lógica manicomial, até alcançar a substituição integral, através da criação de novas relações entre os sujeitos, singularização, consentimento e reconhecimento dos tratamentos como um direito.

As autoras trazem enfoque especial aos autores da Reforma Psiquiátrica, usuários, trabalhadores, familiares etc., comprometidos com a consolidação desta política, sendo sua força uma necessidade, através da construção de soluções coletivas.

Ainda destaca o perigo das “outras drogas”, como para usuários de crack, por exemplo, questiona-se se haverá tratamento humano e humanizado a este paciente? Como será o trato da loucura X drogadição? Expressam as autoras que a loucura, incitada pela drogadição, não retira ao sujeito sua humanidade, o que deslegitima o uso de práticas violentas e coercitivas e defende ainda que, a liberdade possa ser um remédio e direito para estes casos.

De um modo geral as autoras buscam demonstrar que a luta antimanicomial através das Redes de Atenção Psicossocial é uma luta contínua, que carece de engajamento dos diversos atores e que deve, em sua essência, tratar o ser humano com dignidade. Por outro lado, mostra com preocupação a questão das drogas, mas não as evidencia com profundidade. É um texto bastante reflexivo, que traz à tona uma preocupação do Estado e da própria comunidade terapêutica com o trato do paciente e com a manutenção da rede humanizada que se criou.