Resumo de artigo Saúde Coletiva

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A compreensão da saúde como um fenômeno coletivo acaba por ampliar o pensamento que se tem a respeito dela, considerando diversos fatores, como os socioeconômicos, factual/informativos e os históricos, além do biológico. Através do ponto de vista factual/informativo, pode-se considerar a Saúde Coletiva como o conjunto de informações ou fatos sobre a saúde ou doença que são “publicizados” pela mídia numa dada formação social, num dado momento histórico. A Saúde Coletiva pode ser considerada a “saúde-que-aparece-na-mídia”.

            Em relação aos fatos coletivos, que são diretamente relacionados com a mídia: podem ser considerados os fatos criados ou instituídos por esta, que não podem existir sem a instância midiática que os publiciza. Eles são inevitáveis para a compreensão coletiva dos fatos e eles criam também a necessidade de se ter uma mídia, além do contrário. Porém, existe um aproveitamento privado sobre esta necessidade coletiva que faz com que a mídia constantemente venda mercadorias e representações do seu interesse para os cidadãos. Se discute a democratização destes meios para se ter um discurso mais aberto dos fatos, onde são apresentados diferentes ângulos em que um problema possa ser visto a partir de uma gama variadíssima de problemas.

            Os fatos coletivos se relacionam com o campo da saúde e da doença no momento em que a dimensão médica e clínica interfere na consciência do cidadão comum, que vê a saúde como um fenômeno individual e não coletivo, e que são combatidas através de intervenções igualmente individuais. Os próprios psicólogos, muitas vezes, acabam seguindo este padrão ao atuar usando o modelo clínico-individualista, o que acaba não funcionando nos moldes da Saúde. Na mídia, isto é reforçado com anúncios de materiais que falam sobre a “sua saúde”, isto é, a saúde do telespectador, e o consumo de produtos redutores de sofrimento, melhoradores de performance física e mental ou modeladores estéticos. A consequência disto é que a saúde, fato coletivo no plano da emissão e da enunciação, não institui um receptor verdadeiramente coletivo, e sim uma soma de consumidores de produtos individuais. Isto é, não se cria no receptor da mensagem uma sensação de pertencimento a uma coletividade.

A partir desta noção, o autor acredita que a saúde como fato coletivo deve ser uma mensagem que tenha como conteúdo uma saúde redefinida em termos de Promoção de Saúde, onde o modelo consumista hegemônico não seja descartado, mas passe a conviver com outros modelos não-consumistas, de base coletiva.

1.      REFERÊNCIAS

 

GOLDENBERG, Mirian. Afinal, o que quer a mulher brasileira?. Psicologia clínica, Rio de janeiro, v. 23, n. 1, 2010. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s0103-56652011000100004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 06 abr. 2018.