Uma nova perspectiva em relação à problematização ao usuário de álcool

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Resenha – Caderno Atenção Básica; Artigo 13: A Problematização do Cuidado ao Usuário de Álcool na Construção de Práticas Clínicas e de Gestão na Atenção Básica – A Proximidade com Princípios e Diretrizes da Política Nacional de Humanização.

 

1-      Credenciais dos Autores

Ricardo Sparapan Pena é consultor da Política Nacional de Humanização pelo Ministério da Saúde, psicólogo e mestre em saúde coletiva pela FCM/Unicamp.

Sergio Resende Carvalho é docente em saúde coletiva – FCM/Unicamp.

 

2-      Resumo da Obra

A referida obra é composta por dois autores, que nos trazem novas perspectivas em relação ao tratamento com usuários de álcool e novas experiências frente à um Centro de Saúde (CS) da cidade de Campinas /SP, produzindo novas condições de atendimentos pautados em vias de comunicações que diminuam a distância entre usuários, gestores e trabalhadores, incluindo a humanização em diversas políticas de saúde, integrando-as em práticas clinicas, produzindo espaços que qualifiquem a produção do cuidado.

 

A obra em si procura frisar em seu início a boa relação que as políticas do programa Política Nacional de Humanização (PNH) pode ter com grupos terapêuticos dos Centros de Saúde (CS), fazendo uma intervenção na cidade de Campinas com usuários de álcool. No decorrer da vivencia apresentada, se pensou em como se poderia lidar com o personagem usuário sem imbuir-lhes o tema alcoolista, datado por um equívoco sociocultural que incomodava os usuários. Se pensou a partir daí, inventar novos métodos para atrair usuários ao CS, quebrando protocolos muitas vezes já usados em terapias e desconstruindo histórias já vividas no campo da saúde, buscando reinventar os métodos terapêuticos, buscando pensar o alcoolismo de forma diferenciada em relação à doença, considerando-o como parte da vida dos usuários, como meio de lidar com angustias, medos e problemas, como facilitador para encontros, modos de ver a vida e lidar com as alegrias.

Ao procurar os Centros de Saúde, os usurários não buscavam a cura para a doença e sim companheiros que lhes ajudassem a dar espaço para outros afetos que pediam passagem em seus corpos. Foi pensando a partir daí, em estratégias em grupo objetivando construir canais que possibilitavam a exploração da potência de cada um, fazendo com que esses usuários retornassem aos centros, como pescarias, caminhadas, rodas de conversas e almoços que incluíam bebidas alcoólicas. Voltaremos a situação do almoço posteriormente.

3-      Conclusão e Critica à Obra

De um modo geral os autores nos passaram o quão importante é se reinventar, para que possamos lidar não só com a situação do álcool aqui descrita, mas com um amplo campo de demandas que nos rodeiam, desconstruindo uma gama de técnicas que nos são passadas em práticas cotidianas. A experiência aqui abrangida nos remede a pensar de que formas pensamos e tratamos a questão do alcoolismo, e de que maneira vemos aquele usuário, que como foi mencionado no texto, muitas vezes é visto como um “alcoólatra”, rotulado por um preconceito da sociedade, simplesmente por ser visto com bebidas alcoólicas, desconsiderando totalmente a subjetividade de cada um e em que contexto está ligado aquela bebida.

Observamos o quão importante é a humanização em diversas políticas de saúde, a fim de se diversificar o modo como serão atendidos as pessoas e suas demandas, fugindo de padrões e diretrizes impostos pelas práticas e políticas de controle, criando modos autônomos de atendimento, dando total atenção a demanda do paciente. Encerramos essa reflexão com um trecho citado no texto, que faz relação com o potencial observado diante da ideia do almoço: “A ideia do coletivo como terapêutico foi útil porque dele extrai-se o que favoreceu a questão do álcool sem demarcar o cognitivo como o lugar de aprendizagem sobre a vida. Então, partindo do plano da construção do desejo, viu-se que as prioridades estabelecidas na vida em algumas vezes se davam descoladas de seu entendimento, ou seja, o sintoma se criava porque algo no corpo pedia passagem para se expressar” (Pag. 201). O link da obra completa você pode acompanhar na descrição abaixo.

 

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_humanizasus_atencao_basica.pdf (Pag.195-205)

Autores da Resenha: Paulo Sérgio Costa, Nathalie Freitas.