As professoras do PPGCIS, Pâmela Pinto e Daniela Muzi, em parceria com a pesquisadora Eleonora de Magalhães Carvalho, do INCT-DSI/Casa de Oswaldo Cruz, escreveram o artigo “Cenário brasileiro de enfrentamento à desinformação: articulações entre academia, sociedade civil e Estado”, que integra o livro “Comunicar Ciência na Era da Desinformação: desafios, estratégias e práticas“, do Laboratório de Comunicação (LabCOM), da Universidade da Beira Interior, de Portugal.
O livro reúne 15 capítulos, divididos em 362 páginas, onde são apresentadas as “diferentes estratégicas para lidar com a desinfodemia”, destacando a “importância de abordagens interdisciplinares, da valorização da literacia midiática e da construção de estratégias comunicacionais capazes de dialogar com públicos diversos sem abdicar do rigor científico.”
Contexto
O artigo de Pâmela Pinto, Eleonora de Magalhães Carvalho e Daniela Muzi ocupa 10 páginas e faz análises relevantes sobre o enfrentamento da desinformação no Brasil a partir do contexto eleitoral de 2018, marcado pela ascensão da extrema direita no país, até 2025, mostrando a articulação da sociedade civil e de profissionais de ensino e pesquisa no combate à desinformação.
Para as autoras, as eleições presidenciais de 2018 “se configuraram como um marco temporal para destacar a desinformação como um fenômeno de impacto na sociedade”. Elas destacam, já na introdução, que a vitória da extrema direita – pelo então presidente Jair Bolsonaro -, acabou trazendo um “impacto estrutural da desinformação sobre a democracia brasileira e sua soberania informacional”, afetando não só o campo político, mas também outras áreas, em especial a saúde, a ciência e o meio ambiente.
Um exemplo foi o que ocorreu durante a pandemia de covid-19, quando o negacionismo e, muitas vezes, o menosprezo à doença feito pelo então presidente em rede nacional e na grande mídia (veja aqui), acabou gerando mais desinformação, levando à hesitação vacinal e a baixa adesão às medidas de precaução e cuidados dadas pelas autoridades de saúde.
As autoras argumentam que “a desinformação é concebida como uma ‘informação problemática’ que, ao invés de alimentar o conhecimento e estabilizar os sistemas sociais, gera entropia, ruído e desorganização, prejudicando os atores sociais e corroendo a confiança pública. Trata-se, portanto, de um conteúdo que pode ser falso, parcial ou mesmo verdadeiro, mas que, ao ser manipulado em sua circulação ou enquadramento, produz efeitos desestabilizadores”.
O artigo faz o mapeamento parcial das iniciativas de combate à desinformação e conclui que a desinformação já faz parte da realidade social.
O livro está disponível em acesso aberto e pode ser baixado aqui