No Dia Mundial do Rim, reforçamos uma mensagem central para a saúde pública: informação e prevenção salvam vidas.
Evidências científicas recentes mostram que a saúde dos rins está profundamente conectada à saúde cardiovascular. Um estudo publicado na revista Nature Communications, conduzido por Yuan Li e colaboradores, demonstrou que a Doença Renal Crônica está associada a um risco significativamente maior de morte súbita cardíaca. Esse achado reforça que a DRC não é apenas uma doença renal isolada, mas uma condição sistêmica que impacta diretamente o coração e a circulação.
Essa relação também se confirma em estudos brasileiros. Uma coorte acompanhada por 25 anos, publicada no Jornal Brasileiro de Nefrologia, analisou pacientes com doenças glomerulares e identificou fatores associados à progressão para doença renal crônica, como índice de massa corporal elevado, redução inicial da função renal e presença de fibrose renal. Esses resultados evidenciam a importância da detecção precoce e do acompanhamento clínico contínuo para reduzir a progressão da doença.
A conexão entre rins, coração e cérebro é cada vez mais evidente. A Doença Renal Crônica aumenta o risco de Doenças Cardiovasculares, incluindo Acidente Vascular Cerebral, infarto e morte súbita. Isso ocorre porque alterações renais contribuem para inflamação sistêmica, disfunção endotelial, hipertensão e desequilíbrios metabólicos que afetam todo o sistema cardiovascular.
Nesse contexto, a atuação da Sociedade Brasileira de Nefrologia é fundamental ao promover campanhas de conscientização, incentivar o diagnóstico precoce e mobilizar profissionais de saúde e a sociedade para enfrentar as doenças renais.
A boa notícia é que grande parte dos fatores de risco pode ser prevenida ou controlada. Medidas simples fazem diferença:
Controlar a pressão arterial
Manter o diabetes sob controle
Adotar alimentação saudável com menor consumo de sal e ultraprocessados
Manter peso adequado
Praticar atividade física regularmente
Evitar automedicação, especialmente anti-inflamatórios
Realizar exames de rotina, como creatinina e análise de urina
Cuidar da saúde renal é também prevenir eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC. Em um cenário de envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas, a integração entre prevenção renal e cardiovascular deve ser prioridade nas políticas públicas de saúde.
Investir em prevenção hoje significa reduzir mortalidade, incapacidade e custos em saúde no futuro.
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Texto: Rosane da Silva Alves Cunha. Fisioterapeuta. Mestre SMLTF UERJ