Cuidado em Liberdade e a Construção de Vínculos no CAPS Rostan: Experiências e Aprendizados
Meu nome é Daniel Maciel Resende, sou estudante de Medicina do internato no estágio de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas. Este relato tem a finalidade de compartilhar meus aprendizados e experiências no CAPS Rostan, um serviço de atenção psicossocial voltado para o acolhimento do público adulto.
Logo de início, o ambiente amplo e acolhedor chamou minha atenção, pois reflete a proposta de um cuidado que se expande e não está vinculado ao isolamento. Essa vivência foi fundamental para me mostrar, na prática, a importância do modelo antimanicomial e da atenção psicossocial em nossa sociedade.
Durante minha passagem pelo serviço, pude acompanhar e me envolver em uma série de atividades terapêuticas, que constituíram desde alongamentos e meditação até a musicoterapia. Um destaque especial é o grupo “Cuidando de Si”, que cria um espaço seguro para que os usuários conversem sobre autocuidado e compartilhem suas experiências e sentimentos. Outra iniciativa que vimos bastante na teoria e que pude presenciar na prática foi o grupo de “Ouvidores de Vozes”, um espaço focado em dialogar abertamente com pessoas que lidam com essa vivência. O foco ali é ensinar a conviver e a ressignificar esses sentimentos, proporcionando escuta e acolhimento como ferramentas principais para evitar a medicamentalização.
A força transformadora do CAPS ficou evidente para mim em um momento marcante. Tive a oportunidade de reencontrar um paciente que eu já havia acompanhado anteriormente no ambiente de um hospital psiquiátrico. Vendo ele agora no CAPS, visivelmente mais feliz, animado e integrado àquele espaço, me impactou fortemente com a realidade hospitalar. Percebi o quanto os usuários se sentem bem e pertencentes ao local, também compreendi que a liberdade, o convívio e a autonomia são agentes terapêuticos únicos e poderosos.

Como parte ativa do estágio, realizei uma ação de intervenção dentro do grupo de musicoterapia, a qual batizamos de “Árvore da União”. O projeto começou com o desenho de uma grande árvore dividida em duas cartolinas. Entregamos papéis coloridos aos usuários e pedimos que cada um contornasse as próprias mãos. Dentro do desenho de suas mãos, cada participante escreveu uma qualidade pessoal e um sentimento que lhes vinha à cabeça enquanto ouvíamos as músicas. Em seguida, recortamos essas mãos e as colamos nos galhos da cartolina, representando as folhas. O resultado final, que ficou exposto no CAPS, foi a materialização de que todos ali, juntos, formam uma rede de apoio viva, forte e interconectada.


Dessa forma, concluí esse estágio com a certeza de que o CAPS é um serviço fundamentoal. Mais do que observar condutas clínicas, aprendi sobre o cuidar em liberdade, de enxergar o paciente em sua integridade e de construir uma saúde mental pautada na humanidade, no afeto e na reinserção social. É uma experiência que levarei para a minha vida profissional e pessoal.


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Por Sérgio Aragaki
Daniel,
Que bom saber de seus aprendizados durante esse curto tempo que o estágio no CAPS pode propiciar.
Cuidado em Liberdade é nossa defesa, na Luta Antimanicomial.
Seguimos na defesa do SUS e da dignidade humana.
AbraSUS!