Relato de Experiência CAPS Sadi Feitosa

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Meu nome é Beatriz Carvalho Persiano, sou estudante do internato em Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas e esse é meu relato de experiência no estágio no CAPS Dr. Sadi Feitosa de Carvalho:

Realizar o estágio no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Dr. Sadi Feitosa, foi essencial para perceber como esse serviço desempenha um papel fundamental na promoção da saúde mental, oferecendo acolhimento, cuidado integral e acompanhamento contínuo aos usuários em sofrimento psíquico, de forma a fazer grande diferença na minha formação acadêmica. A atuação no CAPS vai além do tratamento dos transtornos mentais, proporcionando espaços de convivência, fortalecimento de vínculos e incentivo à autonomia, em consonância com os princípios da Reforma Psiquiátrica e da atenção psicossocial. Durante o período do meu estágio, foi possível observar a relevância desse serviço para a garantia do cuidado em liberdade, valorizando a singularidade de cada usuário e contribuindo para sua reinserção social e melhoria da qualidade de vida.

O contato contínuo com os usuários me permitiu compreender, na prática, a necessidade de enxergar cada pessoa para além de seu diagnóstico ou transtorno mental, sendo essa vivência de grande importância para minha formação acadêmica enquanto interna de Medicina e futura médica. Ao conhecer suas histórias, emoções, sentimentos, desejos, dificuldades e projetos de vida, foi possível perceber que o cuidado em saúde mental exige um olhar ampliado e individualizado, que reconheça a singularidade de cada indivíduo. Essa experiência contribuiu para o desenvolvimento de uma escuta sensível, acolhedora e humanizada, fortalecendo a compreensão de que o paciente não deve ser definido pela sua condição de saúde, mas entendido como uma pessoa com identidade, autonomia e potencialidades próprias. Além disso, o estágio possibilitou refletir sobre a importância da construção de vínculos terapêuticos e do respeito à subjetividade no processo de cuidado, algo que considero extremamente importante no cuidado em qualquer área que eu decida seguir dentro da medicina.

Ao longo das semanas, participei de diversas atividades multiprofissionais conduzidas por profissionais como assistente social, nutricionista, educador físico e outros membros da equipe. Entre elas, destacaram-se grupos voltados à reflexão sobre a Luta Antimanicomial, reforçando a importância dos direitos, da cidadania e do cuidado em liberdade para as pessoas em sofrimento psíquico. Também participei de atividades corporais, incluindo alongamentos e dança, que estimularam a socialização, o bem-estar e a valorização do corpo como instrumento de expressão. Além disso, estive presente em dias de ações comemorativas, como a celebração do Dia das Mães e dos aniversariantes do mês, momentos que reforçaram o sentimento de pertencimento e evidenciaram a importância de cada usuário para a construção coletiva do grupo e para a dinâmica do CAPS.

 

Além disso, promovi, juntamente com minha dupla Ramanna Hamad, a atividade intitulada “Expressando os Sentimentos”, na qual apresentamos imagens diferentes “emojis” aos usuários para que identificassem emoções presentes em suas vidas, compartilhassem como essas emoções se manifestavam em seu cotidiano e refletissem sobre as estratégias utilizadas para lidar com elas. A atividade favoreceu o diálogo, a troca de experiências e a reflexão acerca da autonomia em liberdade, estimulando os participantes a reconhecerem como os aprendizados construídos no CAPS podem ser aplicados diante das dificuldades e desafios individuais. Também foi discutida a importância da expressão dos sentimentos como ferramenta essencial para o cuidado em liberdade, fortalecendo o autoconhecimento e a busca por apoio quando necessário. Para além de todas as experiências, a ação me fez perceber como o cuidado em liberdade é necessário e essencial.

 

 

 

De modo geral, a experiência revelou-se extremamente enriquecedora para mim enquanto futura profissional que deseja estar sempre praticando a escuta ativa e humana, além de gratificante e demonstrativa da relevância do CAPS no processo do cuidado em liberdade e a enorme possibilidade de ensino que o CAPS pode proporcionar.