Relatório do estágio de Saúde Mental: CAPS

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RELATÓRIO DE EXPERIÊNCIA – ESTÁGIO NOS CAPS

Durante o estágio de Psiquiatria, tive a oportunidade de conhecer e vivenciar a rotina de diferentes Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), o que proporcionou uma experiência muito importante para minha formação acadêmica e pessoal. Ao longo desse período, pude conhecer diferentes realidades, observar a atuação das equipes multiprofissionais e, principalmente, ter contato direto com os usuários dos serviços de saúde mental.

Minha primeira experiência foi no CAPS Rostan Silvestre. Infelizmente, as atividades do serviço estavam temporariamente interrompidas em decorrência de um assalto ocorrido no local, o que impossibilitou a realização dos grupos e limitou o contato com os usuários. Apesar disso, no primeiro dia em que estive no serviço, fui muito bem recebida pela equipe. Os profissionais foram bastante atenciosos, apresentaram o ambiente e explicaram um pouco sobre o funcionamento do serviço. Mesmo não tendo tido a oportunidade de conhecer os pacientes, pude perceber que se tratava de um ambiente acolhedor e que havia uma equipe bastante receptiva.

Posteriormente, passei a frequentar o CAPS Casa Verde, experiência que considero uma das mais marcantes do estágio. Desde a minha chegada, fui muito bem acolhida por toda a equipe, incluindo enfermeiras, coordenação e profissionais do setor administrativo. Todos se mostraram disponíveis para me orientar e me inserir na rotina do serviço, o que fez com que eu me sentisse muito à vontade durante o período em que estive lá.

No CAPS Casa Verde, tive a oportunidade de conhecer os usuários, ouvir suas histórias e compreender um pouco mais sobre suas vivências e trajetórias. Com o passar dos dias, acabei criando vínculos afetivos com alguns deles, o que tornou a experiência ainda mais significativa. Pude participar de diferentes grupos e atividades terapêuticas, como rodas de conversa, atividades relacionadas à música, momentos de expressão dos sentimentos por meio de desenhos, dança, discussões sobre saúde mental e o grupo de macramê.

Entre todas essas atividades, o grupo de macramê foi especialmente marcante para mim. Além de observar a importância daquela atividade para os usuários, tive a oportunidade de aprender a fazer macramê com eles. Foram os próprios usuários que me ensinaram, e essa troca tornou a atividade ainda mais especial. Percebi, na prática, como atividades manuais podem ser utilizadas como ferramentas de cuidado em saúde mental, proporcionando momentos de concentração, criatividade, interação social e desenvolvimento de novas habilidades.

Também achei interessante perceber que o grupo de macramê ultrapassa o aspecto terapêutico. Os usuários produzem diferentes objetos, como chaveiros, porta-copos, bolsas e outros acessórios, que podem ser comercializados. Dessa forma, além de desenvolverem habilidades manuais e encontrarem uma atividade prazerosa, eles também podem produzir algo que possui valor e que pode gerar renda. Foi muito interessante perceber o sentimento de satisfação e pertencimento relacionado à produção dos próprios trabalhos.

Outra experiência ocorreu no CAPS Sadi de Carvalho, no bairro Bebedouro.  Também fui muito bem recebida pelos profissionais do serviço, que demonstraram disponibilidade e acolhimento. A estrutura do local me chamou bastante atenção, assim como a quantidade de usuários, que era maior em comparação aos outros CAPS que conheci durante o estágio. Durante a passagem pelo serviço, participei de uma atividade de boliche, que foi uma experiência interessante por proporcionar um momento de interação e descontração entre os usuários e a equipe.

De maneira geral, considero que a experiência nos CAPS foi muito positiva e importante para minha formação. O estágio permitiu que eu compreendesse de forma mais concreta a importância do cuidado em saúde mental para além da consulta médica e do uso de medicamentos. Pude observar como atividades coletivas, rodas de conversa, música, dança, atividades manuais e momentos de convivência podem contribuir para o cuidado, a socialização, a autonomia e a qualidade de vida dos usuários.

Além dos conhecimentos técnicos adquiridos, considero que o contato com os usuários foi uma das partes mais importantes da experiência. Ouvir suas histórias, conhecer suas dificuldades e compartilhar momentos de suas rotinas me permitiu desenvolver um olhar mais humano e menos estigmatizado sobre a saúde mental. Também pude perceber a importância de uma equipe acolhedora e de um ambiente que permita ao usuário se sentir pertencente ao serviço.

Assim, apesar de a experiência no CAPS Rostan ter sido limitada pela interrupção das atividades, e de cada serviço apresentar suas particularidades, os três CAPS contribuíram de maneiras diferentes para minha formação. Saio desse estágio com uma visão mais ampla sobre o funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial e sobre a importância de oferecer aos usuários não apenas tratamento, mas também espaços de convivência, expressão, autonomia e construção de vínculos. Foi, sem dúvida, uma experiência muito enriquecedora, da qual gostei bastante e que levarei comigo durante minha formação médica.