A escuta que transforma: minha primeira experiência no CAPS

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Me chamo Felipe Casado, minha primeira experiência no CAPS foi, sem dúvida, um marco na minha formação acadêmica e pessoal. Estar inserido nesse  espaço me permitiu compreender a complexidade do cuidado em saúde mental, muito além da teoria aprendida em sala de aula. Foi ali que percebi a importância da escuta qualificada, do vínculo e do respeito à singularidade de cada sujeito. Durante essa vivência, tive a oportunidade de elaborar e conduzir uma atividade com os usuários no grupo de ouvidores de vozes. Propusemos uma roda interativa, na qual utilizamos pequenos papéis contendo diferentes sentimentos — como raiva, tristeza, felicidade, entre outros. Cada participante era convidado a embaralhar os papéis, escolher um aleatoriamente e, a partir disso, compartilhar o que aquele sentimento lhe despertava, suas memórias, associações e experiências. A atividade, embora simples, revelou-se extremamente potente. Cada fala trazia uma vivência única, carregada de significados profundos, permitindo que o grupo se conectasse não apenas pelo sofrimento, mas também pela empatia e pela troca. Foi possível perceber como os sentimentos, mesmo universais, são vividos de maneiras tão particulares, e como dar espaço para essa expressão pode ser terapêutico.Esse momento foi, para mim, ímpar. Mais do que conduzir uma dinâmica, tive a oportunidade de aprender com cada usuário, de me aproximar de suas histórias e de compreender a importância de criar espaços seguros de fala e escuta. Essa experiência reforçou meu compromisso com uma prática mais humana, centrada no sujeito e na construção coletiva do cuidado.Sem dúvidas, o CAPS se tornou um espaço de transformação na minha trajetória, contribuindo de forma significativa para a construção do profissional que desejo ser.