Me chamo Raquel Massano Trejo Ayres, sou estudante de medicina do 9° período/internato da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Venho por meio desta postagem relatar os aprendizados obtidos durante o estágio no CAPS Dr. Rostan Silvestre, realizado durante o rodízio de Saúde Mental, compartilhando vivências que contribuíram de forma profunda para minha formação médica e também para meu desenvolvimento pessoal.
Meu período de estágio no CAPS foi uma experiência marcante, que ultrapassou os limites da formação técnica e me atravessou de forma humana, ética e afetiva. Aprendi que o cuidado em saúde mental exige presença, escuta e respeito às singularidades de cada pessoa, e que nenhuma história pode ser reduzida a um diagnóstico ou a um momento de crise.
No cotidiano do serviço, pude entender que o CAPS funciona como um espaço de acolhimento e reconstrução, onde cada usuário é percebido em sua totalidade — suas dores, mas também suas potências, desejos, vínculos e projetos de vida. Observando e participando das atividades, percebi como o cuidado se constrói de forma compartilhada, coletiva e antimanicomial.
Durante o estágio, participamos ativamente das atividades desenvolvidas pelo serviço, como as rodas de coco, práticas de meditação e o grupo de Ouvidores de Vozes. Estar presente nesses espaços me permitiu vivenciar a força dos dispositivos terapêuticos que valorizam a expressão, o corpo, a cultura e o acolhimento das experiências de cada usuário. Foi possível perceber, na prática, como esses grupos ampliam vínculos, promovem autonomia e fortalecem a construção coletiva de cuidado.
A atuação multiprofissional do CAPS me ensinou sobre a importância da interdisciplinaridade. A convivência com diferentes categorias profissionais — psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psiquiatras, educadores físicos — mostrou que o cuidado integral só se torna possível quando diversos saberes se unem, dialogam e se complementam. Esse aprendizado ampliou minha compreensão sobre a prática clínica e a responsabilidade compartilhada no acompanhamento de pessoas em sofrimento psíquico.
No fechamento do estágio, tivemos a oportunidade de desenvolver uma atividade com os usuários sobre higiene do sono, temática escolhida pela sua relevância para o bem-estar e para a saúde mental. Iniciamos com um diálogo informativo, explicando de forma acessível os hábitos que contribuem para uma boa noite de descanso e aqueles que podem prejudicá-la. Em seguida, propusemos uma dinâmica participativa: levamos imagens de práticas, alimentos e comportamentos que influenciam o sono, para que os usuários colassem em um cartaz, classificando o que ajudava e o que atrapalhava o descanso. Ao final, cada participante foi convidado a escrever uma pequena frase sobre o que havia aprendido ou entendido da discussão.
A atividade foi marcante, não apenas pelo conhecimento compartilhado, mas pela participação ativa dos usuários, pelo diálogo construído coletivamente e pela valorização de suas percepções e vivências. Foi um momento de troca genuína, que reforçou o sentido do CAPS como espaço de construção conjunta de cuidado, aprendizado e liberdade.
Saio do CAPS Dr. Rostan Silvestre com a certeza de que essa experiência me transformou profundamente. Aprendi sobre empatia, escuta ativa, sensibilidade, limites, vínculos e sobre a importância de defender um cuidado que respeite a singularidade e a dignidade de cada pessoa. Levo comigo a convicção de que a Luta Antimanicomial não é apenas um conceito, mas uma prática cotidiana, ética e necessária.
Sou imensamente grata à equipe do CAPS Dr. Rostan Silvestre e aos usuários que compartilharam suas histórias, suas dores, seus desafios e suas conquistas.
Por Emilia Alves de Sousa
Olá, Raquel!
É muito gratificante encontrar sua postagem, que traz um relato inspirador e um olhar sensível e ampliado sobre o verdadeiro significado da saúde mental.
AbraSUS