Muito Além do Diagnóstico: A Força do Acolhimento e da Interação no Cuidado Integral do CAPSi
Meu nome é Alexandre Pinto de Farias e sou estudante da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (FAMED/UFAL). Durante o meu internato em Saúde Mental, tive a oportunidade de vivenciar profundamente o cotidiano do CAPSi Infantil Zé Tenório, uma experiência que transformou minha visão sobre o cuidado e a prática médica.
A minha vivência no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) Zé Tenório foi um divisor de águas que proporcionou uma ampliação significativa da minha compreensão sobre o que é o cuidado em saúde mental para crianças e adolescentes. Mais do que um estágio técnico, foi um exercício de desconstrução de concepções previamente estabelecidas, onde aprendi que a complexidade do adoecimento psíquico exige muito mais do que um olhar clínico tradicional. O primeiro grande paradigma quebrado foi a transição de uma abordagem centrada apenas no diagnóstico para uma que prioriza a singularidade de cada paciente. No CAPSi, percebi que o sofrimento psíquico é atravessado por múltiplos determinantes familiares, sociais e emocionais e que a escuta qualificada e o acolhimento são as ferramentas mais potentes para alcançar a dignidade do indivíduo. Esse cuidado integral só é possível graças ao trabalho em equipe multiprofissional, onde diferentes áreas como psicologia, psiquiatria e terapia ocupacional convergem para criar estratégias que respeitem a autonomia de cada usuário. Dentro dessa estrutura, as práticas terapêuticas coletivas e as oficinas ganham um papel de destaque como instrumentos de reabilitação psicossocial. Uma dessas atividades, que se mostrou particularmente impactante, foi a dinâmica de mímica que elaborei. Essa prática funciona como uma forma poderosa de linguagem não-verbal, onde o desafio não está apenas em quem passa a mensagem através do gesto, mas na percepção de quem a recebe. Essa troca gerou uma interação intensa e harmoniosa entre as crianças, trazendo benefícios fundamentais para o seu desenvolvimento. Fortalecimento de Vínculos: Ao tentarem se entender através do corpo, os alunos criam conexões que vão além das palavras, promovendo o desenvolvimento de habilidades sociais essenciais. Expressão Emocional: A mímica permite que sentimentos muitas vezes difíceis de verbalizar encontrem uma via de saída, favorecendo a expressão das emoções de forma lúdica e segura. Percepção do Outro: A atividade exige que a criança observe o colega com atenção, trabalhando a empatia e a capacidade de interpretar o mundo sob a ótica do próximo. Essas experiências coletivas, aliadas à rotina de oficinas do CAPSi, reforçaram a necessidade de uma atuação profissional ética, empática e livre de estigmas. Saio dessa vivência com um olhar mais humano e ampliado, compreendendo que cuidar em saúde mental é, acima de tudo, um compromisso inegociável com a sensibilidade e a promoção da autonomia de cada jovem.
Por patrinutri
Adorei seu relato Alexandre! Obrigada por compartilhar sua vivência! Fiquei muito feliz em conhecer mais sobre a potência desta atividade com mímica em relação a comunicação de sentimentos ! Deve ter sido mesmo algo muito rico! Parabéns!
AbraSUS!
Seguimos acreditando na força do fazer coletivo e da humanização na saúde!
Patrícia