Observatório de Clima e Saúde alerta para riscos à saúde após tragédia em MG

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Surtos de doenças, impactos na saúde mental e possível sobrecarga na rede hospitalar da região estão entre os riscos apontados por nota técnica sobre a tragédia na Zona da Mata

Texto: Ariene Rodrigues | Observatório de Clima e Saúde | Icict/FIOCRUZ

As chuvas extremas que atingiram a Zona da Mata mineira nos últimos dias, provocando dezenas de mortes e milhares de desalojados e desabrigados, também geram impactos significativos para o sistema de saúde da região. É o que indica uma nota técnica divulgada nesta sexta (27) pelo Observatório de Clima e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz (Icict/Fiocruz).

O documento, elaborado com a colaboração de professores dos departamentos de Saúde Coletiva e Estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), analisa os efeitos das inundações e deslizamentos registrados em municípios como Juiz de Fora e Ubá e apresenta estratégias e recomendações para o Sistema Único de Saúde (SUS) em suas três esferas de gestão.

Juiz de Fora e os impactos na rede regional de saúde

O estudo aponta que Juiz de Fora funciona como polo regional de média e alta complexidade para toda a macrorregião Sudeste de Minas Gerais. A restrição de acesso aos serviços de saúde e a sobrecarga dos hospitais do município, podem gerar, segundo o documento, “um efeito cascata na rede de atenção em saúde, sobrecarregando hospitais em municípios vizinhos e desassistindo uma população que já se encontra em vulnerabilidade.” A situação é agravada pelas interrupções frequentes nas estradas da região, causadas por quedas de barreiras.

Riscos sanitários após o desastre

O estudo também registra que o desastre evidencia a crescente vulnerabilidade urbana a eventos climáticos extremos. A nota alerta ainda para riscos sanitários no período pós-desastre, de curto a longo prazo, que incluem surtos de doenças infecciosas, agravamento de doenças crônicas e impactos na saúde mental da população afetada.

Para a análise, foram utilizados dados do FluxSUS, sistema de acompanhamento dos efeitos de desastres na rede de atenção à saúde desenvolvido pelo Icict/Fiocruz. A aplicação permite avaliar como a interrupção de serviços em um município pode gerar sobrecarga em hospitais de toda a região.

Recomendações para fortalecer a resposta do SUS

A nota apresenta uma série de recomendações para fortalecer a resposta do SUS em suas três esferas de gestão. Entre as principais medidas sugeridas estão a intensificação da vigilância epidemiológica para detecção precoce de surtos; o envio ágil de medicamentos e insumos estratégicos; a intensificação do monitoramento da qualidade da água para consumo humano e do controle de vetores, e mapear as unidades de saúde em áreas de risco para definição de novas localizações resilientes, entre outras.

O documento destaca ainda que a tragédia não pode ser explicada apenas pelo fenômeno climático. A análise aponta que falhas de planejamento e gestão do território contribuíram para ampliar os impactos do evento, evidenciando a necessidade de fortalecer políticas de prevenção e adaptação climática.

Leia a nota técnica Impactos das Inundações e Deslizamentos em Juiz de Fora e Região (MG) e Recomendações para o Setor Saúde.

Acesse o Observatório de Clima e Saúde aqui

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil