Minha experiência no CAPS Rostan foi profundamente transformadora, tanto no âmbito pessoal quanto na minha compreensão sobre o cuidado em saúde mental. Antes desse contato, eu ainda carregava, mesmo que de forma sutil, concepções tradicionais e, muitas vezes, limitadas sobre o tratamento de pessoas em sofrimento psíquico — ideias que, historicamente, estiveram associadas à exclusão, ao isolamento e à institucionalização.

Ao vivenciar o cotidiano do CAPS, pude perceber, na prática, uma mudança de paradigma que coloca o sujeito no centro do cuidado. O ambiente acolhedor, as escutas qualificadas e o respeito à singularidade de cada usuário revelam um modelo de atenção que valoriza a autonomia, a dignidade e a reinserção social. Não se trata apenas de tratar sintomas, mas de compreender histórias, contextos e possibilidades.
Essa experiência me permitiu enxergar o CAPS como um espaço vivo de construção de cidadania. As atividades terapêuticas, os vínculos estabelecidos entre profissionais e usuários e o incentivo à participação ativa mostram que o cuidado em saúde mental pode, e deve, ser humanizado e inclusivo. É um trabalho que rompe com estigmas e promove pertencimento.
Além disso, ficou evidente para mim a importância dos CAPS para a sociedade como um todo. Eles não apenas oferecem suporte a quem precisa, mas também contribuem para a construção de uma cultura mais empática e consciente sobre saúde mental. Ao substituir modelos excludentes por práticas comunitárias, os CAPS fortalecem redes de apoio e ajudam a reduzir preconceitos ainda tão presentes.
Portanto, minha vivência no CAPS Dr. Rostan Silvestre não foi apenas um momento de aprendizado técnico, mas uma verdadeira transformação na forma de pensar e enxergar o cuidado em saúde mental, e principalmente a visão sob daquelas pessoas que necessitam de tal cuidado. Foi ali que compreendi, de maneira concreta, que o cuidado vai muito além do tratamento, ele envolve escuta, respeito, inclusão e, sobretudo, humanidade.