Quando Termina o Sentimento Religioso e Começa o Obscurantismo!

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Igreja excomunga responsáveis por aborto de menina de 9 anos

 

 

Temas como o aborto, a eutanásia e repercussões sobre novas tecnologias  de reprodução humana ("barrigas de aluguel", gravidez após menopausa etc) desdobram complexas discussões que tendem a ultrapassar argumentos racionais posto que assumir-se um posicionamento pró ou contra siginifica, em úiltima instância, falar ao mundo quem somos, atuando portanto com nossos afetos, medos, angustias e ansiedades. 

 

Ainda assim, não podemos nos manter calados quando pessoas movidas por sentimentos religiosos correm  o risco de apregoar o contrário daquilo que seus princípios dizem defender. A notícia abaixo mostra o quanto o zelo religioso da manutenção da integridade de determinados princípios pode na verdade acirrar a produção da dor e do sofrimento. Tentar obrigar uma criança de 9 anos de vida a continuar grávida depois de violentada pelo próprio padrasto e, ainda, sujeitar os trabalhadores de saúde que subteram a criança a um aborto à pena de excomunhão apenas demonstra que o obscurantismo pode se disfarçar nas melhores intenções.

 

Antes que me esqueça, o Arcdebispo de Olinda, embora tenha excomungado os trabalhadores de saúde, não emitiu qualquer gesto de censura contra o padrasto da criança. Pelo visto, o fato da menina não ser mais uma célula ou um embrião parece não mobilizar o sentimento de proteção de tão renomado religioso,  sendo muito difícil para ele tipificar o estupro de uma criança de 9 anos como um crime atentatório contra a vida.

 

Um dia a história demonstrará que além dos crimes da Inquisição, a Igreja Católica poderá ser responsabilizada também pelo alastramento da epidemia de AIDS na África por conta do seu zeloso combate ao uso de preservativos. Assim, uma religião que apregoa a defesa irrestrita da vida pode, quando movida pelo obscurantismo de alguns de seus membros, ser o instrumento produtor da morte e do sofrimento. Como nos alertava Goya no final do século XVIII – em crítica as atividades da Igreja Católica na Espanha e a sua asquerosa Santa Inquisição – "O Sono da Razão Produz Monstros"!

 

Notícia emcontrada em

noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3613893-EI306,00-Igreja+excomunga+responsaveis+por+aborto+de+menina+de+anos.html

 

Transcrição da Notícia:

Ana Lima Freitas

Direto do Recife

O arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho, condenou a interrupção da gravidez da menina de 9 anos que teria sido estuprada pelo padrasto, na cidade de Alagoinha, no agreste de Pernambuco. Segundo d. José, os responsáveis pelo aborto estão excomungados da Igreja Católica.

Durante a madrugada de hoje, os advogados da arquediocese de Olinda e Recife haviam preparado uma denúncia que deveria ser encaminhada ao Ministério Público, mas desistiram da medida depois da divulgação do aborto.

A menina, que estava internada no Instituto Materno e Infantil de Pernambuco (Imip), recebeu alta na noite de ontem, quando foi novamente internada no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no bairro da Encruzilhada. Lá, a garota tomou medicamentos para começar o processo. Na manhã de hoje, os dois fetos foram expelidos. O Cisam não informou quem integrou a equipe responsável pelo aborto e o arcebispo não citou nomes dos excomungados.

Por volta das 16h30 da tarde de hoje, os médicos do Cisam realizaram uma curetagem (raspagem) para retirar o material placentário do útero da menina. O estado de saúde dela é estável. A garota não corre risco de vida e se encontra na sala de recuperação da unidade. Após a se recuperar da anestesia, ela será levada para a enfermaria. A previsão de alta é de 24 a 48 horas após a curetagem.

No próximo dia 7, quando será lançada a campanha da fraternidade da CNBB em Pernambuco, em uma missa na Basílica de Nossa Senhora do Carmo, d. José fará um manifesto público contra a interrupção da gravidez da menina estuprada pelo padrasto.