Semana Nacional de Humanização no Hospital Regional do Sudoeste, de Francisco Beltrão-PR

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Olá amigos da RHS!
Com atraso, mas não sem entusiasmo, gostaria de compartilhar com vocês a nossa experiência na Semana Nacional de Humanização no Hospital Regional do Sudoeste Walter Alberto Pecóits em Francisco Beltrão-PR. Digo “nossa” porque pude contar incondicionalmente com minha colega-parceira de setor, Sabrina Machado, na organização e coordenação de uma série de atividades que procuramos promover durante a semana, o que demonstra que a amizade pode surgir num contexto profissional e no âmago de sonhos e projetos em comum.
Como em postagem anterior minha colega em questão já compartilhou, as atividades que propomos aconteceram em meio a um clima tenso de greve dos servidores da saúde no Estado do Paraná, que evidentemente teve seus desdobramentos na nossa realidade local. Optamos por realizar as ações que havíamos planejado previamente, mesmo cientes de que não contaríamos com a adesão, envolvimento e nem com a compreensão de muitos de nossos colegas.
Distribuímos e organizamos as atividades durante a semana da seguinte maneira:
Dias 07 e 10/04/2014: “Humanicine” – exibições do filme “Patch Adams – o amor é contagioso”, seguidas de debate à luz do tema da humanização em saúde. Clássico e praticamente obrigatório para a discussão do tema, tal filme aborda de modo especial a realidade hospitalar e sua possível transformação, já que representa um espaço físico e subjetivo, essencialmente marcado pelo humano: não somente pelo sofrimento, mas também por todo o potencial humano para a troca igualitária e para a solidariedade. Participaram da atividade, colaboradores do próprio hospital e alguns acompanhantes de paciente. O clima “contagiante” do filme tocou a todos, sendo que muitos tiveram a oportunidade de assisti-lo pela primeira vez. Evidentemente, o que mais mobiliza emoções nos espectadores é a disposição do protagonista para resgatar os valores humanos fundamentais na troca com pessoas em sofrimento físico e consequentemente, psíquico, o que sensivelmente sugere uma prática para além da mera relação profissional que pressuponha exercício de poder sobre a vida e sobre o corpo do outro.
Dias 08 e 09/04/2014: “Roda da Conversa sobre Humanização em Saúde” – procurou-se propor um momento, aberto, de debate e discussão sobre o tema, no qual todos foram instigados a participar, relatando experiências enquanto sujeitos do processo de produção em saúde, seja enquanto profissionais, seja como usuários, que vez ou outra, todos somos. Aderiram à proposta, colaboradores da instituição e estudantes da área da saúde. Com número maior de participantes, a roda do dia 08/04 rendeu um debate maior e mais acalorado, instigado por uma técnica de Role-playing, inicialmente proposta, baseada na dramatização de papéis num contexto de saúde-doença-hospitalização. A situação hipotética espontaneamente encenada serviu de mote e de gancho para discutir diferentes relações que se estabelecem no contexto hospitalar, a partir da ótica de diferentes atores.
Dias 09 e 10/04/2014: Grupo psicoterapêutico-informativo com as equipes da UTI – Adulto: os grupos são realizados periodicamente com temas variados e na Semana de Humanização propôs-se temática relativa. Utilizou-se de dinâmica com entrega de bombons, cada um contendo frases/conceitos sobre a Humanização, estimulando a reflexão e a discussão entre os membros de forma lúdica, atingindo o resultado esperado (sensibilização, descontração, interação).
Dia 11/04/2014: “Grupo de Apoio às mães da UTI Neonatal” – projeto desenvolvido desde fevereiro de 2013 traduz-se numa ação de humanização dentro de nossa realidade local. Semanalmente, as mães cujos bebês encontram-se internados na UTI Neonatal, participam de um encontro no qual é proposta alguma atividade manual, geralmente a partir de alguma técnica de artesanato e um lanche diferente do servido no alojamento do hospital. O projeto é desenvolvido pelo Setor de Psicologia, com o apoio da UTI Neonatal. Mais que um momento de descontração e quebra temporária da penosa e exaustiva rotina de acompanhar diariamente seu bebê no hospital, essas mães encontram no grupo um espaço para a troca de experiências, amparo e suporte mútuos e exercício da solidariedade. No dia 11/04 seguiu-se a mesma lógica. As participantes foram informadas da inscrição da atividade na Semana Nacional de Humanização e da necessidade de registrarmos o momento, através de fotografias. As mães decoraram latas de leite e garrafinhas de dieta, com tecido, barbante e/ou papel, cada qual de acordo com sua criatividade.  Riram, brincaram e se emocionaram ao compartilharem espontaneamente recortes de sua semana dentro do hospital, bem como a evolução de seus pequenos lutadores.
De modo sucinto, esta foi a nossa programação durante a Semana Nacional de Humanização no Hospital Regional do Sudoeste. Considerando o clima organizacional tenso do período, nossa avaliação é positiva, tendo em vista que foi o primeiro movimento impetrado no sentido de discutir humanização no hospital. Pretende-se, aos poucos, inserir a humanização no plano dos temas centrais de debate e de implementação de ações em saúde na instituição. A Semana Nacional de Humanização serviu para introduzirmos sutilmente a temática num ambiente ainda jovem (o hospital foi inaugurado em 2010), em que se acredita ser possível o estabelecimento de uma cultura de humanização que, paulatinamente, transversalize as relações entre os diferentes atores, proporcionando bem-estar e satisfação a pacientes, familiares e trabalhadores.
A todos que manifestaram interesse em participar e começar a debater o tema, nosso sincero e terno agradecimento pela participação. Mais que colegas, parceiros de caminhada rumo a um ambiente de trabalho e de acolhimento em que imperem princípios de humanização! Que tenhamos a força e o empenho necessários para a gradual e diária efetivação deste sonho na nossa realidade!
Como dizia o já saudoso Gabriel García Márquez: “Tudo é questão de despertar sua alma”! E no trabalho em saúde não deve e não pode ser diferente… Que tocados na “alma”, no essencialmente humano, saibamos reconhecer no outro nosso semelhante e que, por altruísmo, gratuidade ou simplesmente como resposta narcísica, o vejamos como merecedor de amor e de respeito incondicionalmente.

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