‘Não deixei a paralisia me parar’, diz bailarina cadeirante

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Aos 21 anos, Rita de Cássia Albuquerque tem uma agenda cheia. Ela cursa letras na Universidade Federal do Acre (Ufac), é autora do “Blog da Rita: uma cadeirante feliz“, é também colunista de um jornal local de Cruzeiro do Sul, interior do Acre, onde mora, e uma apaixonada pela dança.

E foi essa admiração pela dança que fez com que há um ano e dois meses ela se dedicasse ao balé. A paralisia que acometeu Rita de Cássia ainda na infância, nunca foi um obstáculo e não a “impediu de sonhar tão alto como o voo dos pássaros”.

Ela conta que sempre admirou as bailarinas dessa dança clássica. E foi na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), onde faz tratamento há quatro anos, que ela conheceu o professor e parceiro de dança, Aldinei Gomes.

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Antes da dança, minha vida era praticamente morta, hoje eu danço balé, mas danço do meu jeito, como eu faço no palco da vida”
Rita de Cássia, bailarina

“Sempre foi um sonho meu dançar. Quando contei para o Aldinei, ele realizou e foi um dos momento mais felizes da minha vida”, diz.

A paralisia deixou Rita com um pouco de dificuldade na fala, mas ela domina com muita intimidade a escrita e revela que a dança a fez ter uma outra visão da vida. Ela diz ainda que nunca se vitimizou por conta da doença e que atualmente seus dias são mais completos.

Foi entre o tratamento de fisioterapia e fono que a dança ocupou espaço na rotina de Rita. “Antes da dança, minha vida era praticamente morta, hoje eu danço balé, mas danço do meu jeito, como eu faço no palco da vida”, completa.

Ao lado do professor, Rita se apresenta em alguns locais como solenidades do Ministério Público do Acre (MP-AC), Apae e teatros. Chegou até mesmo a ensaiar uma apresentação na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), durante uma viagem a Rio Branco.

A estudante diz que se mantém ocupada e que a paralisia não a faz ficar estagnada  (Foto: Ana Clara/Arquivo pessoal)A estudante diz que se mantém ocupada e que a paralisia não a faz ficar estagnada (Foto: Ana Clara/Arquivo pessoal)

‘Tinha medo de cair’
Rita conta que o primeiro ritmo em que se aventurou foi a salsa e manteve o amor pelo balé em segredo por muito tempo. O medo era se conseguiria e também temia o julgamento das pessoas.

Rita começou o balé na Apae, onde faz tratamento há quatro anos  (Foto: Ana Clara/Arquivo pessoal)Rita começou o balé na Apae, onde faz tratamento
há quatro anos (Foto: Ana Clara/Arquivo pessoal)

“Eu tinha medo de cair, de me machucar e também do que as pessoas iam dizer. Eu cheguei a duvidar do meu sonho por medo de fracassar, mas tudo que eu vou fazer na minha vida, procuro me dedicar ao máximo. Eu me perguntava se algum dia iria conseguir dançar daquele jeito e hoje sei que é possível”, relata.

Em sua identificação no blog, Rita destaca que precisa ser forte e persistente e se autointitula como uma guerreira. Ela destaca ainda que vive cercada de muito amor e que não para de seguir os seus sonhos.

“Tudo na vida é possível, é só uma questão de superação e eu consegui. Não deixei a paralisia me parar”, diz categórica.

‘Acessibilidade por um mundo melhor’
Rita também fala com orgulho sobre um dos projetos que encabeça e faz questão de ser uma das principais idealizadoras do projeto “Acessibilidade por um mundo melhor”, em que usa as redes sociais para chamar a atenção para o direito dos deficientes de se locomoverem dentro das cidades. 

“O maior objetivo é conscientizar as pessoas, através de campanhas, textos em redes sociais”, explica.

Por muito tempo, a estudante diz que escondeu a vontade que tinha de dançar  (Foto: Ana Clara/Arquivo pessoal)Por muito tempo, a estudante diz que escondeu a vontade que tinha de dançar (Foto: Ana Clara/Arquivo pessoal)
 
https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2016/02/nao-deixei-paralisia-me-parar-diz-bailarina-cadeirante-no-acre.html