Seminário em Defesa do SUS e do Direito à Saúde – Síntese da discussão dos subgrupos

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Dia 16 de Junho de 2016, aconteceu o Seminário EM DEFESA DO SUS E DO DIREITO À SAÚDE com a participação dos professores Gastão Wagner (Abrasco/Unicamp) e Ligia Bahia (Abrasco/UFRJ), no Auditório 05 da UNICAMP.  Ao final do seminário os subgrupos propuseram várias iniciativas de luta para que juntos possamos defender o SUS. Segue a baixo

as propostas dos grupos que foram divididas em 5 agrupamentos de forma a facilitar a organização das atividades.
 
Mobilização e Luta:
·         Os grupos propõem chamar uma agenda coletiva sob o mote “#nenhum direito a menos” para aproximar a pluralidade de agendas que existem: organizar assembleias locais onde não houveràdas assembleias locais, convocar uma municipal àa partir das municipais, chamar uma conferencia nacional extraordinária reunindo todas as agendas.
·         Mapear a rede de coletivos nos territórios e comunidades para aproveitar esses espaços já existentes(movimentos identitários, conselhos atuantes, movimentos secundaristas, etc) e propor uma rede de coletivos. Em cada local, a rede mais fortalecida será responsável por chamar as mobilizações.
·         Aproximar a produção da rede SUS dos movimentos sociaispara que estes conheçam o que já é produzido pelo SUS para proteção e promoção de direitos sociais
·         Que os sanitaristas estejam mais presentes nas manifestações.
·         Construir OcupaSUS São Paulo.
·         Ocupar um serviço de saúde e fazer atendimento em massa sem registrar produção – alternativa a greve e movimentos que excluam o usuário.
·         Ativismo do trabalhador dentro do seu serviço, de forma direta com o usuário, e em ações intersetoriais.Intersetorialidadepresente nas pautas.
·         Ocupar os espaços institucionais: Participar dos colegiados: colegiado gestor, núcleo de saúde coletiva, conselhos locais/municipais. Revalorizando e ressignificando esses espaços.
·         Convocar a luta sindical para defesa do direito a saúde pelo SUS no lugar de defender pautas corporativistas como Hospitais de Servidores.
 
Financiamento:
·         Debater financiamento com a sociedade.
·         Discutir outras possíveis formas de financiamento e gestão de recursos.
·         Quando não houver o serviço/ atendimento nos serviços de saúde, esclarecer para o usuário que o SUS está sendo subfinanciado e os planos privados são subsidiados pelo governo, e que este é o motivo da precariedade do SUS
·         Formação sobre financiamento para os profissionais de saúde.
 
 
Educação:
·         Construir a defesa do SUS pela base, junto aos estudantes.
·         Integrar as políticas públicas a todas as disciplinas de graduação e pós graduação, dentro da grade curricular de forma constante e longitudinal, materializando nos currículos a diretriz de formação em saúde para o SUSque já é ditada pelo Estado.
·         Defesa do SUS enquanto espaço de formação, uma vez que o SUS faz a formação em saúde no país.
·         Integração ensino-serviço por meio de implementação de projetos de extensão.
·         Integrar em projetos de pesquisa temáticas que possibilitem fortalecer o SUS. Investir em pesquisas com ação política.
·         Refletir sobre nossa forma de conhecimento e incluir na formação dos profissionais de saúde temas como subjetividade, valores, crenças e desejos dos trabalhadores e dos usuários. Valorizar outras epistemes, os saberes dos usuário.
·         Residências que fortaleçam as práticas clínicas ampliadas, que fortaleçam a autonomia do usuário.
·         Universidade dialogar mais com a rede. Como forma de implementar este diálogo, os grupos propõem um programa fixo da universidade nas comunidades sobre temas diversos (ex: nesse momento de greve fazerem atividades nas comunidades ao invés de se concentrarem somente no Campus).
·         Incluir estudantes de graduação em atividades no ensino médio e fundamental, abordando questões técnicas e políticas – capacitar para conhecer o SUS.
·         Investir na educação permanente dos trabalhadores.
·         Repensar os espaços de formação para além dos espaços racionais e tradicionais: espaços mais horizontalizados, considerando os pacientes mais como sujeitos, de modo que se sintam mais participantes e ativos na produção do SUS.
·         Promover uma relação usuário-profissional mais igualitária e horizontal.Tentar compreender o que o usuário conhece sobre o SUS, como vivenciam o sistema. Valorizar mais o saber do usuário para construir a partir dele um SUS que dialogue de forma mais próxima com as necessidade da população.
 
Comunicação
·         Promover, em formato semelhante a campanhas temáticas (Outubro Rosa, violência no transito, etc) campanhas para os usuários conhecerem o SUS.
·         Falar mais sobre o que é o SUS em formas de comunicação diversas: palestras na sala de espera das unidades;comunicações artísticas e culturais; mídias.
·         Informação veiculando nas TVs das Unidades sobre os pontos positivos do SUS, em oposição ao que é veiculado na mídia tradicional .
·         Usar o Logo do SUS em todas as atividades praticadas pelo sistema.
·         Organizar um coletivo para trabalhar com comunicação positiva do SUS. Criar um fanzine. Os grupos propõem o buzine saúde.
 
Aproximação com os usuários
·         Tomar consciência de nós mesmos, de modo a desenvolver empatia pelos usuários do SUS. Olhar com os olhos dos usuários, dialogar com linguagem acessível para eles.
·         Entender e divulgar que o usuário do SUS não é minoria: despertar esse senso de identidade no usuário.
·         As unidades devem trabalhar para esclarecer suas funções para os usuários, para que eles saibam acessar os serviços do SUS com mais qualidade.
·         Empoderamento do usuário em seus direitos e deveres, focar no usuário para que conheça o sistema.
·         Sermos todos nós usuários do SUS, de forma a sermos coerentes com nossa defesa.
·         Valorização do saber do usuário, do conhecimento que ele tem de si mesmo e da rede.
·         Ações que promovam autonomia do usuário: ele como protagonista do próprio projeto terapêutico
·         Desburocratizar o SUS.
·         Investir no acolhimento.
·         Desburocratizar os espaços coletivos e de controle social convocando assembleias abertas para discutir direitos sociais.
 
Qualificação da rede
·         Atender bem aos usuários do SUS.
·         Investir da ESF como opção frente ao modelo biomédico hegemônico.
·         PTS como alternativa
·         Mudança do modelo de gestão e atenção hegemônicos.
 
Profissionais:
·         Os grupos propõem que os profissionais sejam estimulados a participar de outros movimentos e ocupar outros espaços: poderiam fazê-lo usando dos espaços e tempo de trabalho.
·         Empoderar os trabalhadores, sair da lógica taylorista e fragmentada de trabalho.
·         Engajar os profissionais para defender o SUS
·         Tomar consciência de classe, para nos situar e embasar nosso trabalho