Equipe médica batiza de Giovana bebê que nasceu por ‘milagre’ em SP: ‘Humanização’

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A equipe de médicos e enfermeiros do Hospital Regional de Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, batizou carinhosamente de Giovana o bebê que nasceu após a mãe ser lançada de um caminhão que tombou na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), em Cajati, cidade vizinha.
A mãe da bebê foi identificada por familiares como Ingrid Irene Ribeiro. Ela era de São José dos Pinhais, na região de Curitiba e faria 21 anos nesta segunda-feira (30). A irmã da jovem, Adriele Ribeiro, confirmou o falecimento através de suas redes sociais. A família viajou para Registro, para reconhecer o corpo, que já foi liberado e está sendo transportado para São José dos Pinhais.
O acidente aconteceu na quinta-feira (26), nas proximidades do Km 527. As tábuas de madeira transportadas pelo caminhão caíram em cima da passageira, que teve o abdômen rompido. As equipes de emergência encontraram o bebê em meio aos destroços e o socorreu até o hospital, onde permanece em observação.

Irmã de Ingrid confirmou nas redes sociais o falecimento dela (Foto: Reprodução/Facebook)
Segundo boletim médico atualizado, a menina já saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, onde estava internada por precaução devido ao trauma do parto, e foi encaminhada a uma unidade de cuidados intensivos intermediários. Ela está saudável, passa bem e é muito tranquila.

De acordo com informações do hospital, a menina já conquistou toda a equipe médica, que a chama carinhosamente de Giovana. Essa nomeação também ajuda a situação do bebê, é um processo de humanização. Ela seguirá acolhida na unidade de saúde durante as investigações para identificar os familiares.

Bebê nasce após mãe sofrer grave acidente em Cajati
Depoimento

O motorista do veículo sobreviveu e foi autuado em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele também foi encaminhado para o Hospital Regional de Pariquera-Açu, mas já recebeu alta hospitalar. Em depoimento formal à polícia, ele informou que não se recorda do que poderia ter causado o acidente.
“Ele não soube dizer se a mãe do bebê estava usando cinto. O motorista ainda explicou que não sabia quem ela era, mas achava que seu primeiro nome seria Ingrid. Ele a conheceu em um posto de combustíveis em São José dos Pinhais, no Paraná, e ofereceu uma carona até o ABC Paulista”.
Questionado sobre ter consumido álcool ou usado alguma substância, ele negou. Foi instaurado um inquérito policial para apurar o caso de homicídio culposo na direção de veículo automotor. A polícia aguarda um laudo do Instituto de Criminalística, que irá apontar se houve imprudência do motorista ou se houve um problema mecânico no caminhão.

“As causas do acidente serão apuradas. Caso o motorista do caminhão seja considerado culpado, ele terá a pena aumentada, por ter cometido o acidente no exercício de sua profissão”, explica o delegado.

Carreta capotou na rodovia Régis Bittencourt, em Cajati (Foto: Divulgação/Arteris)
Acidente

A jovem, que estava grávida, foi arremessada para fora do caminhão e morreu após ter o abdômen rompido, o que obrigou o bebê a nascer involuntariamente. Segundo médicos ouvidos pelo G1, o corpo da mãe acolheu a menina nos primeiros minutos de vida, o que foi fundamental para que ela conseguisse sobreviver.
“O feto foi expulso pelo trauma [quando as tábuas caíram sobre a mulher]. Quando eu cheguei, o bebê estava entrelaçado nos restos mortais. Eu retirei aquela criança, fiz os procedimentos cabíveis e levei para a ambulância”, contou o médico socorrista Elton Barbosa ao G1.
A menina nasceu com 3,12 kg e 46 centímetros. Apesar de saudável, ela chegou a ser internada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Regional como precaução, mas já foi encaminhada para outra unidade. Como não há informações da mãe, investigadores da polícia e conselheiros tutelares começaram a procurar familiares e até o pai.
Delegacias de cidades ao Sul de São Paulo, e também do Paraná, foram acionadas para prestar apoio às buscas. Caso não seja encontrado algum familiar, o corpo da mãe será encaminhado ao cemitério para ser enterrado como indigente, e a menina levada até um abrigo municipal para que possa ser adotada. Por enquanto, o corpo segue no IML de Registro.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2018/07/30/equipe-medica-batiza-de-giovana-bebe-que-nasceu-por-milagre-em-sp-humanizacao.ghtml