Febre Amarela: reflexões sobre a doença em uma Roda de Conversa organizada por estudantes do Curso de Medicina no corredor de uma ESF no Interior Paulista. O olhar do Acadêmico.

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Como estudante do terceiro termo do Curso de Medicina da Unoeste, no Programa de Aproximação.  Progressiva à Prática (PAPP), no Ciclo Pedagógico, por meio da Metodologia Ativa da Problematização, nosso pequeno grupo de acadêmicos entendeu ser importante atuarmos no Eixo da Educação em Saúde, proposto pelo MEC nas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014. Nosso desafio foi organizar uma apresentação na sala de espera da ESF Jardim Regina – no município de Presidente Prudente – Estado de São Paulo, para cerca de 25 usuários do SUS que participavam do programa HiperDia, relacionada à Febre Amarela com o objetivo de esclarecer as dúvidas na população relacionadas à doença, seus meios de transmissão, além das possibilidades de evitá-la.

O Programa HiperDia foi criado pelo Ministério da Saúde e estimula o tratamento e acompanhamento, no atendimento primário em Saúde, destinado às pessoas que convivem com Hipertensão Arterial e/ou Diabetes Mellitus, permitindo integralidade no atendimento, que deve ser realizado de maneira regular e sistemática.

A Febre Amarela já tinha 723 casos confirmados no Brasil até o dia primeiro de março de 2018 e, destes, 237 haviam evoluído para óbito, segundo o Ministério da Saúde. Com pouca informação sobre uma doença reemergente como esta, a população se mostra confusa, com informações contraditórias que circulam em diversos meios de comunicação e tem seu bem-estar afetado pela ameaça, cada vez mais próxima das famílias que habitam o território de Saúde adsctito à ESF, dificultando a criação de ambientes saudáveis para a comunidade.

Preparamos uma Roda de Conversa, que aconteceu no dia 07/03/2018 nas dependências da Unidade de Saúde. Explicamos a História Natural da Doença em vocabulário acessível aos participantes, que puderam interromper os organizadores e fazer perguntas relacionadas à Febre Amarela, sua ocorrência no Brasil, as principais áreas de risco, como se dá a transmissão da doença, a diferença entre ciclo silvestre e urbano, o funcionamento do programa de vacinação, sintomas que podem ser notados, tratamentos adequados e cuidados especiais para idosos e crianças.

Amparados pelas diretrizes operacionais do Pacto Pela Vida (“Fortalecimento da Capacidade de Respostas às Doenças Emergentes e Endemias, com Ênfase na Dengue, Hanseníase, Tuberculose, Malária e Influenza”) e em uma conversa humanizada com um público, em cobsonância com outra diretriz operacional do Pacto Pela Vida (“Promoção da Saúde, com Ênfase em Atividade Física Regular e Alimentação Saudável”), atuamos em favor do Fortalecimento da Atenção Básica e da Integralidade, em relação ao atendimento e ao conhecimento.

A Roda de Conversa ocorreu em forma de diálogo e todos se sentiram à vontade para interromper e tirar dúvidas. O conhecimento sobre a Febre Amarela no Brasil foi extraído de “Febre Amarela: Guia para Profissionais de Saúde” lançado em 2017 pelo Ministério da Saúde e transformado por nós em um linguajar mais acessível à população.

Após a Roda de Conversa, o grupo de estudantes se reuniu com a Facilitadora e com a Gerente da Equipe para o objetivo abalisar as fragilidades e fortalezas da execução do Plano de Ação que emergiu da Epidemiologia loco-regional e das Necessidades de Informação em Saúde trazidas pela população adscrita ao Território da ESF. O objetivo da Criação de Ambientes Saudáveis por meio da Educação em Saúde foi atingido pelos estudantes, estimulados pela facilitadora.  Entendemos que pudemos sanar dúvidas dos usuários do SUS que, não tendo sido informados adequadamente devido a desigualdade na distribuição do conhecimento da sociedade brasileira, acreditavam em mitos como o citado por uma paciente: “Eu ouvi dizer que quem tem mais de 60 anos já não pega mais a doença. Isso é verdade?”. Além desta, as principais dúvidas estavam relacionadas à vacina fracionada e sua confiabilidade.

Foi prazeroso poder contribuir para a construção da Informação em Saude para usuários da Rede Pública presentes a respeito do tema e saber que a partir dali eles serão agentes transformadores das suas próprias realidades, com as ferramentas necessárias para a prática de prevenção da doença e também se tornarem interlocutores da promoção à saúde na comunidade.

 

 

 

 

 

 

Referências:

Febre amarela. Guia para Profissionais de Saúde. Disponível em:

https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://portalms.saude.gov.br/images/pdf/2018/janeiro/18/Guia-febre-amarela-2018.pdf&ved=2ahUKEwiex8D6mprcAhUBwVkKHYAADP0QFjACegQIBRAB&usg=AOvVaw2zycI3SOr9hTqmPGHuRXsU

Consulta em 12 07 2018, às 15h 42min.