Pelo debate das Políticas Públicas em rede…. na Rede HumanizaSUS!

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Boa tarde pessoas,

Meu nome é Élida, sou estudante de Saúde Coletiva e trabalhadora do campo da Saúde.

Quero compartilhar com esse coletivo um livro que disparou inquietações sobre meu objeto de trabalho no mestrado, as políticas públicas, tudo começou com essas perguntas: O que está se tornando as políticas públicas, qual sua espessura de real, qual sua capacidade de abrir passagem para o processo de cuidado da vida, e qual sua potência para gerar diferenças na gestão e atenção à saúde na perspectiva ética e política? Como tecemos uma composição entre Saúde Pública e Estado Mínimo? Como o SUS conversa com a Saúde Suplementar? Como vamos fazer uma rede de saúde pública e privada atender as necessidades de saúde da população brasileira? Como usuários, gestores e trabalhadores da saúde pensam essas questões?

“Disse: O prato mais caro do melhor banquete é
O que se come cabeça de gente que pensa
E os canibais de cabeça descobrem aqueles que pensam
Porque quem pensa, pensa melhor parado.
Desculpe minha pressa, fingindo atrasado
Trabalho em cartório mas sou escritor,
Perdi minha pena nem sei qual foi o mês”
( Raul Seixas)

Conto com essa rede de conversações para disparar pensamentos sobre as políticas públicas?

LIVRO: CAMINHOS PARA ANÁLISES DE POLÍTICAS DE SAÚDE

Este projeto surge a partir de algumas inquietações, de um grupo de pesquisadores e estudantes da área da saúde coletiva, no processo de estudo e busca de compreensão sobre o modo de construção das políticas de saúde no Brasil.
De fato, na busca de respostas para diferentes questões sobre os problemas que se apresentam no contexto do sistema de saúde e das práticas em serviço e que dificultam o desenvolvimento do Sistema Único de Saúde, tal como idealizado na Constituição Federal de 1988.

Nossas questões assim se apresentavam:

Por que algumas políticas parecem nunca sair do papel?
Por que algumas políticas vingam e outras não?
Por que o que se expressa no discurso de governantes e representantes das instituições de governo muitas vezes parece estar tão distante do que é o dia-a-dia da política ou do que se faz no contexto de uma instituição e das práticas em serviço?
Por que há uma tendência a acreditar que as políticas nacionais são capazes de mudar realidades no âmbito das localidades e serviços?
Quem são os grupos, instituições e sujeitos na discussão política no Brasil?
Por que a política é comumente tratada como uma atribuição de governos e grupos sociais organizados?
As questões que mobilizam os estudos de política conseguem responder às inquietações de movimentos sociais, de profissionais de saúde e outros grupos sociais?
As pesquisas acadêmicas possibilitam o diálogo com outros grupos?
Afinal, para que servem os estudos de análise de política? E por que uma pessoa se coloca o desafio de fazer um estudo deste tipo?

Ao nos aproximarmos destas questões, percebemos pelo menos três grandes desafios no desenvolvimento dos estudos de análise de política de saúde no Brasil:

1) O desafio de reconhecimento de nossa trajetória política, social e cultural e suas interferências no processo político. A análise das políticas de saúde não deveria manter-se restrita ao olhar setorial. Assim, entendemos que é preciso extrapolar a análise e aprofundar as especificidades e diversidades do modo de produção das políticas no Brasil.

2) O desafio de desenvolver e adaptar conceitos e abordagens que possam dar conta do nosso modo de construção das políticas. Nossa herança colonialista parece se refletir na produção de conhecimento. Desta forma, identificamos uma forte tendência de nossos estudos de incorporar os modelos e tipologias propostos na literatura internacional sem fazer, necessariamente, um uso crítico ou adaptado às nossas políticas, criando uma rigidez desnecessária nas análises propostas.

3) O desafio de explorar metodologias de análise que possibilitem a reflexão sobre os objetivos e alcances dos estudos, entendendo a metodologia como parte do processo de produção de conhecimento, que deve ser construída a partir das questões que mobilizam cada estudo e não como modelos a priori que devem ser aplicados em diferentes estudos. Mas como enfrentar estes desafios sem constituir um esforço coletivo de construção de novos referenciais ou ao menos debater sobre os usos que temos feito dos referenciais até então utilizados? E como superar estes problemas sem refletir sobre o modo como temos construído nossos estudos e nos utilizado das metodologias propostas? Estes desafios orientam a proposta de construção desse material, com a definição de um duplo objetivo:

1 – potencializar o debate aberto e reflexivo sobre a orientação política de nosso Estado e dos rumos das políticas de saúde no Brasil, ampliando a discussão sobre a política para além do âmbito de governos e da academia, tornando-o um debate social.

2 – ofertar um conjunto de referenciais de análise, técnicas de pesquisa e materiais que possam ser apropriados por diferentes sujeitos no debate político, potencializando seu uso acadêmico ou social.
A aposta feita é incentivar mais pessoas para que façam análise (s) de política(s), ampliando seu escopo a partir do reconhecimento do outro como sujeito político, do entendimento das especificidades locais e regionais e da construção de referenciais e metodologias de pesquisa que aprofundem a reflexão sobre nossa realidade política, social e cultural.

Por estas razões este é um material que busca o diálogo com um público amplo e diversificado. Dirige-se a estudantes de pós-graduações, graduações e ensino médio, cuja formação volte-se para o campo da Saúde Coletiva, assim como aos profissionais de saúde, aos integrantes do movimento social organizado e aos diversos sujeitos envolvidos com a construção do direito à saúde sob as mais diversas formas de protagonismo político.

O projeto apresenta dois produtos: Este livro sobre os caminhos possíveis na análise de políticas de saúde e um site com divulgação de todos os conteúdos do livro, links e materiais diversos (www.ims.uerj.br/pesquisa/ccpas). O site visa permitir aportes e críticas contínuas e também constituir-se num espaço plural de debate e uma ferramenta abrangente de formação.

Sabemos que este projeto é o início de um longo caminho e que, pela sua proposta, não se faz sozinho, mas em rede, com diferentes olhares e percepções sobre um mesmo objeto. Também por isso, trata-se de um projeto que assume uma postura construcionista do conhecimento e da ciência. Ou seja, desejamos contribuir para estudos não neutros, guiados pela aspiração de construir uma sociedade mais justa e um sistema de saúde capaz de responder de modo integral às necessidades de saúde da população brasileira; aspiramos colaborar com a realização de estudos que se pautem na busca da objetividade, entendida não mais como correspondência à realidade, mas como o exame sistemático das premissas, das crenças e dos valores que norteiam a investigação, de modo a evitar que as conclusões sejam tão somente a expressão daquelas crenças e valores do investigador.

Assim, contribuir para a formação de pesquisadores nessa perspectiva implica enfatizar a capacidade de refletir e de compreender criticamente o próprio processo de investigação no qual se engajam.
Este material reúne um conjunto de diferentes aportes teóricos e contribuições para o debate. Não se trata de desenvolver uma nova abordagem ou outro modo de pensar a investigação das políticas de saúde no Brasil, e sim de fomentar a pesquisa e a troca em rede.

Sejam muito bem-vindos!

Caminhos para Análise das Políticas de Saúde
1º Edição
Porto Alegre, 2015
Rede UNIDA
Ruben A Mattos e Tatiana W F Baptista__

SUMÁRIO
CAMINHOS PARA ANÁLISES DE POLÍTICAS DE SAÚDE…………….9
INTRODUÇÃO…………………………………………………………………..15
PARTE 1 – SOBRE A CIÊNCIA E A POLÍTICA
CAPÍTULO 1 – CIÊNCIA, METODOLOGIA E O TRABALHO CIENTÍFICO
(ou tentando escapar dos horrores metodológicos) – Ruben
Araujo de Mattos……………………………………………………………..29
CAPÍTULO 2 – SOBRE POLÍTICA (ou o que achamos pertinente refletir
para analisar políticas) – Tatiana Wargas de Faria Baptista
– Ruben Araujo de Mattos………………………………………………….83
PARTE 2 – OS DIFERENTES OLHARES NA ANÁLISE DE POLÍTICAS
CAPÍTULO 3 – CIÊNCIA E MÉTODO DE TRABALHO CIENTÍFICO –
MARX E O MARXISMO – Ialê Falleiros – Valéria Castro – Virgínia
Fontes…………………………………………………………………………..153
CAPÍTULO 4 – O NEO – INSTITUCIONALISMO E A ANÁLISE DE
POLÍTICAS DE SAÚDE: CONTRIBUIÇÕES PARA UMA REFLEXÃO
CRÍTICA – Luciana Dias de Lima – Cristiani Vieira Machado
– Camila Duarte Gerassi…………………………………………………..181
CAPÍTULO 5 – A IDEIA DE CICLO NA ANÁLISE DE POLÍTICAS
PÚBLICAS – Tatiana Wargas de Faria Baptista – Mônica de
Rezende………………………………………………………………………..221
CAPÍTULO 6 – A ANÁLISE DA POLÍTICA PROPOSTA POR BALL –
Mônica de Rezende – Tatiana Wargas de Faria Baptista……….273
CAPÍTULO 7 – AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS E PROGRAMAS DE SAÚ-
DE: CONTRIBUIÇÕES PARA O DEBATE – Marly M. Cruz…………285
CAPÍTULO 8 – CONTRIBUIÇÕES DO MOVIMENTO INSTITUCIONALISTA
PARA O ESTUDO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE
– Francini Lupe Guizardi – Márcia Raposo Lopes – Maria Luiza
S. Cunha………………………………………………………………………..319
CAPÍTULO 9 – CONTRIBUIÇÕES DA ARQUEOLOGIA E DA GENEALOGIA
À ANÁLISE DAS POLÍTICAS DE SAÚDE – Artur Lobo Costa
Mattos………………………………………………………………………….347
PARTE 3 – CAMINHOS DE PESQUISA NA ANÁLISE DE POLÍTICAS
CAPÍTULO 0 1 B -REVES REFLEXÕES SOBRE OS CAMINHOS DA PESQUISA
– Ruben Araujo de Mattos………………………………………403
CAPÍTULO 11 – OLÁ, BASE DE DADOS, PODERIA ME DAR UMA
INDICAÇÃO? – Arlinda B Moreno……………………………………….417
CAPÍTULO 12 – ANÁLISE TEXTUAL COM O PROGRAMA ALCESTE:
UMA APLICAÇÃO EM PESQUISA DE REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
NO CAMPO DA POLÍTICA – Carolina Pombo de Barros………….427
CAPÍTULO 13 – SOBRE O USO DE TÉCNICAS ESTATÍSTICAS NA
ANÁLISE DE POLÍTICAS – Luciana Dias de Lima…………………….433
CAPÍTULO 14 – COMO TEMOS ARMADO E EFETIVADO NOSSOS
ESTUDOS, QUE FUNDAMENTALMENTE INVESTIGAM POLÍTICAS
E PRÁTICAS SOCIAIS DE GESTÃO E DE SAÚDE? – Laura Camargo
Macruz Feuerwerker – Emerson Elias Merhy……………………….439
CAPÍTULO 15 – VIAGEM CARTOGRÁFICA: PELOS TRILHOS E DESVIOS
– Débora Bertussi – Rossana Staevie Baduy – Emerson Elias
Merhy – Laura Camargo Macruz Feuerwerker……………………..461
CAPÍTULO 16 – CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS SOBRE A TÉCNICA
DA OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE – Fernando Manuel Bessa
Fernandes………………………………………………………………………487
SOBRE OS AUTORES………………………………………………………..507