Sobre NASFs e encontros. Gaspar e Indaial trocam experiências.

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O encontro ganhou um relato na imprensa. Isto nos deixou bem felizes por colocar o SUS que dá certo, planeja e faz cogestão em destaque.

http://www.gaspar.sc.gov.br/noticias/index/ver/codMapaItem/20033/codNoticia/468767

Mas nenhum jornalista e ninguém de nós sozinho é capaz de colocar em palavras a riqueza deste encontro. Cada um saiu com seus aprendizados. Cada um renovou suas forças para seguir na atuação profissional no NASF, atenção básica onde trabalha, mas o coletivo criou um marco histórico no SUS. A troca de experiências, o compartilhamento de dores, dissabores, e também vitórias e realizações ativou nossas forças. Não estamos sozinhos, tem problemas que são estruturais e que só mudam de endereço, por outro lado temos apoio mútuo, temos com quem compartilhar.

Força e potência acho que são as palavras que resumem esta ação coletiva permeada por políticas públicas de atenção básica, educação permanente e humanização. Generosidade, confraternização junto com seriedade profissional e respeito pelo trabalho do outro, foram outras qualificações que encheram este encontro de alegria e aprendizado.

Falamos sobre o desafio de atuar em um sistema de saúde, que convive com a dualidade do público e privado. Que está povoado de disputa de sentidos sobre o conceito e as muitas visões de saúde. E ainda, com modos diferentes de produzir gestão tradicional, hierarquizada e a proposta dos coletivos em exercer a cogestão, produção de comum. Além da visão de trabalho focado na tarefa, ou na visão ampla do processo de trabalho. Tudo isto causando interferências das mais diversas no desejo dos NASFs em apoiar as equipes de atenção básica, ao mesmo tempo que é cobrado em fazer atendimentos de especialidades na lógica de consultórios e atendimentos individuais.

Como cumprir o desafio de ser uma equipe que apoia outra equipe? Como ser um apoiador externo que vem ajudar aquele coletivo a olhar para seu processo de trabalho e colocá-lo em análise? Como promover saúde, constituir modos de trabalho mais coletivos, onde as especialidades sejam complementares entre si e generosas em matriciar com seus conhecimentos específicos? Mas ao mesmo tempo fazer ver que este trabalho é de todos e não só da equipe de “especialistas”? E neste meio: como construir um coletivo a partir deste encontro de especialistas, que passam a se chamar NASF e que devem produzir um trabalho coordenado e integrado? Falamos também como ajudar a equipe a dar conta dos hiper utilizadores que existem em todas as regiões?

São muitos mesmo os desafios.

Claro que o encontro seguiu com muitas perguntas sem soluções absolutas, até porque cada momento e cada situação aponta um caminho de construção. Mas saímos com a sensação de que não estamos sós nesta caminhada. Que há muitas possibilidades.

Eis que surge um oásis neste deserto de perguntas com poucas respostas… a tenda do conto!

Sim, a tenda do conto relatada aqui na RHS por Jacqueline Abrantes que passou a ser um dispositivo de humanização em vários momentos do SUS. Experiência vivida em Gaspar SC com os trabalhadores de uma UBS: veja o relato em vídeo contato pela Psicóloga Sheila do Nasf de Gaspar.

E não para por aí: outro relato da enfermeira Jane Weber (Gaspar SC) sobre a tenda do conto experimentado por estudantes de enfermagem em uma universidade de região:

E ainda a transversalização desta experiência com um trabalho de mestrado conectado a vivência de Paulo Freire na saúde relatado pela Fonoaudióloga Maria Ribeiro (Indaial SC):

Foi ou não foi um momento que não seremos capazes de traduzir tamanha riqueza?

E como sempre fica o afeto, fica este sentimento de pertencimento a algo maior, que é o SUS.

Sou mesmo muito sortuda por poder vivenciar estes momentos.