FIM DE ANO

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O homem inventou o tempo, o ano, a hora, os minutos… Desde os primeiros humanos, através da lua, sol, estrelas até chegar aos calendários dos sumérios egípcios, babilônios, até o nosso tempo com tanta tecnologia na idade contemporânea, e nessa loucura apressada de vida.  É a sociedade liquida de Bauman

, um mundo volátil e incerto.

Por que estou falando sobre o tempo? Porque estamos chegando ao final do ano gregoriano, em que amanhã será o último dia do ano de 2025, quando a gente pensa que tudo é mágico, lindo, que tudo vai mudar, que será um novo recomeço, uma nova vida, nutrindo uma esperança de dias melhores em cada um de nós.

Mas o que fazer quando “tudo pode acontecer, inclusive nada”? – como diz o poeta – num final de ano em uma Unidade de Saúde? É preciso que sejamos humanos cuidando de humanos, de sentir, de sofrer, de abraçar, de solidarizar, de deixar tudo que está fazendo para ajudar o outro. Esse é o verdadeiro sentido de se trabalhar no SUS, em especial na Estratégia de Saúde da Família.

Quando tudo parecia tranquilo, poucas pessoas nos corredores, profissionais de saúde vivenciavam dramas da vida real, um casal com diagnóstico difícil, uma criança sofrendo abuso, uma gestante com novo diagnóstico. É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte… os poetas sempre nos remetem a vida real. É se chegar, se achegar, estar perto do outro, mesmo que aquele outro você esteja vendo pela primeira vez. Não precisa ter pressa. Se estamos no final do expediente, que importa, é preciso acolher, chorar junto se for preciso, abraçar, acalentar, dizer…vai dar tudo certo. Esse é o nosso papel como profissional de saúde, como gente que tem coração, novamente recorro ao poeta José Saramago: Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.

 

Meine Siomara Alcântara, reflexões após um dia difícil.

Enfermeira

Dedico esse texto a Gerusa, Márcia e Diogo

Natal, 30 de dezembro de 2025