A experiência do Território contada por quem conhece a Atenção Primária à Saúde na sua essência

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EdProfSUS: Um Projeto da Fiocruz – Escola Joaquim Venâncio – para formar especialistas em preceptoria no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), fazendo interface com o Programa Saúde com Agente.

Contando a experiência como Tutora de Apoio à Docência no período de maio de 2025 a julho de 2026.

Ressalto que já contei aqui sobre a participação de Jacqueline Abrantes com a Tenda do Conto. Ver em: <https://redehumanizasus.net/a-experiencia-da-tenda-do-conto-no-ambito-do-projeto-edprofsus-da-fiocruz/>.

Fizemos a junção dos marcos e referenciais teóricos e conceituais do Projeto com as experiências de quem vivencia a práxis, desde a consolidação da APS nos territórios do SUS – destaque para a experiência do RN.

 

Durante o nosso processo de tutoria no EdProfSUS/Fiocruz – Especialização em Tutoria para a Educação profissional em Saúde com ênfase na APS e VS, fizemos uma imersão nos marcos e referenciais teóricos proporcionados pela coordenação e conteudistas da formação. Planejamos a nossa ação educativa sempre pensando em abordagens mais leves que propiciassem mais reflexão e problematização, já que estávamos, como maestrinas (quatro mulheres), apoiando os docentes da formação na sua relação de ensino-aprendizagem com os discentes (preceptores da APS). Enquanto conduzíamos o processo, fomos nos inquietando e buscando modos de fazer que não estivessem simplesmente prescritos. Depois de escutarmos os docentes, suas elaborações, percebemos que precisávamos construir novas estratégias. Foi então que resolvemos buscar atores envolvimos com o processo real de construção do SUS nos territórios para dialogarem com os nossos docentes. Dentre estes, com histórico e protagonismo na APS, estando mais próximos e acessíveis, surgiu o nome de Uiacy Alencar, gentilmente conhecida como a mãe dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) em muitos municípios, principalmente pelos profissionais vinculados aos territórios/equipes na década de 1990, quando se deu mais fortemente o processo de expansão da APS/PACS no RN. Uiacy, não só participou desse momento histórico, como esteve na implantação e implementação do projeto Mais Médicos para o Brasil, quando foi necessário um enfrentamento político, dada a resistência de boa parte da categoria médica que tentou desqualificar e barrar a estratégia, não somente no RN, mas em todo o Brasil. A intenção pedagógica do encontro, ocorrido em 30 de abril de 2026, para além desse relevante histórico da convidada, foi fomentar o debate sobre aspectos dos fazeres das equipes com as falas dos territórios, considerando a sua diversidade e complexidade. A convidada é também uma referência para as Políticas da Equidade que tratam dos povos originários, ciganos, quilombolas, de matrizes africanas (outros). A conversa foi leve, ao tempo em que também foi intensa, permeada por reflexões profundas sobre os cenários onde a vida real acontece. Em sua fala, Uiacy transitou pelos ciclos de vida, como quem vive (viveu), no cerne das suas emoções, as necessidades de cada uma dessas fases essenciais das trajetórias de vida de uma pessoa. Destacou a necessidade do trabalho interprofissional na APS, em que o olhar ultrapassa as paredes da Unidade Básica de Saúde (UBS) e encontra os olhares das pessoas e as escuta, nas suas formas de expressão, nos seus desejos, na sua cultura, na sua ancestralidade. Ressaltou que o trabalho entre o ACS e o Agente de Combate às Endemias precisa ser colaborativo, integrado, indissociável, pois o território fala e precisa ser bússola. Ao final do encontro, abrimos para debate, tecendo considerações entre o que trouxe a convidada e os aspectos identificados pelos tutores, docentes da especialização, durante o processo de apoio aos alunos-preceptores na construção das suas análises de situação de saúde e como contribuir para qualificar suas elaborações. As falas foram ativadas pela percepção da importância desses espaços de debate e problematização das realidades. Apenas esse olhar atento é capaz de transformar práticas e edificar cenários mais justos, humanos e integrais. Defender e proteger o SUS significa assegurar o maior projeto de democracia da história do Brasil.