A Política Nacional de Humanização colocada em prática na Estratégia Saúde da Família em Presidente Prudente, SP. O olhar do estudante de Medicina.

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Um dos grupos de PAPP na ESF Vila Marcondes, Presidente Prudente.

A Faculdade de Medicina Dr. Domingos Leonardo Ceravolo (UNOESTE – Universidade do Oeste Paulista), de Presidente Prudente – SP, apresenta em seu plano de ensino o Programa de Aproximação Progressiva à Prática (PAPP). Este programa visa incluir o estudante de medicina a práticas médicas ativas em Estratégias de Saúde da Família (ESFs) a partir do primeiro termo do curso. Assim, o contato direto do estudante com a equipe interdisciplinar da unidade leva ao desenvolvimento de habilidades de elevada importância para esses futuros profissionais, ampliando a visão holística e multidisciplinar, o que favorece a implantação da Política Nacional de Humanização (PNH) na Rede SUS.

Os alunos são então divididos em grupo de aproximadamente 10 pessoas, e essas equipes são distribuídas em diferentes ESFs pelas cidades de Presidente Prudente e Álvares Machado, cada uma com um facilitador que guia e avalia a aprendizagem dos alunos individualmente. Assim, cada aprendiz nesse caso, toma conhecimentos de perfis epidemiológicos das determinadas áreas de abrangência de suas ESFs, com objetivo também de tomar participação ativa em intervenção nos casos por meio da construção de Planos de Ação com os facilitadores.

Os estudantes se tornam também membros das Equipes Interdisciplinares por meio da problematização e contato direto com pacientes e rotinas da unidade, assim, utilizam de diversas Metodologias Ativas de Ensino e Aprendizagem durante esta matéria, que se segue até o quinto termo do curso de Medicina da universidade. Até tal termo, por meio das reuniões semanais nas ESFs, as Equipes Multiprofissionais apontam desafios para os grupos, que com a ajuda dos facilitadores constroem Planos de Ação para determinadas necessidades da área da ESF, como forma de reconhecer também o perfil epidemiológico local além da Promoção de Saúde.

Essencialmente, cada proposta do grupo deve ser direcionada pelas Políticas Públicas e colocada em prática por meio dos Planos de Ação construídos pelos acadêmicos orientados por seu facilitador. O facilitador então traz uma discussão entre o grupo sobre o Plano de Ação para seu fortalecimento e prevenção de falhas para então ele ser colocado em prática, sendo seu resultado também acompanhado semanalmente durante as atividades, os quais na maioria das vezes mostram resultados positivos pela visão dos grupos.

Cada aluno recebe uma das famílias da área de abrangência para visitar semanalmente além dos encontros nas ESFs que também ocorrem nesse período. Durante a visita domiciliar, os estudantes reconhecem necessidades de saúde dessas famílias e montam Planos de Ação para intervir na mesma, assim, desenvolvendo a visão do aluno em questão de Saúde Coletiva e também promovendo a saúde da população atendida. É assim fortalecido o vínculo entre a população e a equipe de ESF com a finalidade de aumentar o princípio da PNH do ‘’Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e coletivos’’, que é o fator mais notável no PAPP pois os alunos são responsáveis também por incentivar a participação dos usuários SUS nas ESFs para aumentar sua adesão e evidenciar sua importância para a saúde individual e coletiva.

Durante as práticas em campo nas unidades, a metodologia ativa leva o aluno a notar a importância dos princípios da PNH, reconhecendo a intensa ‘’indissociabilidade entre atenção e gestão’’ pelo contato com  a equipe completa da ESF, onde pode ser vista a direta influência das decisões de gestão na prática da atenção em saúde da unidade, o que leva a uma intensa necessidade de comunicação entre ambos os grupos para a tomada de decisões nas ESFs. Por meio do princípio da ‘’transversalidade’’, o estudante reconhece a importância da interdisciplinaridade, já vista na união da atenção e gestão, e também entre profissionais de diversas áreas de conhecimento com o fim de quebrar padrões de hierarquização de poder e promover trocas de conhecimento entre os diversos profissionais, valorizando cada profissional e trazendo seu devido empoderamento. É reconhecida a extrema importância da participação ativa de uma equipe completa, em que nenhum indivíduo da ESF deve trabalhar sozinho, mas sim apresentar uma visão humana dos usuários SUS nos quesitos biológicos, psicológicos, sociais e espirituais, atendendo a grande diversidade da população e suas Necessidades em Saúde.

Na conclusão de toda atividade elaborada pelo PAPP, o facilitador solicita aos estudantes para citarem uma única palavra que descreva como foi a atuação individual e coletiva na ESF naquele período. A palavra geralmente se baseia nos Princípios do HumanizaSUS, com a finalidade de avaliar suas ações e mostrando na prática a aprendizagem dos conceitos abstratos do respeito e confiança, que trazem a satisfação do ensino e aprendizagem de quem os pratica.

Referências:

Política Nacional de Humanização. Disponível em :

https://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf&ved=2ahUKEwiQxe303cvYAhVKDZAKHZGyBgEQFjADegQIAxAB&usg=AOvVaw04zU8E3g_tsFlo5pSvPqkT