A ROTINA QUE NINGUÉM VÊ – Episódio 4

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O hospital acorda cedo. Antes mesmo que a maioria das pessoas imagine o movimento que existe por trás dos muros, os corredores já estão cheios de passos, vozes, prontuários, equipamentos e histórias que precisam ser cuidadas.

Todos os dias, logo cedo, acontece a visita multiprofissional. Leito por leito, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, alunos e tantos outros profissionais se aproximam dos pacientes. Conversam, observam, perguntam, escutam. Cada detalhe importa.

É uma rotina. Mas não é apenas uma rotina. No leito de Dona Luísa Veras, essa cena se repete diariamente. E, como estamos acompanhando sua história, passamos a perceber aquilo que, para quem vê de fora, pode parecer apenas mais uma visita.

O cirurgião vascular Leonardo Araújo Costa, junto com sua equipe, acompanha de perto a evolução de Dona Luísa. Cada avaliação traz uma nova leitura daquele corpo que espera, resiste e, aos poucos, vai respondendo ao tratamento.

Enquanto ela espera pelo momento do procedimento, outros pacientes também aguardam. A Clínica Vascular do HGV está cheia. Muitos são idosos. Pessoas que chegaram trazendo, além da doença, uma história inteira de vida. Alguns precisam permanecer internados por mais tempo, esperando as condições clínicas necessárias para realizar um procedimento.

E é justamente aí que o tempo ganha outro significado. Para quem está do lado de fora, alguns dias podem parecer apenas alguns dias. Para quem está em um leito de hospital, cada manhã pode carregar uma expectativa diferente. Cada visita médica pode representar uma possibilidade. Cada melhora, por menor que seja, transforma-se em motivo para continuar acreditando.

Dona Luísa nos ensina, silenciosamente, que a recuperação nem sempre acontece na velocidade que desejamos. Às vezes, ela acontece devagar. No exercício feito com a fisioterapeuta. Na conversa com a equipe. No cuidado da enfermagem. Na avaliação do médico. Na mão que ajeita o lençol. No olhar atento de quem pergunta: “Como a senhora está hoje?”

É uma rede de cuidados que quase ninguém vê. E talvez seja essa a parte mais bonita da rotina de um hospital: compreender que cuidar não é apenas realizar procedimentos. Cuidar também é esperar. É observar. É insistir. É estar presente.

Porque, por trás de cada leito, existe uma pessoa. E por trás de cada pessoa existe uma história que merece ser conhecida. A de Dona Luísa ainda está sendo escrita. E nós continuamos aqui, acompanhando, um dia de cada vez.

Na foto, os profissionais da corrida de leito desta sexta-feira (25), enfermeira supervisora Maura Andréa; os internos Yuri Kev,  Rui Paixão, Thaynara Castelo Branco. O médico Leonardo Costa e a enfermeira Fabiana Vieira.