Ampliando o olhar sobre a saúde mental infanto-juvenil: uma experiência enriquecedora no CAPSI
Me chamo Karolyne Oliveira Moura, sou estudante do internato em Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, e esta postagem tem como objetivo relatar meus aprendizados no CAPSI Dr. Luiz da Rocha Cerqueira.
O estágio realizado no CAPSI, que tem como público-alvo crianças e adolescentes, me proporcionou uma experiência enriquecedora e cativante no contexto da saúde mental infantojuvenil. A vivência permitiu o contato direto com a atuação multiprofissional nessa área, além de uma maior aproximação com pacientes que apresentavam quadros clínicos variados, como os diferentes níveis do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Durante o período de estágio, tive a oportunidade de acompanhar e participar ativamente de diversas atividades desenvolvidas por diferentes profissionais da equipe, incluindo psicólogo, assistente social e educador físico. As atividades eram bastante diversificadas e possuíam um importante cunho educativo. Tratavam-se de dinâmicas terapêuticas pensadas e elaboradas de acordo com as necessidades do grupo em cada semana, considerando tanto a chegada de novos integrantes quanto as avaliações e demandas que surgiam ao longo do acompanhamento, além da faixa etária dos participantes. Essas atividades variam desde a exibição de vídeos e filmes, seguida de debates sobre os temas abordados — como uso excessivo de telas e suas implicações, autoconfiança, aceitação e inclusão do outro — até jogos de memória, pinturas educativas e elaboração de frases e contextos. Todas as propostas buscam estimular o entendimento, a expressão e o desenvolvimento das crianças e adolescentes, além de auxiliar na quebra de estigmas preestabelecidos.
Vale destacar também a importância das atividades desenvolvidas pelo educador físico. Apesar de muitas vezes parecerem simples brincadeiras ou jogos, sempre existia um objetivo terapêutico por trás delas. Um exemplo foi uma dinâmica funcional em que o pré-adolescente, de olhos fechados, precisava ser guiado apenas por uma voz de comando até chegar ao cone, trabalhando confiança no outro, respeito às orientações e autoconfiança. Essas ações, associadas às diferentes terapias, estimulam o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças atendidas pelo serviço. Ao observar os usuários, era perceptível a evolução apresentada por eles em cada atividade, o que tornava a experiência ainda mais emocionante.
Também tive a oportunidade de participar de uma atividade no grupo das famílias, em que mães e responsáveis se reuniam com as terapeutas. Na atividade em questão, foi distribuída uma carta do baralho “Aumente o diálogo entre sua família”, de Augusto Cury, e cada responsável deveria relatar como aquele contexto se associava à sua realidade familiar. O momento proporcionou reflexões e trocas muito enriquecedoras entre os participantes, as terapeutas e eu, ampliando ainda mais meu olhar para a psiquiatria infantil e reforçando a importância do diálogo entre pais e filhos, e da necessidade do engajamento da família no tratamento.
Outro serviço importante no CAPSI são os plantões de acolhimento, momentos destinados à escuta inicial e à avaliação dos pacientes, com o objetivo de identificar se o caso se enquadra no perfil de admissão do serviço. Essa vivência possibilitou compreender melhor os diferentes níveis de alguns transtornos, como o TEA, além da importância de um acolhimento qualificado e humanizado.
Por fim, eu e minha dupla, Agda Carvalho, desenvolvemos uma atividade de intervenção sob supervisão da coordenadora do grupo. Para definir a atividade, levamos em consideração o perfil do grupo, as necessidades dos usuários e também a proximidade do Dia das Mães. Assim, escolhemos como tema central “Respeito às mães”, e a atividade foi dividida em duas etapas. Na primeira etapa, as crianças deveriam fazer o sinal de “legal” ou “não legal” com as mãos diante de atitudes que eu e Agda mencionávamos, como: “gritar com minha mãe quando estou com raiva” ou “ajudar minha mãe a arrumar a casa”, além de explicarem o motivo de cada resposta. As crianças participaram ativamente e demonstraram compreender a importância de respeitar, agradecer, colaborar e demonstrar carinho pelos seus responsáveis. Na segunda etapa, confeccionaram flores com cartolina e desenhos para homenagear suas mães e responsáveis. Como forma de agradecimento pela participação, entregamos alguns docinhos ao grupo.

Diante de toda essa vivência, os dias no CAPSI foram marcados por aprendizados, acolhimento e trocas significativas, tanto no âmbito profissional quanto pessoal. A experiência ampliou meu olhar sobre a saúde mental infantojuvenil e reforçou a importância de um cuidado humanizado, multiprofissional e individualizado, capaz de enxergar cada criança e adolescente para além do diagnóstico. E fica evidente também que além do acompanhamento terapêutico, o CAPSI exerce um papel fundamental na promoção da inclusão social e no fortalecimento dos vínculos familiares, oferecendo suporte contínuo não apenas às crianças e adolescentes (com as diversas oficinas terapêuticas), mas também aos seus responsáveis. O serviço possibilita um cuidado integral e acessível, contribuindo para a redução de estigmas relacionados aos transtornos mentais e auxiliando na prevenção de agravamentos dos quadros clínicos.
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Por Sérgio Aragaki
Karolyne,
Muito rico seu relato, compartilhando tanta coisa boa que você vivenciou e aprendeu durante o estágio no CAPS Infantojuvenil.
Como sabemos, o cuidado em saúde mental está em todos os lugares.
Que o estágio tenha sido um diferencial em sua vida profissional e pessoal.
AbraSUS!