APRENDIZADOS OCORRIDOS NOS CAPS QUE COLABORARAM NA MINHA FORMAÇÃO MÉDICA E PESSOAL

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Me chamo Luis Henrique Nascimento Cavalcante e sou estudante do Internato em Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas. O seguinte texto tem por finalidade relatar os aprendizados obtidos durante o estágio realizado no CAPS DR. SADI FEITOSA na cidade de Maceió – AL.

Contempladas junto ao rodízio de Saúde Mental do nosso internato, as idas ao CAPS foram atividades extremamente prazerosas, que nos auxiliam a entender um pouco mais sobre a dinâmica de funcionamento, toda a logística empregada, a relação dos integrantes da equipe e as atividades realizadas e, não obstante, reafirmar as políticas públicas acerca da saúde mental e como podemos fazer cada vez mais pelos usuários.

Pude estar presente nas atividades do CAPS durante vários dias e turnos, os quais não obrigatoriamente foram seguidos, pois nossa rotina é conciliada com serviços de urgência e emergência hospitalar e emergência psiquiátrica no Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR).

Minha chegada ao CAPS foi regada de muita alegria. Fui excelentissimamente bem recebido por toda a equipe. Foi notória a felicidade por parte da equipe em receber os alunos (eu e meu amigo Kainan), e poder contribuir mais e melhor com nossa formação acadêmica e como cidadãos. Logo de início a Psicóloga Cleidejane nos apresentou todos os setores e espaços, seus respectivos profissionais responsáveis e como ocorre a dinâmica interna desde o acolhimento dos usuários já cadastrados, a triagem e atendimentos. Nos foi compartilhada a história de como o local era, das melhorias realizadas e do trabalho incessante para manter tudo nos conformes.

Já no primeiro dia participamos do trabalho em grupo pautado na ginástica corporal com dança ministrado por uma educadora física e logo após, com os mesmos usuários, de uma roda de conversa acerca da temática violência ministrada por uma enfermeira, ambas profissionais vinculadas ao CAPS. A partir daquele momento pude ver, ainda mais, a importância do CAPS como mecanismo integrador social para os participantes e para nós futuros profissionais. Os usuários participaram ativamente das atividades, contribuindo com a discussão, expondo exemplos da própria vida e auxiliando os demais a discorrer sobre a temática.

Atividade integrativa realizada pela profissional do local junto aos usuários.

Durante os demais dias em que estive presente, participei ativamente de todas as atividades em grupo com os usuários, de visitas domiciliares, preenchimento de prontuários dos usuários (admissão, evolução, RAAS) tudo sob supervisão dos profissionais responsáveis. Pude conversar bastante com toda a equipe sobre suas histórias de vida ali no serviço – como adentraram, como veem o serviço atualmente e como foi sua evolução durante todo seu tempo de atuação. Estive em contato com todas as áreas: psicologia, nutrição, serviço social, enfermagem, motorista, recepcionista, médicos, serviços gerais, enfim, busquei desfrutar ao máximo da experiência para estar realmente presente e ativo com tudo e todos os que fazem parte.

Visita domiciliar realizada em dois logradouros da cidade de Maceió – AL. À frente: José Neto e Luciano. Atrás – Luis, Maria Luiza e Cleidejane.

No registro acima, visitamos dois domicílios e pudemos conversar com os familiares sobre a evolução do cuidado com o usuário e como a rede de assistência à saúde (APS, CAPS, ESF, Equipe Multi) poderia estar mais presente, possibilitando um atendimento integral e longitudinal ao usuário em todos os âmbitos, não somente quanto à saúde mental; a exemplo da fisioterapia domiciliar, psicoeducação, atendimento remoto pela telemedicina e melhores práticas no contexto diário familiar.

Há muito de bom para falar desse estágio, mas concluo que minha passagem pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Dr. Sadi Feitosa contribuiu de forma significativa e relevante para minha formação acadêmica em Medicina, assim como cidadã, permitindo uma compreensão mais ampla e humanizada do cuidado em saúde mental. A vivência no serviço possibilitou conhecer, na prática, o funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial, a dinâmica do acompanhamento multiprofissional e a importância do acolhimento como ferramenta essencial para estabelecer vínculo, escuta qualificada e cuidado individualizado. Foi notória a preocupação, por parte de toda a equipe, com cada usuário, buscando solucionar suas dores, promovendo um ambiente mais leve e integrativo e fomentando a participação de todos em tudo. Ademais, a experiência reforçou a necessidade de compreender o paciente para além de seu diagnóstico ou condição que o insere ali, considerando sua história, contexto familiar, social e suas necessidades particulares na construção do projeto terapêutico.

Para além dos conhecimentos técnicos, a passagem pelo CAPS também contribuiu para minha formação enquanto cidadão, ao ampliar minha percepção sobre os desafios enfrentados pelas pessoas em sofrimento psíquico e sobre a importância do combate ao estigma relacionado à saúde mental. A experiência evidenciou ainda o papel fundamental da intersetorialidade, mostrando que o cuidado não se limita aos serviços de saúde, mas depende da articulação com a assistência social, educação, família, comunidade e demais setores. Dessa forma, o estágio fortaleceu meus valores como a empatia, o respeito, a responsabilidade social e o compromisso com uma assistência integral, humanizada e centrada na pessoa, que vai além do meu Eu como futuro profissional da saúde, mas como pessoa política que busca sempre o melhor para todos e uma sociedade mais justa, que garanta visibilidade, cuidado e oportunidade a todos!

Meu muito obrigado ao Profº. Sérgio Aragaki por nos proporcionar essa vivência incrível, e à toda equipe do CAPS DR. SADI FEITOSA pelos ensinamentos, por poder estar e servir.

“O que melhora o atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito.”

Nise da Silveira