Estudantes de Medicina da Unoeste, por meio do PAPP, promovem o Uso Racional de Medicamentos.

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Por meio da parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Álvares Machado e o Programa de Aproximação Progressiva à Prática da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Campus de Presidente Prudente (PAPP/FAMEPP/UNOESTE), estudantes desenvolveram uma ação de promoção ao Uso Racional de Medicamentos.

O uso Racional de medicamentos foi proposto pela Política Nacional de Medicamentos. Existem alguns requisitos para a sua promoção, que envolvem uma série de variáveis e para que sejam cumpridos, contam com a participação de diversos atores sociais, dentre eles: profissionais da saúde, usuários do SUS e gestores das políticas públicas de saúde.

Preocupado com este grave problema de saúde pública, o Ministério da Saúde do Brasil criou o Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos por meio da Portaria de número 427/07, vindo a atender uma recomendação da OMS. O Comitê desenvolve ações estratégicas para ampliar o acesso da população à assistência farmacêutica, com foco na melhoria da qualidade e segurança na utilização dos medicamentos. De uma maneira geral, as soluções propostas para reverter ou minimizar este quadro devem passar pela educação e informação da população, maior controle na venda com e sem prescrição médica, melhor acesso aos serviços de saúde, adoção de critérios éticos para a promoção de medicamentos e incentivo à adoção de terapêuticas não medicamentosas.

O que dizem as estatísticas: os dados acerca do uso irracional de medicamentos no Brasil são alarmantes, aproximadamente um terço das internações ocorridas no País, têm como origem o uso incorreto de medicamentos. Estatísticas do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) revelam que os medicamentos respondem por 27.0% das intoxicações no Brasil, e 16.0% dos casos de morte por intoxicações são causados por medicamentos.

Uma das ações desenvolvidas na “ESF Nossa Senhora da Penha”, pelos estudantes do terceiro termo da Graduação em Medicina, foi o estudo do caso de uma usuária do SUS. A pessoa idosa, “polimedicada”, tinha dificuldade de utilização dos remédios prescritos, apresentando baixa adesão ao tratamento medicamentoso proposto pelo médico responsável. Diariamente a idosa necessita de diferentes tipos de medicamentos de uso contínuo para controle da pressão arterial, diabetes, dislipidemia, asma, hipotireoidismo e insuficiência cardíaca. Compreendendo a dificuldade que a paciente possui em relação ao uso correto e principalmente nos horários determinados, os estudantes tiveram a iniciativa de elaborar uma caixa organizadora com horários das medicações, além de um calendário posológico para que a responsável pela idosa faça a reposição dos medicamentos semanalmente.

Essa ação, além de promover o uso racional, evitando o desperdício de medicamentos, interfere no resultado final e na qualidade de vida do usuário SUS. Um hipertenso que não faz o uso correto, diário, das medicações, pode vir a ter graves complicações em sua condição de saúde.

A caixinha posológica foi elaborada com a ajuda da facilitadora/tutora da turma. Devido ao grande fluxo de embalagens que são descartadas diariamente no Dispensário Municipal de Medicamentos, o município optou por estimular a reciclagem. A caixinha foi decorada com figuras, divisórias e horários, facilitando a identificação pela cliente idosa.

A facilitadora utilizou o “Arco de Maguerez”, no final do encontro com os acadêmicos, para estimular a “reflexão na ação”.

Os estudantes, a cuidadora e a usuária do SUS, avaliaram como positiva a ação de criação de ambientes saudáveis, realizada no território da Estratégia Saúde da Família, no município de Álvares Machado.

Referências :

Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Medicamentos. (Série C. Projetos, Programas e Relatórios; 25). Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Política de Saúde, Departamento de Atenção Básica; 2001.

Barros JAC. Políticas farmacêuticas: a serviço dos interesses da saúde?Brasília:UNESCO/ANVISA; 2004.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 427, de 26 de fevereiro de 2007.

https://sinitox.icict.fiocruz.br