O que é, realmente, cuidado? Uma experiência em saúde mental no CAPS Sadi, em Maceió

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Me chamo Italo Henrique Costa, sou aluno do quinto ano da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (UFAL – Campus Maceió). Durante o mês de Outubro de 2026, estagiei no CAPS Sadi Feitosa de Carvalho, situado no bairro Chã de Bebedouro em Maceió, como parte do componente curricular do internato em Saúde Mental. E esse é um relato de experiência pessoal sobre como essa vivência contribuiu para minha formação.

Ao longo desse mês, tive uma visão completamente diferente do que é cuidado em saúde mental. Quando adentramos no curso, somos incorporados a uma visão técnica de identificar a patologia, entender o grau de comprometimento, intervir medicamentosamente, aliar o tratamento não farmacológico e aguardar a melhora. Em poucos minutos, esses passos passam por nossas atitudes e esperamos boas notícias com o retorno daquele paciente/família. Desfecho que nem sempre acontece.

E, destas partes, talvez a parte não medicamentosa seja a que menos tenha um acompanhamento mais incisivo da parte médica: seja pelas múltiplas realidades vivenciadas, seja pela confiança exacerbada no manejo medicamentoso por parte de familiares e pacientes, seja pelas limitações impostas pela organização do serviço, seja pela necessidade da equipe multiprofissional de complementar o cuidado de forma mais intensa. Contudo, a experiência no CAPS Sadi Feitosa de Carvalho nos mostrou exatamente essa parte e ampliou o olhar para o que é cuidado em saúde mental. Ali, entendi a importância da equipe multiprofissional no âmbito do cuidado e os desdobramentos disso na vida do paciente.

Foi visualizando as oficinas, as conversas, as abordagens, a adesão deles que você percebe que aquele momento, por mais simples e rápido que seja, talvez seja o único momento do dia em que muitos deles saem de casa para ver pessoas. Para conversar, para rir, para ser ouvido, para escutar, para refletir sobre um assunto muito além da doença e das consequências danosas que ela traz ao existir.

Vi educadores físicos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogas e assistentes sociais se desdobrarem para que esses grupos acontecessem. Uns pacientes adoravam o momento da dança, outros se empolgaram com as discussões, uns amavam as brincadeiras temáticas do dia das crianças. Vi, durante as consultas, promessas corajosas que viriam para os grupos mesmo quando tudo cooperasse para permanecer em casa. Era a terapia e o sopro de quem lutava constantemente para manter-se vivo. Do outro lado da sala, a poucos metros, vi médicos prescreverem medicações, orientações e tentarem intervir para que muitas vidas fossem transformadas através da farmacologia e da amamnese. Juntando todos esses cenários, muitos construíram esse arcabouço terapêutico para que a vida fosse vivida com completude.

E ver o próprio relato dos pacientes sobre como isso funciona nos faz crer que essas intervenções ali feitas realmente mudam vidas. Escutei relatos de pacientes com mais de 10 anos de tratamento no CAPS Sadi e que tinham quadros regulados. Estavam bem consigo e com o viver – e esse talvez seja o ponto final da ação de todo profissional da saúde. Saio desse estágio com uma visão ampliada, cuidadosa e muito mais humana do que é cuidado. E, mais ainda, sobre como a saúde mental é expandair e promover verdadeiramente esse cuidado.

Espero que os pacientes que passarem por mim futuramente possam ter a oportunidade de serem cuidados por tão bons profissionais e tão boas intervenções como as que vi nesse mês.